Quero chorar... Render-me ao choro sem a preocupação de ficar desidratado! Chorar como se as lágrimas pudessem fazer escapulir o grito que consome meu peito. Meu coração pesa mais do que as toneladas de razões que me dão a condição insistente de desistir. Não sei se tenho essa coragem! Não sei se tenho a capacidade da indiferença. Flutuo entre o amor e o ódio. Bailo com a esperança que mata. Danço com a irreverência de se reinventar. Mas a esperança de reinventar me afasta da realidade: não nasci para o amor tanto quanto não nasci para tantas outras coisas...
E o tempo corrói no compasso que sossega o que se sente e maltrata, ascende... Chama a vida que geralmente com impacto se faz perceber de repente que aquele alguém foi feito para você! E você escolhe... Não há garantia de ser escolhido! E é difícil entender que o problema não é você nem o outro! Há conexões que simplesmente não se estabelecem!
Há sempre a insana expectativa de que tudo mude... O ritmo da prosa, os versos da canção. Não! A canção é triste e a conversa é dessas de botas batidas. As estrelas se deslocam para dizer: desista! O coração tolo, ainda sim, acha ter superpoderes desses dos heróis das comédias românticas que podem virar o jogo e conquistar. Mas do outro lado não tem alguém que queira ser conquistado. Coração burro, burro, estúpido que faz a gente se machucar. Faz a gente despencar dos desfiladeiros e se ferir, se magoar, se condenar, se automutilar.
Minhas mãos estão abertas, cheias de ar. Mas não posso prender o oxigênio, porque livre - ele me escapa... Esvai como os sonhos que obrigado tenho que esquecer pela pura impossibilidade de vingarem.
Vago... Pelas ruas desertas cheias de gente. Pelos congestionados pensamentos que se atropelam em mim e, confusos, não chegam a lugar algum.
Deixa doer! Deixa as lágrimas rolarem e se acumularem no chão se não houver ralo. Deixa o adeus persistir mais uma vez, ainda que todas as forças que tenho tentem impedi-lo. Não importa o que há do outro lado. Estou aqui e não vislumbro outro lugar que não essa solidão que sem convidar entrou. Um dia eu digo: pare! Mas por hora, deixa o sentimento me avassalar... Essa noite será longa, e, se as outras forem também, que assim seja, como um dia após o outro.
Quero ouvir uma música bem triste agora. Quero ficar triste, chorando, isolado na minha sobriedade de vilão da história. Sou eu o vilão de mim mesmo! Se amanhã, o que é provável, meu estado não mudar, quero continuar ouvindo repetidamente músicas bem tristes, porque quero sofrer, pois sou assim: vela romana que queima até se esgotar.
Queria que amar alguém fosse como ligar e desligar o interruptor da luz! Se ilumina—mantém aceso. Se cega—simplesmente aperta o botão, deixa a sala e segue em frente!
Mas o amor é cruel e uma vez que sua luz acende, é difícil esquecê-la! É impossível se despedir sem sofrer! Mas é preciso encontrar um jeito!
Se alguém souber, peço, imploro que me ensinem! Como encontrar o interruptor. Como desligá-lo para nunca mais ligá-lo de novo pra ninguém!
Queria que minhas súplicas fossem atendidas, mas o universo é sábio e não me atende! Haverá o amor de existir para mim? Haverá a ponte que encontra e separa me fazer encontrar? Eu espero. Eu sangro nos desenganos, nas esperanças que se eternizam em esperança e nunca se transformam em outra coisa.
Será que um dia eu vou entender? O amor não espera—ele está à procura até que a felicidade o encontra... Quando me encontrará? Pois como amor eu já cansei de procurar!
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