Página virada

quinta-feira, 06 de agosto de 2015
por Jornal A Voz da Serra

A NOVA PRISÃO do ex-ministro José Dirceu, que já cumpria pena domiciliar por seu envolvimento no mensalão, atingiu diretamente o partido que dá sustentação ao governo. A expressão “pixuleco”, segundo o depoimento de um dos delatores, era a expressão utilizada pelo tesoureiro João Vaccari Neto para cobrar a propina correspondente ao partido dos recursos subtraídos da Petrobras.

AGORA, O QUE impressiona é que o comandante do mensalão agia em nome do partido que está no governo também no Caso da Lava Jato, enquanto exercia a função de chefe da Casa Civil do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

A PRISÃO preventiva de José Dirceu decretada pelo juiz Sergio Moro foi ordenada após a constatação de que o ex-ministro teria recebido R$ 9,27 milhões entre 2006 e 2013 de empresas investigadas por envolvimento em corrupção na Petrobras. As transações ocorreram mesmo após Dirceu ter sido condenado no mensalão.

AS INVESTIGAÇÕES verificaram que laranjas foram utilizados para realizar operações ilegais, inclusive depois da realização das primeiras fases da Lava Jato e de Dirceu estar preso — o ex-ministro estava cumprindo prisão domiciliar em Brasília quando foi preso, benefício que recebeu em outubro de 2014, após cumprir parte da pena na penitenciária da Papuda, em Brasília.

JOSÉ DIRCEU foi, durante pelo menos dois anos, o todo-poderoso coordenador das ações políticas do governo petista, chegando a ser definido pelos próprios companheiros como “primeiro-ministro”. Com a nova prisão, esperada pelo próprio Dirceu, confirmam-se os indícios de que os grandes casos de corrupção têm conexão entre si. No mensalão, a lógica era a obtenção de vantagens financeiras para sustentar a cumplicidade de aliados.

AGORA constata-se que o sistema foi mantido pelo pagamento de propinas para os partidos e para os que recebiam as contribuições. São cada vez mais fortes as suspeitas de que prestadores de serviços da Petrobras eram usados para favorecimento financeiro não só de agremiações, mas de pessoas físicas. A Operação Lava Jato está conseguindo fazer uma verdadeira faxina na política brasileira contando com o apoio irrestrito da população. Inicia-se assim um novo capítulo na história do Brasil contemporâneo.  

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