Os Focas - 30/06/2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012
por Jornal A Voz da Serra
Os Focas - 30/06/2012
Os Focas - 30/06/2012

Afinal, libertário ou stalinista?

Olha só que beleza: a pessoa chega e já vai sentando na janelinha. O João Clemente, praticamente um filho pra nossa querida, amada, idolatrada, musa AND editora-chefe Angela Pedretti, mudou o nome da coluna sem avisar e sem consultar os colegas, depois, é claro, de se apossar do Li, Vi e Ouvi. Vai dando esse mole, vai... Daqui a pouco ele vai impor uma ditadura em A Voz da Serra e vamos ficar nos perguntando como isso aconteceu.

Vou de ônibus

Priscilla Franco

Quando foi inventado, em 1826, lá na França, o ônibus não poderia imaginar que um dia seria trazido para terras tupiniquins, para desafiar as leis da física nas ruas estreitas e íngremes de Nova Friburgo. Andar no coletivo pode ser extremamente emocionante, quando ladeia precipícios, faz manobras incríveis no ponto final ou nos obriga a momentos íntimos com outros passageiros igualmente espremidos na hora do rush.

Não, não tenho a intenção de criticar a empresa que faz o transporte coletivo na cidade. Estou convencida de que muitos problemas são mesmo estruturais. No momento que inventou Nova Friburgo o Criador deveria ter nos imaginado descendo esses morros de rolimã, bondinho ou carro de burro, mas de ônibus? Os itinerários são hilários. A geografia das ruas nos obriga a passar várias vezes pelo mesmo local antes de chegar ao ponto final. Ou então a traçar um ângulo reto, subindo ou descendo ruas onde seria mais prudente usar equipamentos de escalada.

Cá entre nós, o ônibus em si é uma invenção engraçada. Quando sentada eu nunca sei ao certo o que devo fazer em relação ao passageiro ao meu lado. Ficamos ali, por longos minutos, dividindo alguns centímetros quadrados. Às vezes me sinto na obrigação de puxar assunto. Outras, faço de conta que estou cochilando, ou admirando a paisagem lá fora. Constrangedor. Já quando estou em pé, tento me transformar em folha de papel cada vez que alguém resolve passar com uma bolsa enorme atrás de mim. Isso já me rendeu alguns hematomas, além de um bocado de inimizades. Sacolejando a caminho da rodoviária urbana, penso que ainda é melhor usar o coletivo do que mofar em mais um carro engarrafado no Paissandu. Até porque, andando de carro, o friburguense pode ser ainda mais veloz e furioso do que quando está a pé. Mas isso é assunto para um outro dia...

MINUTO ESPORTIVO

Leonardo Lima

Paciência. Só mesmo isso pode diminuir a frustração de quem acompanha o UFC. Coincidentemente, ou não, diversos lutadores se lesionaram às vésperas de aguardados combates. A tão esperada revanche entre Vitor Belfort e Wanderlei Silva não aconteceu, pois o primeiro fraturou a mão em um treino. A defesa de título de José Aldo contra Erik Koch também teve de ser cancelada, por conta de uma lesão do brasileiro. Quem esperava ver a volta de Rodrigo Minotauro ao octógono contra o francês Cheick Kongo também se decepcionou, pois ele alegou dores no braço, foi operado recentemente e substituído por Shawn Jordan.

Enfim, a verdade é que essas inúmeras lesões vêm tirando bastante da graça do maior evento de artes marciais mistas do mundo. Para desespero de muitos, surgiu um boato que Anderson Silva havia machucado o joelho e estaria fora da “revanche do século” contra Chael Sonnen. No entanto, essa notícia foi descartada e, pelo menos por enquanto, a luta está confirmada.

Recentemente, o site www.mmario.com.br contabilizou as lutas agendadas que passaram por esse problema e concluiu que, em 2012, o número bateu recorde: nada menos que 54 duelos foram cancelados ou tiveram um de seus lutadores substituídos. Isso até o início de junho, apenas. O próprio presidente da organização, Dana White, orientou os atletas a “pegarem mais leve” nos treinamentos e rechaçou a hipótese de que eles estão deixando de lutar por lesões pequenas, o que não ocorria anteriormente.

No entanto, como todo empecilho tem um lado positivo, esse não poderia ser diferente. Após a impossibilidade do peso-galo Dominick Cruz defender seu título, o brasileiro Renan Barão (invicto há 29 lutas) foi escalado para disputar o cinturão interino contra o americano Urijah Faber, no UFC 149. Possibilidade de domínio brasileiro em mais uma categoria.

LEMBRA DISSO?

Amine Silvares

Antes da internet, as enciclopédias eram onde se encontravam as respostas pros trabalhos de colégio. Uma das mais legais produzidas pela editora Globo era “Como as coisas funcionam”, tradução da edição em inglês “The Way Things Work”. Quem não comprou o jornal com certa frequência para ter acesso aos capítulos, podia comprar um CD-ROM com o conteúdo.

Originalmente lançada em 1996 nos Estados Unidos, o CD-ROM traduzido do “Como as coisas funcionam” era bem legal. O menu principal era uma oficina científica que podia ser explorada. Com animações e sons, os textos também podiam ser narrados. Eram cinco menus disponíveis, “Oficina”, “Máquinas”, “Princípios da Ciência”, “História” e “Inventores”, cada um podendo relatar aspectos diferentes das invenções, como os princípios científicos que faziam uma certa máquina funcionar.

Para mostrar como as coisas funcionavam, havia infográficos animados, textos explicativos e vídeos no menu “Cine Mamute” em que o pobre animal servia de cobaia em vídeos no qual passava pelas mais diferentes experiências para mostrar como criar eletricidade, ligar TVs, fazer ventiladores funcionarem, aviões voarem, passando pelas invenções mais simples até os projetos mais complexos. O bicho também era explorado em outros menus. As animações ainda incluíam homens da idade da pedra descobrindo e inventando diversas maravilhas da humanidade.

Facilmente navegável, o material me ajudou bastante em trabalhos da escola. Juntamente com o “Como as coisas funcionam”, a editora Globo também lançou a “Enciclopédia da Natureza”, “O Corpo Humano”, “Enciclopédia dos Felinos”, “Mamíferos”, “Atlas Universal”, “Atlas de História Geral”, “Atlas de História do Brasil” e outras produções nacionais e internacionais. Com alguma dificuldade, ainda dá pra encontrar os softwares para download ou os CDs para vender, usados, é claro, em sites de compra e venda de mercadorias.

LER, VER, OUVIR

João Clemente

LER: Escrito em 1999, “Xangai Baby”—livro de estreia de Wei Hui (que, por incrível que pareça, pronuncia-se “Uei Uei”)—foi proibido na China, sendo lançado no exterior em 2001. O que temos aqui no Brasil é a tradução de outra tradução, para a língua inglesa. Mas enfim, se não é fiel, é uma versão muito boa, com uma escrita direta e agradável. A história do livro se passa na cidade portuária de Xangai. Sua personagem é uma menina rica entediada, em crise de consciência, que se envolve com um alemão casado que está no país a trabalho. As referências ao mundo ocidental são muitas e em diversos momentos passam do ponto: Coco Channel, Portishead, Kerouac, Henry Miller... e por aí vai. Quase não há menção à cultura chinesa propriamente dita, o que é uma pena (mas também não há “confronto de culturas e gerações”, tampouco frases do tipo: “Minha filha não dorme mais em casa; tradição acabando...”). Enfim, um livro mais propriamente “feminino” do que “oriental”.

OUVIR: “Ring Ring” (1973) é o primeiro LP do grupo sueco ABBA, antes de eles se consolidarem mundo afora com “Mamma Mia” e “SOS” e antes mesmo de “Waterloo” virar hit na Inglaterra. “Ring Ring” está ainda longe da disco music e mostra um grupo bastante ligado à década anterior, aos Beatles, Beach Boys e ao folk pop—porém, já mostra como Benny e Björn são mestres da composição; e como as vozes de Agnetha e Anni-Frid são poderosos instrumentos. Para muitos críticos e fãs, é o melhor disco da banda. Entre as músicas do álbum, destaco aqui “He’s your brother”.

VER: “A Mulher de Preto” é um filme de terror que já surgiu podendo muito bem servir como uma espécie de ícone do gênero—o que faz a gente se perguntar por que ele só foi feito agora, em 2012. Ele possui muitos elementos que estão em nosso imaginário como sendo clássicos dos filmes de terror—vamos combinar: a começar pelo nome!—mas, se você parar para pensar, são raros os filmes que realmente os têm, e que satisfazem os espectadores reunindo estes elementos com a competência de “A Mulher de Preto”. Com Daniel Radcliffe, dirigido por James Watkins.

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