É muita festa, sô!
Festas juninas, festas julinas e a gente só fazendo o estoque de gordura corporal para os próximos invernos. Salsichão, churrasquinho, crepe, cachorro-quente, morangos com chocolate, cocadas, uvas com chocolate, milho verde, pamonha, broas, chocolate quente, canjica, sopas. Melhor época do ano, sem dúvida. E olha que o Natal é um grande concorrente. Aliás, falta muito pro Natal?
Sabe da última?
Priscilla Franco
Tenho até certa vergonha do que vou confessar: adoro uma fofoca. Pena que o politicamente correto tenha tornado feio o ato de passar uma historinha adiante. Mesmo assim ela acontece, quase como uma força da natureza, que apesar de todas as circunstâncias precisa existir, se expandir, florescer. Que atire a primeira pedra quem nunca esticou as orelhas para ouvir uma conversa que não lhe cabia, e ainda teve a ousadia de passá-la adiante. Disse a Wikipédia que fofocas são afirmações não baseadas em fatos concretos. Lorota! Ou melhor, a fofoca não é lorota nenhuma. Se até a mentira tem um fundo de verdade, a fofoca é ainda melhor respaldada. Há, é claro, de ser um mexerico saudável, que não fira ninguém. Sendo assim, que mal há?
Já ouvi dizer que a fofoca está mais associada ao sexo feminino, mas um estudo provou que esse pensamento está errado. A Social Issues Research Centre, centro de pesquisas independente de Londres, entrevistou mil donos de telefones celulares, só para saber o teor das conversas. Destes, 33% dos rapazes se confessaram fofoqueiros habituais, contra apenas 26% das moças.
Agora, eu conheço intimamente uma parcela da população que não pode negar sua afeição pelo “disse me disse”: o jornalista. Somos naturalmente curiosos, e todo curioso é um fofoqueiro em potencial. Claro que no exercício do nosso trabalho é essencial saber separar boato de fato, ou pelo menos deveria ser. Mas se quer um conselho saudável, ao contar um segredo perto de mim, fale bem baixinho.
Minuto esportivo
Leonardo Lima
A Europa parou nesse mês de junho para ver 16 de suas principais seleções disputarem o título de campeã do continente. Esta edição, sediada em conjunto por Polônia e Ucrânia, é a décima quarta do torneio. Os alemães são os maiores vencedores, com três conquistas. Em seguida, vêm Espanha e França, com duas. Rússia, República Tcheca, Itália, Holanda, Dinamarca e Grécia têm um título cada.
Inicialmente chamada de Copa das Nações Europeias, a competição foi disputada pela primeira vez em 1960, na França, e teve como vencedora a União Soviética. Com a divisão desta em diversos países, o título migrou para a Rússia. O mesmo aconteceu com a República Tcheca, que herdou a conquista da Tchecoslováquia, em 1976. Este ano, aliás, foi o último onde a Eurocopa reuniu apenas quatro seleções na sua fase final. A partir de 1980, esse número passou para oito e, desde 1996, para 16. A partir da próxima edição, 20 equipes se classificarão para a disputa.
Com nove gols anotados pela seleção francesa, Michel Platini é o maior artilheiro. Alan Shearer, da Inglaterra, marcou sete. Já os holandeses Patrick Kluivert e Ruud Van Nistelrooy, o português Nuno Gomes e o francês Thierry Henry, vêm em seguida, com seis gols cada. Curiosamente, nas 13 Eurocopas disputadas até aqui, em apenas três o país sede levantou a taça: Espanha, em 1964; Itália, em 1968; e França, em 1984. Considerando que os mandantes deste ano não são grandes potências futebolísticas, é provável que este seleto grupo de anfitriões bem sucedidos permaneça com os mesmos integrantes.
E falando em país sede, Portugal foi vítima, talvez, da maior zebra da história recente do torneio. Em 2004, liderados por Luiz Felipe Scolari, os lusos foram surpreendidos pela Grécia logo na estreia, porém superaram Rússia e Espanha e avançaram às quartas de final. Nesta fase, vitória nos pênaltis sobre a Inglaterra. Na sequência, o 2 a 1 sobre a Holanda assegurou uma vaga na grande decisão. O adversário era novamente os gregos, com sua irritante retranca. Mesmo favorito, Portugal perdeu mais uma vez para a Grécia e ficou com o vice-campeonato.
LEMBRA DISSO?
Amine Silvares
DVD é uma coisa fantástica. Apesar do risco de arranhões, a grande capacidade de armazenamento, a qualidade das imagens e a praticidade ajudaram a popularizar o formato. Esta geração vai perder toda a emoção (?) de rebobinar uma fita. Ou de tentar aprender a programar o famigerado videocassete. E levanta a mão aí quem chegou a usar controle remoto com fio.
O Video Cassette Recorder ou VCR gravava e reproduzia imagens registradas em fitas magnéticas. As fitas mofavam e os cabeçotes do videocassete ficavam sujos, o que fazia com que as imagens fossem perdidas ou ficassem distorcidas. Mas, o aparelho inventado em 1971 chegou aos lares americanos através de propagandas em revistas pornográficas. Sim, isso mesmo, foi a pornografia que ajudou a popularizar essa tecnologia.
Antes, para ver filmes picantes era preciso ir à cinemas especializados, provavelmente em lugares obscuros, e assistir as produções na companhia de pessoas mais estranhas do que você. Com o videocassete, milhares de pervertidos puderam levar suas fantasias para casa e para assistir quantas vezes quiser e pagando apenas uma vez! Eike beleza! O fato é que isso ajudou bastante a baratear os custos de produção das fitas e dos aparelhos, que chegavam a custar US$50 e US$800 respectivamente.
Os videocassetes estavam em todas as casas. Foram criados outros formatos com a mesma tecnologia, como o VHS-C, uma fita menor que podia ser colocada dentro de outra maior para caber num videocassete normal sem a necessidade de comprar um aparelho novo, o S-VHS, que tinha qualidade superior às fitas normais, e o D-VHS, que gravava em fitas magnéticas, as gravações eram feitas em formato digital. Nunca conheci ninguém que tivesse algum dos três.
Daí o DVD chegou matando e, em 2008, foi produzido o último aparelho de VHS nos Estados Unidos. O último filme a ser lançado em fita foi “Uma história de violência”, que é bem bom por sinal, em 2006. Aqui em casa a gente mantém, não um, não dois, mas, pasmem, TRÊS videocassetes. Santa quiquilharia, Batman!
LER, VER, OUVIR
João Clemente
Ler: “Adoro Problemas” (Here Comes Trouble) (2011) é o primeiro livro autobiográfico do escritor, diretor de cinema e ativista político Michael Moore, mais conhecido por ter dirigido e produzido “Fahrenheit 11 de Setembro”, filme que foi de longe o documentário mais bem-sucedido da história do cinema. “Adoro Problemas” conta episódios de vida de Moore desde sua infância até seu primeiro filme, “Roger e Eu”. Por mais pessoal que estes episódios de vida possam ser, nunca é deixada de lado por Moore a dimensão política dos mesmos. E—como quem conhece o cineasta pode imaginar—o livro é bem engraçado. E revela também um lado seu cheio de ternura, romantismo e de amor pela vida. Michael Moore é um ser humano bonito.
Ver: Na primeira vez que li esse título no cartaz do cinema confesso que achei muito estranho. “Compramos um zoológico”... Segundos depois eu pensei: “Bom, se tem um título desse, com uma história dessa, só pode ser legal”. (Não sei se isso que acabei de escrever faz sentido...) O filme é a história real de um pai de família que perde a esposa e quer recomeçar a vida com seus dois filhos—até se “esbarrar” com a possibilidade nunca antes imaginada por ele de comprar um zoológico... E ele para isso tem de se mudar pra lá e cuidar do lugar. Um ótimo filme, com a leveza necessária para ser assististido numa tarde agradável e preguiçosa de domingo. Dirigido por Cameron Crowe (“Jerry McGuire”, “Quase Famosos”).
Ouvir: “Father, Son, Holy Ghost” da banda americana Girls é o melhor disco de 2011, consolidando Christophen Owens como um dos melhores compositores de nossa época e mostrando uma banda disposta a alçar voos mais altos, com arranjos mais ecléticos. Eles continuam fazendo músicas “bonitinhas”, mas agora nessa nova fase da banda estas aparecem intercaladas com músicas sérias e profundas, conferindo às primeiras uma aura especial (como as “silly love songs” de McCartney). As músicas de “Father, Son, Holy Ghost” são tão bonitas que dói. E, como tem esse clima de clássico, retrô, é uma boa opção para você ouvir com aquele tio que diz que “nada de novo presta”.
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