Os focas - 1º a 3 de outubro 2011

Por Amine Silvares, Priscilla Franco e Leonardo Lima
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
por Jornal A Voz da Serra

AH... BONS TEMPOS!

Bons tempos aquele de cheirar a folha de prova que tinha acabado de sair do mimeógrafo, não? Aquela época em que os nossos maiores problemas era saber qual sabor de Skinny, Mirabel e Ki-suco a gente ia levar pro colégio. De que coisas da sua infância você sente mais falta? Mande sua sugestão para osfocas@avozdaserra.com.br.

Amigos, casamentos e filhos

Amine Silvares

Já faz um tempo tenho notado que as minhas amigas estão casando e tendo filhos, o que me deixa um pouco ansiosa. Fico com a impressão de que, se não estou atrasada, elas estão bastante adiantadas. Agora, ao invés de programação para o fim de semana, namorados e casos, filmes, livros e músicas, o assunto das conversas é casar de dia ou de noite, se as madrinhas têm ou não que usar vestidos na mesma tonalidade (o que acho de extrema breguice, diga-se de passagem) e se o bebê vai ser menino ou menina. Pois é. Sinto que estou ficando mais velha e que o tempo está passando rápido demais.

Os assuntos vão mudando e aquela afinidade que a gente sempre teve vai diminuindo. Por mais que eu leia sobre casamentos e bebês pra poder tentar dar a minha opinião, os nossos ritmos mudaram. Está até difícil de achar alguém para sair no meio da semana pra ir ao cinema. O mais engraçado é que os namorados/noivos/maridos continuam jogando aquele futebol sagrado no meio da semana, mas as minhas amigas sumiram. Viraram ou estão virando “do lar” e, por algum motivo, se trancam em casa esperando o retorno do príncip... digo, parceiros. Não entendo essa lógica.

Tentar marcar um jantar ou cinema só com as meninas é complicado. Sempre tem alguém pra perguntar “mas eu posso levar o fulano?”. Porque se fulano ficar em casa, ele vai fazer “besteira”. Ou então “eu vou ficar com saudades”. E não é que eu não goste do fulano, de forma alguma. Os namorados/noivos/maridos das minhas amigas são caras legais (até onde tenho conhecimento), mas vocês não nasceram colados, não é mesmo? Ter individualidade dentro de uma relação é possível e saudável!

Parece birra, alguns até chamam de recalque, só que o nome disso é saudade. Odeio sentir saudade. Como diria minha mãe, queria pegar quem eu amo, colocar numa redoma de vidro e levar pra casa. Eu topo dividir, mas deixem um pouquinho das minhas amigas pra mim também, poxa! Foi-se o tempo das festas do pijama com brigadeiro de colher, comédias românticas e revelações bombásticas sobre “eu acho o fulano uma gracinha”. Vamos falar de casamentos e enxoval, mas será que podemos fazer isso enquanto comemos uma pizza na quarta? Tá bom pra vocês ou fica melhor na quinta? Depois da portuguesa, a gente pode até pedir uma de brigadeiro.

FRASE DA SEMANA

“No mundo existem dois tipos de pessoas: as que concordam comigo e as que estão equivocadas”

Autor desconhecido

LEMBRA DISSO?

Priscilla Franco

Se hoje os e-books parecem ameaçar a longevidade de impressoras e fotocopiadoras, existiu uma época em que exercícios e provas escolares chegavam aos alunos com letras azuladas e cheiro forte de álcool. Muito usado até o final da década de 80, o mimeógrafo reinou durante um século como a melhor maneira de fazer cópias sem muita qualidade, em pequenas tiragens. Poucos sabem, porém, que as mesmas folhas mimeografadas que lembram um passado distante, e que foram levadas como relíquias à feira de tecnologia Campus Party em 2010, ainda são realidade em escolas rurais pelo Brasil.

O mimeógrafo foi patenteado em 1887 por Thomas Alva Edison, nos Estados Unidos, e aperfeiçoado nos anos posteriores, mantendo a forma simples de manuseio que o popularizou. Os textos eram preparados em uma máquina de escrever que perfurava um papel impermeável chamado estêncil, para permitir a passagem da tinta dissolvida em álcool. Ele era então colocado em um pequeno cilindro poroso e girava-se uma manivela para realizar a impressão.

A máquina causou estranhamento durante a Campus Party de 2010, realizada em São Paulo, considerado o maior evento de inovação tecnológica, internet e entretenimento eletrônico do mundo. Organizadores abriram mão de computadores e usaram mimeógrafos para imprimir os jornais distribuídos na feira, em uma experiência para relembrar a vida sem corretores de ortografia ou ferramentas de copiar e colar hoje presentes nos softwares de texto.

Bem longe dali, no mesmo ano, um levantamento feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil mostrou que para 70% das escolas rurais o mimeógrafo ainda faz parte da rotina, porcentagem que representa ainda o número dessas instituições que não possuem uma biblioteca. A pesquisa mostrou ainda a exclusão tecnológica das escolas, 66% sem computadores e 92% sem acesso internet, permanecendo paradas no tempo.

LI, VI E OUVI

Leonardo Lima

Li: O conceituado jornalista esportivo Paulo Vinícius Coelho reuniu em “Bola Fora: A história do êxodo do futebol brasileiro” a trajetória de vários atletas que foram atuar em times do exterior. Embora hoje se fale muito da venda de jogadores para os times europeus, esse tipo de transação começou há muito tempo. No livro, PVC revela fatos inéditos dessas transações milionárias, como os bastidores da ida de Falcão para a Roma nos anos 80, e a de Pelé para o Cosmos, dos Estados Unidos, em 1977. “Bola Fora” traz ainda tabelas com as negociações mais milionárias e a lista dos jogadores de todos os tempos que atuaram ou atuam no mercado europeu.

Vi: Em Caso 39, Emily Jenkins (Renée Zellweger) é uma assistente social designada para acompanhar o misterioso caso de Lilith Sullivan (Jodelle Ferland), uma atormentada menina de 10 anos. Os piores temores de Emily se confirmam quando os pais tentam matar Lilith, sua única filha. Ela salva a menina e decide cuidar dela pessoalmente até que surja uma família para adotá-la. Mas é aí que o verdadeiro terror começa e Emily entende porque os pais tentaram se livrar da garota. Direção: Christian Alvart. 111 minutos

Ouvi: O CD Perfil de uma dos maiores nomes da música popular brasileira: Jorge Mário da Silva ou, simplesmente, Seu Jorge. Além de ser um dos músicos mais aclamados pela crítica nos últimos anos, o artista é também um dos responsáveis pelo desenvolvimento do samba-rock no país. O CD reúne os maiores sucessos de Seu Jorge, como “Burguesinha”, “Tive razão” e “Mina do condomínio”. A maioria das faixas contidas no disco são versões ao vivo, entre elas, “Carolina” e “É Isso Aí”, esta última em dueto com Ana Carolina. Outras parcerias estão em “Eu sou o samba”, com Alexandre Pires, “Me deixa em paz”, com Tereza Cristina e “Pode acreditar”, com Marcelo D2.

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