Comunicado oficial (e denúncia e nota de pêsames)
A editora Angela Pedretti instaurou uma ditadura e decidiu que o João Clemente vai ficar responsável pelo Li, Vi e Ouvi a partir de agora. Aliás, a coluna deve mudar de novo na nossa atualização anual. Eike beleza! Deleitem-se (um beijo, mãe!) com os nossos comentários sobre assuntos que não fazem a menor diferença na sua vida. Mande sua mensagem de boas vindas (ou pode mandar ele pra outro lugar) pro João pelo e-mail osfocas@avozdaserra.com.br. Enquanto isso, a Dara Bandeira dá aquela forcinha fala sobre a polêmica Marcha das Vadias.
NOTA DA EDITORA – Eu espero que o João Clemente faça por merecer, porque, caso contrário, também vai rodar! (Angela Pedretti)
NOTA DO JOÃO CLEMENTE - ???????????????????? ??????????????? ??????????????????????? (João Clemente)
Sobre a intolerância
Dara Bandeira
É complicado entender algumas coisas no Brasil. Nós, enquanto mulheres, conquistamos ‘muita coisa’ nas últimas décadas. Nós temos o direito ao voto, nós estamos representadas em todas as profissões, nós lutamos para a equiparação salarial e, por último, mas não menos importante, agora tempos uma mulher nos representando politicamente.
Nós atravessamos uma revolução sexual – embora eu não goste de usar o termo revolução – e não há como negar que, por mais que muita coisa tenha sido conquistada, ainda há muito para mudar. Precisamos quebrar muitos paradigmas, preconceitos, pensamentos obsoletos e machistas que não cabem em uma sociedade que se julga em desenvolvimento. Acho que como disse o Sakamoto em uma de suas publicações, nós estamos longe de manifestar nossos sentimentos livremente e aí que surge todo o problema. Nós não quebramos alguns tabus, nós não reconhecemos o nosso próprio preconceito.
Se você não se encaixa num padrão já pré-estabelecido, está pedindo pra apanhar, pra ser abusada, pra ser motivo de chacota. Eu sei porque já fui, ainda sou. Se a regra é que homens jogam futebol e meninas dançam balé, não seja diferente. Se menina só pode beijar menino, quem sou eu para me apaixonar por uma garota? O problema é que isso não fica só no âmbito familiar, a sociedade nos impõe isso, o tempo todo. Nós não podemos muitas coisas e não há um motivo lógico. É pura e simplesmente pela intolerância e pela manifestação de violência gratuita.
Parece que não ser padrão proporciona esse sentimento. Triste, mas real. O Brasil se preocupa com educação, com violência, mas não percebe que muitos problemas sociais enfrentados pelo país poderiam ser evitados com a propagação da tolerância, com o aceitar o outro como ele é, independente do gênero, da opção sexual, da nacionalidade. Tolerar e Respeitar. E quando digo não é tolerar a minoria, até porque, segundo a última pesquisa, as mulheres são maioria. Eu falo de tolerar o outro. Independente de....
A marcha das vadias é uma manifestação que prova que há muita coisa velada, há muito para ser divulgado. Se eu contar parece mentira, mas, sim, há mulheres que apanham e são violentadas verbal e fisicamente porque se “vestem como prostitutas”. Por isso, meninas, não usem o uniforme da prostituta. Sigam o padrão, sigam as regras impostas, é o seu carma, é sua sina.
Século XXI, fim de doenças raras, avanços tecnológicos, mundo pós-modernos, crises da pós-modernidade e somos obrigadas a conviver com situações que me fazem repensar todo esse avanço. Desculpa, mas a culpa não é minha. Não são as meninas que andam fora da linha. Desculpa, mas eu me visto como eu quiser, ouço o que eu quiser, beijo quem quiser, leio o que quiser. Deram-me o direito de usar meu cérebro e isso é o que de mais valioso eu tenho. Não posso abrir mão.
FRASE DA SEMANA
“Quer ganhar milhões de seguidores? Cutuque uma colmeia de abelhas e saia correndo”
autor desconhecido
LEMBRA DISSO?
Leonardo Lima
Quando se ouve a expressão Copa dos Campeões, grande parte dos torcedores logo o associam ao maior torneio entre clubes da Europa (que, na verdade, se chama Liga dos Campeões). Entretanto, alguns com uma memória mais fresca lembrarão da competição criada pela CBF, em 2000, que tinha como objetivo indicar o quarto representante brasileiro para a Taça Libertadores. Os outros eram o campeão e o vice do Campeonato Brasileiro, além do vencedor da Copa do Brasil.
As duas primeiras edições do torneio reuniram os campeões carioca e paulista, os vencedores do Torneio Rio-São Paulo e da Copa Nordeste, os finalistas da Copa Sul Minas e os dois melhores colocados do triangular realizado entre os ganhadores da Copa Norte, Copa Centro-Oeste e o vice da Copa Nordeste. O nordeste, aliás, foi o palco escolhido para receber os jogos da competição, com exceção do triangular da fase inicial.
Em 2000, o Palmeiras foi o primeiro campeão dos campeões. Nas quartas de final, o alviverde bateu o Cruzeiro por 3 a 1, no jogo de ida, e empatou em 1 a 1 na partida de volta. Nas semi, derrota para o Flamengo por 3 a 2 e vitória por 1 a 0, resultados que encaminharam a decisão da vaga para a disputa de pênaltis. Nesta, melhor para a equipe paulista: 5 a 4. Na decisão, que seria um jogo único, o adversário era o Sport. Com gols do colombiano Asprilla e de Alberto, o Verdão passou pelos pernambucanos por 2 a 1 e levantou a taça.
No ano seguinte, foi a vez da festa rubro-negra tomar conta do nordeste brasileiro. Na primeira fase, os comandados do técnico Zagallo venceram o Bahia duas vezes, por 4 a 2 e 2 a 0. Em seguida, na semifinal, empate sem gols com o Cruzeiro, no jogo de ida, e vitória por 3 a 0, na volta. A decisão desta vez seria disputada em dois jogos. O adversário era o São Paulo. No primeiro confronto, uma chuva de gols e vitória flamenguista por 5 a 3. A vantagem de dois gols fez com que o clube, mesmo com a derrota por 3 a 2 na segunda partida, se tornasse o segundo campeão dos campeões.
Em 2002, a competição reuniu 16 times, sendo estes os seis primeiros colocados do Torneio Rio-São Paulo, os semifinalistas da Copa Sul Minas, os três melhores da Copa Nordeste, os campeões da Copa Norte e da Centro-Oeste, além do Flamengo, que era o atual campeão. Para suspresa de muitos, o vencedor desta edição foi o Paysandu, que na primeira fase ficou em primeiro no grupo A e no mata-mata eliminou Bahia, Palmeiras e Cruzeiro. A partir do ano seguinte, com a adoção do sistema de pontos corridos no Campeonato Brasileiro, a competição foi extinta.
LI, VI E OUVI
João Clemente
Li: O filme On the Road está para estrear nos cinemas e antes mesmo disso já se iniciou um renovar de interesse em torno da obra e da figura de Jack Kerouac, autor do livro que inspirou o filme. “Os Vagabundos Iluminados” (The Dharma Bums) é o sucessor de On the Road e mostra um Jack Kerouac mais espiritualizado (mesmo que num sentido poético, estético de existência) e também com uma escrita mais solta, moderna e vanguardista—aspecto seu que aparece de forma ainda tímida em On The Road.
Ouvi: Uakti é um grupo que já veio a Nova Friburgo, um tempo atrás. Eles são conhecidos por fabricarem seus próprios instrumentos e estão em atividade há 30 anos. Seu trabalho mais recente é a trilha sonora de “Ensaio sobre a cegueira”; porém destaco aqui um disco de 1999, composto por Phillip Glass: “Águas da Amazônia”, uma obra-prima da música atual. São dez músicas que servem tanto para se ouvir prestando atenção a elas quanto para deixar de fundo, como uma trilha sonora para qualquer coisa. Ouça “Purus River” no YouTube.
Vi: Eu sou um grande fã de filme sueco, mas devo reconhecer que a segunda versão de “O homem que não amava as mulheres” (coprodução entre EUA, Suécia, Inglaterra e Alemanha) é muito, muito melhor—principalmente por causa da dinâmica: é o tipo de filme que prende o espectador à trama; a versão sueca, ao invés, faz dispersar... “O homem que não amava as mulheres” conta a história de um conceituado jornalista investigativo que, após perder uma disputa judicial por calúnia, é contratado por um magnata da indústria para desvendar o desaparecimento (e alegado assassinato) de sua sobrinha, 40 anos atrás, em uma ilha onde moram somente membros da família. É a primeira parte da trilogia Millenium. Os três livros já foram publicados no Brasil.
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