Ainda que tenhamos paciência e sabedoria para lidar com o prejuízo material que nos foi imposto em janeiro desse ano, as cicatrizes estão aí, para onde quer que se olhe. Nossa cidade ferida e alguns de nossos patrimônios mais queridos abatidos impiedosamente, a Capelinha Santo Antônio que teimou em continuar de pé e agora recebe o reforço da Fundação Roberto Marinho, o recanto da Fonte do Suspiro que, não tão resistente quanto a igrejinha, simplesmente desapareceu, deixando-nos sedentos de suas águas. Ainda assim, nada que não possa ser refeito, reconstruído, reerguido, e o governo municipal deve estar atento a tudo isso. Diferente dos demais patrimônios está o Arquivo Pró-Memória de Nova Friburgo; se perdido, não haverá retorno, não pode ser recuperado. E vamos aqui relembrar a forma quase que milagrosa com que ele sobreviveu, intacto, resguardado em prateleiras, no prédio da Energisa. Esse sim, nosso maior patrimônio, guardião de nossas lembranças, de nossas memórias, que haverão de se eternizar nas vidas que se seguirão, de nossos filhos e netos, de nossos bisnetos. Assim se dá o prosseguimento das coisas, o enriquecimento e o fortalecimento de uma sociedade humana.
Nova Friburgo, entre tantos municípios brasileiros, é um dos poucos a possuir um acervo tão repleto de histórias. Um legado fabuloso cujo destino está em nossas mãos. As portas do nosso bicentenário, maior ainda o compromisso de conservá-lo. Aliás, manter esse patrimônio tem sido o compromisso constante da Fundação D. João VI: “Para conservar torna-se necessário novos métodos alternativos de consulta ao acervo e a digitalização é a forma mais segura, sadia e moderna de se fazer isso, propiciando instrumentos e meios de pesquisa mais adequados”, tem dito sempre o seu presidente, Nelson Bohrer (Guguti).
Não podemos esquecer, entretanto, de resguardar o principal, aquele que é o patrimônio, e para isso é necessário primeiramente o espaço. Espaço para a acomodação do arquivo, espaço que propicie a agilidade necessária ao prosseguimento dos trabalhos de digitalização, que é tão urgente. Por fim, espaço adequado à utilização pública.
Até agora, tem sido esse o compromisso da Energisa, concedendo o espaço necessário no prédio da Usina Cultural. É necessário que esse compromisso permaneça, pois aprendemos, ao longo de 11 anos, a ver ali, na esquina da Rua Dante Laginestra, o prédio do Pró-Memória, outro importante patrimônio friburguense. Melhor local não haverá de existir. Além de central, o casarão da Energisa foi forte o bastante para evitar o desastre de 12 de janeiro. Por que, então, mudar? Não seria o nosso maior patrimônio, merecedor desse espaço, ou vice-versa?
Nosso jornal, que tantos anos seguidos faz uso desse acervo, e por isso mesmo sabe o seu valor, torce para que a Energisa reforce ainda mais esse compromisso e abrace o Arquivo Pró-Memória da forma como ele merece. Até porque Nova Friburgo, mais do que nunca, merece esse Novo Arquivo Pró-Memória que desponta.
A propósito, tão importante é esse Arquivo que a Fundação D. João VI foi recentemente convidada a participar do 10ª Reunião do Conselho Estadual de Arquivos - CONEARQ (Biênio 2011-2012), que ocorrerá no próximo dia 20 de junho, no Rio de Janeiro. Lá estará a nossa fundação, mostrando a todos o trabalho pioneiro que é feito aqui em nossa cidade.

Deixe o seu comentário