Na manhã de ontem, 7, faleceu no Hospital Municipal Raul Sertã, a professora Olga Magliano Bastos, de 79 anos, que atuava há anos como presidente-diretora da Associação Friburguense de Pais e Amigos do Educando (Afape), que tem sua sede na Avenida José Pires Barroso (Via Expressa), 1.001, em Olaria. D. Olga era viúva do também professor Worms de Carvalho Bastos, tinha uma filha, Gisele, e uma neta, Laila.
D. Olga fez o curso de professora primária no Colégio Nossa Senhora das Dores, em 1947. Licenciou-se em pedagogia pela então Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira (atual Santa Doroteia), em 1962, e mestrado em educação na área de psicopedagogia na UFF, em Niterói, em 1977. Tinha registros em administração escolar – primeiro e segundo graus; filosofia – segundo grau, matemática – primeiro grau, didática geral e especial, psicologia e fundamentos da educação.
No antigo Colégio Cêfel, d. Olga atuou como docente durante 20 anos, ministrando aulas de geografia, psicologia, fundamentos da educação, filosofia da educação, higiene e puericultura, biologia educacional, sociologia educacional, jogos e recreação. Nesse mesmo colégio substituiu a direção no período de 1960 a 1965.
Atuou como docente no Grupo Escolar (atual colégio) Rui Barbosa, em 1963 e 1964, ministrando aulas de didática e psicologia; no Colégio Estadual de Nova Friburgo (atual Jamil El-Jaick), como professora de psicologia e orientadora educacional durante nove anos; professora do estado desde 1949, estando ainda em exercício na Afape; na 8ª Região Escolar (atual Coordenadoria de Educação) com a função de orientadora e organizadora das classes especiais em Nova Friburgo.
D. Olga fundou a Afape há 50 anos, após realizar uma sondagem sobre a existência de deficientes em Nova Friburgo, tendo encontrado 17 pessoas deficientes, entre crianças e adolescentes, que permaneciam em suas casas sem escolaridade, apenas com o tratamento médico pediátrico para crianças normais. Surgiu, assim, a instituição pioneira na cidade, com o objetivo principal de oferecer aos deficientes atendimento médico-psicopedagógico. A Afape possui completo corpo técnico atuando com uma clientela total de quase 200 deficientes, desde bebês – com estimulação precoce – a adultos, num encadeamento de atendimentos paramédicos, na escola e no profissionalizante, não se fixando em limite de idade por acreditar que o deficiente sempre terá um potencial a ser desenvolvido, se não na área da leitura e escrita, na aprendizagem, para conviver na sociedade como ser independente e capaz de se manter através da profissionalização recebida.
Entre as realizações de d. Olga estão, através do Centro de Estudo e Pesquisas da Afape, os cursos para professores na área de educação especial, e a Semana do Excepcional, durante vários anos, composta por palestras para a comunidade. Proferiu palestras sobre educação especial em diferentes órgãos e escolas de Nova Friburgo e municípios vizinhos; organizou e coordenou sete Jogos da Primavera, com estudantes dos colégios de Nova Friburgo, entre 1964 e 1970; e participou, através da Afape, das Olimpíadas Estaduais dos Excepcionais, numa promoção do Rotary Clube do Rio de Janeiro.
D. Olga atuou, ainda, como diretora, na Sociedade Pestalozzi de Niterói, em 1972. Possuía cursos diversos na área de educação e educação especial; participou de inúmeros seminários, simpósios e congressos referentes à pessoa portadora de deficiência; participou de programação na Flórida (EUA) para aperfeiçoamento através de palestras, visitas às escolas, clínicas e universidades, nos meses de junho e julho de 1981; e pertencia à diretoria da Federação Brasileira de Instituições dos Excepcionais (Febiex).
Com uma grande fibra, d. Olga continuava na função de presidente-diretora da Afape. A sede da instituição, na Via Expressa, foi conseguida por ela com doação de suíços, através da Associação Fribourg-Nova Friburgo. Lutou por equipamentos e melhores condições de aprendizado dos educandos. Sua luta de sempre se devia aos atrasos nos repasses das verbas que a Afape tem direito. Aliás, sobre este tema, havia concedido entrevista um dia antes de sua morte para A VOZ DA SERRA, com a intenção de lançar uma campanha de ajuda à instituição.
O corpo de d. Olga foi velado na sede da Afape e até a hora em que encerramos esta edição a filha tomava as providências no sentido de atender ao último desejo de d. Olga: que seu corpo fosse doado a uma faculdade de medicina para estudos.
À família enlutada e à toda equipe da Afape, direção e funcionários de A VOZ DA SERRA enviam seu profundo pesar.

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