Henrique Amorim
Há pelo menos 15 dias a obra de recuperação da Praça do Suspiro, no Centro, com revitalização dos jardins, ampliação dos espaços públicos para eventos, parquinho infantil e até baias para charretes e alimentação de animais, está paralisada. A empreiteira responsável pelo serviço, orçado em mais de R$ 542,22 mil, pretendia concluir a reforma inicialmente até 29 de julho, mas, de acordo com um operário que não quis se identificar, as atividades no local tiveram o ritmo bastante reduzido ainda em junho, devido a atrasos nos repasses de verbas, e acabaram sendo suspensas mês passado, por falta de pagamento de verbas federais específicas à construtora encarregada de revitalizar a praça, um dos principais cartões-postais de Nova Friburgo.
Embora a obra tenha sido totalmente paralisada faltando muito pouco para sua conclusão, o que tem gerado protestos de turistas, comerciantes e taxistas, a Prefeitura de Nova Friburgo informou, através de e-mail enviado pela Secretaria de Comunicação Social à redação de A VOZ DA SERRA na semana passada, que apesar das intervenções constantes na praça, como eventos religiosos e festivos da capela de Santo Antônio, Teatro Municipal, feirinha de artesanato e o novo sentido de direção na Rua General Osório, as obras de revitalização continuariam, de acordo com informações da Secretaria Municipal de Obras.
O aposentado Norberto Silveira, 64 anos, costuma fazer caminhadas diariamente nos arredores do Suspiro e se revolta com a paralisação do serviço. “Não é possível que não haja dinheiro suficiente para terminar o restante da obra. Já está quase tudo pronto! A obra inacabada prejudica o turismo. Muitos visitantes querem passear aqui, tirar fotografias e ao se depararem com um canteiro de obras abandonado vão embora levando uma péssima imagem de nossa cidade”, observa ele.
A dona de casa Elvira Peixoto esteve recentemente no Teatro Municipal para assistir ao show de Danilo Caymmi e admitiu ter ficado chocada ao se deparar com materiais de construção, areia e pedras amontoados na obra inacabada, inclusive na margem da rua. “Uma obra desse porte não poderia ter sido abandonada. Pega mal para a cidade. Se o problema é falta de dinheiro federal, por que a Prefeitura não arca com as despesas para terminar a obra e depois cobra do governo?”, sugere a moradora.
Os integrantes da feirinha de artesanato, tradicional no Suspiro e muito procurada por turistas nos fins de semana, também não veem a hora da obra ser concluída. A feirinha tem sido realizada na calçada do trecho inicial da Rua General Osório, em frente ao prédio do Centro Médico Nova Friburgo. Os taxistas do ponto-base lateral ao mesmo prédio também não sabem para onde o ponto será transferido definitivamente, pois o espaço teve o calçamento quebrado para revitalização e ainda não foi refeito, assim como o projeto paisagístico e ajardinamento da praça.
O superintendente da Autarquia Municipal de Trânsito (Autran), Vanor Pacheco, anunciou mês passado que anteciparia a alteração da mão de direção da Rua General Osório, no trecho entre o Suspiro e a Rua Aristão Pinto, para os próximos dias, antes mesmo da conclusão da obra da praça, devido à paralisação do serviço. A intenção inicial da Autran era esperar o término da obra para implantar o novo sentido de direção.
Obra de contenção de rio na Avenida Itália também parou
Outro alvo de muitas queixas de moradores do Centro atualmente é a obra de contenção do Rio Santo Antônio, na Avenida Itália, onde parte de um muro de concreto, no trecho junto à esquina com a travessa Eugênio Thurler, desabou com os temporais de verão do ano passado. Através de convênio com o governo federal, a Prefeitura conseguiu repasse de R$ 190,3 mil, mas a obra também foi paralisada nas últimas semanas sem todo o trecho atingido ter sido concluído.
A Prefeitura informou, através da Secretaria Municipal de Projetos Especiais, que a obra de reconstrução do muro foi realizada em caráter emergencial e finalizada há cinco meses. O projeto, inclusive, previu a contenção somente das laterais da ponte, evitando que ela desmoronasse. A Prefeitura informou ainda que o restante da obra na Avenida Itália não exige caráter de urgência e, portanto, deverá ser licitado novamente, o que está previsto para acontecer até o fim deste ano. O cenário de abandono, inclusive com as margens do rio sem calçadas e gradis, gera mau aspecto e críticas da população.

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