Carlos Emerson Junior
Finalmente chegou a hora de tomar uma decisão importante para o futuro: votar ou ir para a praia? É claro que estou brincando, o voto é coisa séria, foi conquistado depois de muita luta e o destino das nossas cidades depende única e exclusivamente de nossas escolhas. Se o domingo estiver quente e ensolarado, vá cedinho para a zona eleitoral, exerça seu sagrado direito cívico e pegue a estrada para a costa, exatamente nessa ordem!
Meu primeiro contato com as eleições foi em 1960, quando o Rio ainda era capital do Brasil e chamado de Distrito Federal. Eu tinha nove anos e parava em todos os comitês de campanha para ganhar uns broches dourados com uma vassourinha, símbolo da campanha do Jânio Quadros, aquele que prometia varrer a corrupção. O resultado não foi nada animador: homem foi eleito, perdeu o rumo, renunciou e mergulhou o Brasil em uma imensa crise que só terminou, garantem os otimistas, quase trinta anos depois.
Estreei em 1970 quando, se não me falha a memória, escolhemos senadores, deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores. Presidente e governadores foram eleitos através do voto indireto, ou seja, por votação do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas de cada estado. Já vivíamos sob o Ato Institucional número 5, o governo militar mandava, os políticos obedeciam e quem não gostasse, bom, que se danasse!
Depois de muito sofrimento voltamos à normalidade, recuperamos os antigos direitos e de dois em dois anos escolhemos, por meio do voto direto, quem vai nos representar e dirigir este país. Evoluímos muito. Dos tempos do império, quando só a elite e a nobreza tinham direito ao voto, hoje ele é efetivamente universal, inclusive permitido a menores a partir dos 16 anos de idade.
A base da democracia é o voto, mas é bom lembrar que a nossa responsabilidade não termina quando digitamos o nome de nossos candidatos na urna eletrônica. Pelo contrário, o desinteresse pode trazer consequências desastrosas e exemplos desse pouco caso não faltam, basta olhar em volta. Dados do IBGE mostram que mais de 30% dos brasileiros não sabem quem é o governador do seu estado e dois em cada dez desconhecem o presidente da República.
E tem mais, segundo o próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma pesquisa nas cidades com segundo turno mostrou que um quinto dos eleitores “esqueceu” completamente em quem votou no primeiro turno (cargos legislativos), cerca de um mês antes! Aí não dá e lembro que sem a mobilização popular, jamais teríamos aprovado a Lei da Ficha Limpa que, bem ou mal, vai expurgar corruptos e demais meliantes da vida política brasileira..
Acho muito simplista e cômoda a explicação que alguns analistas políticos candidamente querem nos enfiar goela abaixo, de que a nossa democracia é muito nova e ainda está procurando seu rumo. Bobagem! As instituições são aprimoradas o tempo todo, jamais teremos uma democracia pronta. Costumes, ideologias e cultura mudam com o tempo e se não nos adaptarmos, quebramos a cara, literalmente.
Temos que admitir que existem distorções graves. A propaganda eleitoral, o excessivo número de partidos políticos, o voto proporcional, a obrigatoriedade do voto e por aí vai. Desde que me conheço por gente, fala-se em uma reforma eleitoral mas, sem a devida pressão da sociedade, ninguém moverá uma palha no Congresso Nacional.
Esse, torno a frisar, é o ponto. Não devemos ter medo ou ignorar a política, afinal, o nosso voto é que vai definir quem será o prefeito e os vereadores que fiscalizarão seu mandato nos próximos quatro anos. Pense bem, estude suas propostas e programas, procure se informar sobre seu caráter e a sua idoneidade. Nova Friburgo precisa mais do que nunca de um eleitorado consciente e políticos sérios, honestos e comprometidos com o nosso futuro.
Temos uma cidade para reconstruir.
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O fato mais emblemático das eleições 2012 foi o artigo “Somos o que somos”, do cineasta Cacá Diegues, publicado no O Globo, no começo do mês passado, onde ele nos lembra que “os candidatos que aí estão são o que fizemos do país, com todos os seus formatos e cores. A eleição é no Brasil e vocês querem candidatos suíços?”.
Pois é!
carlosemersonjr@gmail.com
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