O quê, como e quanto devemos comer

sexta-feira, 27 de março de 2015
por Jornal A Voz da Serra
O quê, como e quanto devemos comer
O quê, como e quanto devemos comer

Ana Borges

O abuso de alimentos ricos em gorduras saturadas, sódio e açúcares é um gatilho para doenças como infarto, derrames, hipertensão, obesidade, diabetes e câncer. Em contrapartida, é fácil incluir no cardápio alimentos heróis da resistência e da longevidade, ou, como muitos acreditam e vêm fazendo, aderir a cardápios alternativos como o vegetariano, vegano, macrobiótico, alimentos orgânicos, entre outros. Ter uma dieta saudável é tão importante que tem até data para celebrar: 31 de março é o Dia Nacional da Saúde e Nutrição. Convidamos a médica Lílian Assis — formada pela UFRJ, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva, atuando como Personal Diet em Friburgo e no Rio, e responsável junto com a estudante de nutrição Lorena Barros pelo Nutritipkid (Instagram) — justamente para falar dessas alternativas alimentares. "Esse assunto é bem polêmico para mim, pois há quem relacione o vegetarianismo à alimentação saudável. Porém, nada é tão simples assim em nutrição”, antecipa Lílian, antes de começarmos a entrevista. Aproveite para se informar, tomar coragem, corrigir hábitos e ter uma vida saudável, com qualidade. Acredite, vale a pena!

 

Light - É possível uma pessoa ser totalmente vegana e ser saudável?

Lílian Assis - Possível é, mas demanda muita dedicação e na maioria dos casos, suplementação de proteínas e vitaminas. Apesar de termos fontes de proteínas vegetais como a soja, os cogumelos e as leguminosas (feijão, lentilha, etc) a biodisponibilidade (que é o quanto a proteína pode ser aproveitada) é bem maior nas proteínas de origem animal. Lembrando que os veganos não consomem leite e ovos.


No Brasil, temos o rotineiro e tradicional prato arroz, feijão, bife, batata frita, legume cozido e salada crua. É um bom cardápio?

Na minha visão, alimentação adequada é a balanceada. Como seres onívoros, necessitamos, sim, de proteína animal. Talvez o que esteja errado seja o fato do brasileiro consumir muita carne vermelha e em quantidades desnecessárias que podem favorecer doenças como o câncer. Outro ponto é que o arroz deve ser integral para um maior aporte de fibras, vitaminas e minerais. Poucas pessoas sabem, mas a resposta do corpo ao arroz branco é muito similar à resposta ao açúcar, então devemos moderar seu uso. Em relação ao feijão, o erro está em acrescentar carnes salgadas, embutidos, além dos temperos industrializados. Esses detalhes podem tornar um alimento saudável como o feijão num alimento maléfico. Se colocar carne-seca, linguiça ou paio, olhe para esse feijão como uma feijoada, portanto, este prato não deve ser apreciado diariamente. Os legumes e a salada devem preencher aproximadamente metade do prato. Não vale contar batata, aipim e inhame como legume. E também não seria adequado fritar ou gratinar com molho branco e queijo uma berinjela, por exemplo. Nas saladas, use azeite, limão, vinagre, sal ou shoyu, nunca molhos prontos ou à base de creme de leite e maionese, pois isso pode tornar uma simples salada numa bomba calórica.


É possível ou recomendável equilibrar cardápios diferentes e se sentir satisfeito e bem nutrido?

Sou a favor da redução da frequência do consumo de carne vermelha e carnes gordas (pele de frango e peixe também é gordurosa). Já a porção diária de carne, seja vermelha ou branca, deve ser recomendada individualmente levando em consideração fatores como idade, sexo, atividade física e doenças, dentre outros. Também acho válido ter refeições sem carne, usando como fonte de proteína as fontes vegetais. Gosto muito de um projeto chamado "Segunda sem carne”

onde a proposta é que mesmo os não vegetarianos possam ter um dia sem proteínas de origem animal. É uma forma de nos conscientizar e perceber o mal que o excesso está causando tanto para nossa saúde quanto para o nosso planeta.


Num mundo tão poluído, envenenado por agrotóxicos, conservantes, animais alimentados com rações misturadas com antibióticos e sei lá que outras substâncias, qual a melhor maneira de nos proteger?

Com certeza o melhor jeito de se proteger contra esses males é o consumo de alimentos orgânicos, pouco difundido na nossa cidade apesar de sermos um dos maiores produtores do estado do Rio. Os orgânicos vão muito além dos produtos sem agrotóxicos e antibióticos. Na produção destes há uma preocupação com a natureza e também com a qualidade de vida dos trabalhadores envolvidos na produção e distribuição dos alimentos.


O que você recomenda para seus pacientes sobre alimentação adequada, saudável, equilibrada, visando uma vida longa com qualidade?

O segredo é a variedade. Nenhuma dieta diária, por melhor que seja, pode ser adequada para todos os dias. Ela tem que variar conforme a mudança na atividade física, o envelhecimento e até as nossas vontades. Programe sua alimentação, não deixe a fome chegar, pois com ela é mais difícil fazer as melhores escolhas. Alimentação balanceada demanda tempo e dedicação e você e seu corpo merecem.

 

Lílian Assis

(22) 9 9602 8004 - (21) 9 8117 8800

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