Rosildo Barcellos
Enquanto se discute sobre a aplicação das algemas, a exposição e humilhação do apenado, a reintegração dos mesmos na sociedade, várias famílias neste Natal viveram momentos de medo, tensão, terror e tristeza. Situações iguais a essas duas que eu vou reproduzir pulularam em várias partes do país:
A primeira notícia trata de uma pessoa que foi flagrada cometendo assaltos em Abreu e Lima, Pernambuco, logo depois de receber o indulto de Natal. Ele aproveitou o benefício para roubar veículos e motoristas. Em poucas horas, já havia realizado três assaltos. No último deles, durante a fuga, o criminoso provocou uma colisão entre um Celta, que estava sendo roubado, e um ônibus, no km 49 da BR 101. A Polícia Rodoviária Federal foi acionada e, durante o atendimento do acidente, o presidiário foi descoberto.
A segunda foi a de um homem que esperou 13 anos para vingar a morte de seu filho, em São Carlos, no interior de São Paulo. Agnaldo de Souza Lima, de 62 anos, atirou no assassino de seu filho na manhã de sexta-feira ,25, e logo depois se entregou à polícia. O assassino do filho, Milton Batista, de 42 anos, cumpria pena e estava em indulto de Natal. Por volta das 9 horas, Milton brincava com o filho quando Agnaldo chegou atirando. Agnaldo está preso na cadeia de São Carlos, no interior de São Paulo.
Quero fazer essa referência porque o saldo sangrento do Natal registrou padrasto que matou enteado, irmão que matou irmão...vinganças e tragédias em família nos dias em que se procura paz e alegria. Isso sem contar nos inúmeros acidentes de trânsito que poderiam ser evitados se todos tivessem tomado cuidados extremamente simples que é o de não ingerir bebidas alcoólicas; o de respeitar os limites de velocidade e o de não realizar ultrapassagens em local não permitido.
Acho que esses números e essas notícias têm de sensibilizar a todos. Não podemos mais continuar assim. Sem a orientação de Deus, sem a união das famílias e sem um projeto de ação para essa grande massa carcerária que não sabe o que fazer quando sai dos presídios a não ser o de por em prática o que aprendeu lá dentro. É um salve geral que deve ser um sinal vermelho para os dirigentes e políticos mandatários de nosso país. Já evoluímos muito em várias áreas como por exemplo: no salário mínimo, na respeitabilidade do nosso país para investimentos; nos esportes mas falta algo singular que é a segurança pública.
E por falar em salve geral, ‘salve’, na gíria de criminosos paulistas, significa ‘recado’. Esse é um bom momento para se iniciarem reflexões sobre o indulto de Natal, que permite a concessão do benefício a presos condenados a até oito anos de detenção, que não tenham cometido crimes hediondos (como sequestro, terrorismo e tráfico de drogas) e tenham cumprido um terço da pena. Aliás é o título de um filme nacional que, tem grande chance de fazer sucesso na academia (Oscar 2010).
Lembra algo que pretendemos esquecer: O Dia das Mães de 2006, quando a cidade de São Paulo esteve praticamente sitiada. Ataques a delegacias de polícia, ônibus incendiados, ameaças a shoppings, metrô e aeroportos. Quem lidera a ação é uma poderosa organização criminosa. No bojo desse caos está a viúva Lúcia, uma professora de piano, de classe média, que passa por dificuldades financeiras e tem uma missão: dar a liberdade ao filho Rafael, que está preso por ter se envolvido num incidente que terminou em fenecimento de uma vida.
Nas visitas ao filho na penitenciária, Lúcia conhece Ruiva, advogada do Professor, líder do comando. A empatia entre as duas é imediata e Ruiva começa a usar Lúcia em missões ligadas à ‘empresa’. Lúcia precisa de dinheiro e por isso vai aceitando chegar à tênue linha entre a legalidade e a criminalidade.
Concomitantemente, a crise entre prisioneiros e o sistema carcerário se agrava e, numa demonstração de força, o governo transfere de uma só vez centenas de presos de alta periculosidade para presídios de segurança máxima do interior de São Paulo. A reação é imediata e tremenda. O comando envia seu código: salve geral. É uma interessante discussão para quem acha que a criminalidade não está chegando a sua porta. Eu vejo o contrário...E que Deus nos acuda!

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