O futuro está em jogo

sexta-feira, 15 de abril de 2016
por Jornal A Voz da Serra

O BRASIL ESTÁ vivendo um dos mais importantes momentos de sua história política. Neste domingo, 17, a Câmara dos Deputados tentará pôr fim a um ciclo de equívocos que culminaram com a maior crise econômica vivida no país, resultando em milhões de desempregados, inflação, desesperança e fechamento de milhares de empresas de norte a sul. O modelo petista de gestão pública chega ao fundo do poço revelando-se incompetente para cuidar de uma nação. À frente desta malograda empreitada está a presidente Dilma Rousseff, que luta desesperadamente para manter-se no cargo.

ATÉ OS ÚLTIMOS instantes, movimentos favoráveis ou contrários ao impeachment estão mapeando o posicionamento dos deputados federais que decidirão sobre o envio do pedido ao Senado, neste domingo. A exposição pública dos parlamentares, assim como a abordagem e o envio de mensagens, deve ser considerada um exercício democrático perfeitamente aceitável. O que ultrapassa esse direito dos cidadãos é a agressividade, as manifestações intimidatórias aos deputados, o constrangimento e outras formas de coação. O Brasil não pode sair pior deste doloroso momento de sua história. 

A CERCA METÁLICA instalada na Esplanada dos Ministérios para isolar, de um lado, os favoráveis ao impeachment e, de outro, os contrários, dá uma ideia do grau de beligerância que ameaça colocar em risco a integridade física de militantes. Quando até mesmo parlamentares, treinados cotidianamente a conviver com a diversidade de opiniões, não conseguem manter a serenidade, é compreensível que essa exaltação de ânimos transborde para as ruas. 

SERIA INIMAGINÁVEL que um processo político da importância deste em andamento no país pudesse transcorrer sem passionalismo e sem cobrança direta aos que vão decidir sobre o caso no Congresso. Ainda assim, tanto líderes de movimentos populares quanto militantes exacerbados e os próprios políticos precisam manter um mínimo discernimento neste momento tão decisivo para o país. O primeiro passo para isso é manter-se dentro dos limites da democracia, privilegiando o diálogo baseado em argumentos, e não a força, na defesa de diferentes pontos de vista sobre o futuro político. 

A VOTAÇÃO DESTE domingo poderia ser comparada a um clássico de futebol, ou a uma partida importante no caminho para o título, o que gera grande expectativa. Mas ela precisa ser vivida com uma intensidade serena. O futuro do Brasil está em jogo, mas nem isso justifica rasgar o tecido social do país. 

MAIS DO QUE GRITAR “Fora Dilma” a hora é de gritar “O Brasil é nosso”. Ele não pertence a tucanos, ele não pertence a petistas, ele não pertence a pequenos grupos que se revezam no poder. Ele pertence aos verdadeiros brasileiros, os homens simples que sabem o que é ganhar a vida com o suor do próprio rosto. O Brasil é deles e, portanto, nosso. Que os políticos aprendam a lição: o estado existe para servir.

OS DEFENSORES DO GOVERNO tentam confundir a opinião pública quando dizem que a democracia está ameaçada pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ora, até pode não haver razão concreta para a interrupção do mandato presidencial e isso é o que o Congresso Nacional está decidindo, de acordo com a legislação vigente, com a vigilância atenta do Supremo Tribunal Federal. Se os parlamentares entenderem que não houve crime de responsabilidade, a presidente cumprirá o restante do seu mandato. Se entenderem que houve, com a maioria constitucional das duas casas legislativas, ela será substituída pelo vice-presidente. Assim determina a Constituição do nosso país, assim funciona a democracia.

 

TAGS: impeachment | Dilma Rousseff | Câmara dos Deputados