Compreensão do incompreensível fenômeno da morte e da vida além-túmulo, “Deus não prepara emboscadas ao homem, deixando-o morrer miseravelmente, para vingar-se dos ultrajes a Ele perpetrados. É dogma da fé cristã que Deus dá a todos em concreto a condição suficientemente graciosa para poderem se salvar”, Leonardo Boff.
O sentimento em relação à morte é individual, varia de pessoa para pessoa e passa por várias fases. Inclusive essas fases variam com o modo de ser e de sentir dos indivíduos, um determinado período pode ser mais ou menos prolongado. Há também os que podem ficar fixos apenas em uma das fases.
As fases, de um modo geral, são as seguintes: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.
Há os que permanecem longo tempo na fase de negação. Não aceitam a ideia da morte. Não acreditam que têm uma doença incurável que termina com a morte. Foram tão bons e Deus não iria fazer tal coisa, eles não têm aquela doença nem estão perto de morrer. “Por que eu? Estou pagando por culpas cometidas? Como Deus é injusto!”
A raiva é uma reação intempestiva contra a ideia de morte. Revoltam-se contra tudo e contra todos, cometem as maiores loucuras, até podem chegar ao suicídio, um fato difícil de aceitar por outras pessoas ... Morre de medo de morrer. Quer que seja rápido, sem grandes sofrimentos, sem desesperos, sem ir passando por todas às fases de uma doença que teria o mesmo fim ...
Em relação à barganha, aconteceu um fato com um garoto de paralisia infantil, forma ascendente de Landri. À medida que a paralisia ia subindo, como ele dizia, ele fazia propostas a Nossa Senhora: “Prometo dar dez mil réis se eu ficar curado, vou subir a escadaria da Igreja da Penha de joelhos...”. Prometeu tudo que tinha o direito de prometer, até quando não mais conseguiu falar. Era uma criança muito pobre, cuja mãe, embora avisada da gravidade da doença do filho, dele se aproximou apenas para pegar uma blusa de lã que o médico do hospital lhe havia dado.
Com a aceleração dos sintomas, os pacientes, achando que não houve aceitação de suas promessas, entram em fase de depressão. Não aceitam mais os medicamentos, pedem que pratiquem a eutanásia.
A fase de aceitação vem terminar a luta contra a morte, é uma espécie de paz. Na maioria das vezes, a pessoa fica mais tranquila, muitas vezes desaparecendo de sua face aquela expressão de sofrimento, de angústia, de revolta. Tranquiliza-se.
(*) - Médica Geriatra a escritora
colaboradora de jornais e revistas
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