Depois de todas as demonstrações de amor que o andarilho poderia fazer, considerando os seus encontros, aprendendo com os depoimentos, aproveitando os amigos, enfim, vivendo tudo durante essa odisseia maravilhosa que é falar sobre o amor, ele se deparou com o temor dos amantes. E neste momento fez um último pedido: será possível você ouvir tudo que tenho a dizer e, por favor, não dizer nenhuma palavra?
Eu gostaria que pudéssemos, eu e você, retornar no tempo ao exato instante em que nos conhecemos, à primeira vez que nos encontramos. Adoraria sentir novamente tudo que se passou naquele momento. Exatamente igual, inclusive com a mesma inocência e o total desconhecimento do que aquele instante significaria para minha vida. Tenho curiosidade para saber quando exatamente eu passei a sentir por você o que sinto. Tenho curiosidade para descobrir o que sentes por mim. Exatamente naquele momento em que a “partícula de Deus” que os cientistas querem encontrar se fez presente entre nós.
Quando eu descobri o que sentia por você? Sinceramente, não me é possível identificar. Quero saber o que você sentia quando eu a acompanhava em passeios pelas ruas da nossa cidade, quero saber se realmente você gostava dessa companhia ou não... Gostaria muito de saber o que tinha de especial o Galego, para ter sido o escolhido? Gostaria muito de saber qual teria sido o gosto do seu beijo, gostaria muito de ter sido seu namorado...
Todavia, o que resta ao andarilho agora é apenas caminhar pela sua estrada, ponderando como ocorreu essa separação. Você se recorda quando foi isso? Você sabe o que fez a separação acontecer? Mas, por favor, lembre-se que nunca mentimos um para o outro. Por tal motivo, confesso que meu coração se partiu pouco a pouco por conta dessa separação.
Estranhamente a dor foi intensa e insuportável por vários anos; parecia que nunca esqueceria todas as lágrimas. Você é uma parte especial da minha vida. Isso é fato! Você me deu boas lembranças, que me acompanham até hoje. Você foi meu primeiro amor, isso é imutável.
Será que você acabou de ouvir? Eu gostaria que você se lembrasse do exato instante quando nos conhecemos. E queria saber o momento em que nos separamos... Essa separação pode ser comparada com a despedida simbólica que ocorre quando uma pessoa querida parte num navio. Ela embarca e nós ficamos no porto, observando, e cada vez mais o navio fica pequenino e distante, até que some de nossas vistas. Ficamos com o vazio e a sensação de que um dia nos reencontraremos, mas existe a dor da separação.
Por conta dessa separação surgem questionamentos: o amor é um poder ou um sentimento? Ele desfaz o espaço que existe entre as pessoas? E a separação, cria uma fenda? O amor faz ser um no outro? A separação faz com que um dos dois se torne meio? A separação, com o fim do amor, sinaliza que sentiremos dor? As lembranças serão o bálsamo? As lembranças farão com nossa alma voe livremente? A separação é o fim do amor? Neste caso, a separação seria um sinônimo de vazio? Podemos esquecer o adeus? E a saudade tem fim?
O amor, afirmam os sábios, não acaba. Então, o que é a separação?
Fiquem em paz!
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