O Andarilho - O encontro do Tempo com o Amor - 14 a 16 de janeiro 2012

Por Leonardo Penna
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Em determinada oportunidade reencontraram vários amigos verdadeiros e antigos, a fim de celebrarem o casamento. Reencontro que trouxe muitas sensações e reflexões, pois, de fato, a cada vez que acontecia tal confraternização ficava evidente o transcurso do tempo, servindo como se fosse a materialização do já vivido. Alguns quilos a mais, cabelos a menos.

O Tempo, criação do Divino e que é livre por natureza, existe. Convivemos com ele e pronto! Tal convivência para uns torna-se mais doce; para outros, mais amarga. Mas o tempo segue seu caminho apesar de tudo e de todos!

Pois bem: depois de todos os amigos terem chegado, resolveram se concentrar para conversar e relembrar seus momentos. Para variar, as histórias que os alegravam eram as mesmas, contadas pelos mesmos, mas as risadas sempre diferentes. Muito bom isso! Outra prova de que a amizade era real. E que o tempo fez bem para eles.

O motivo para aquela reunião era o casamento de um deles, um dos mais novos, mas todos vieram para reafirmar o vínculo que os unia. E logo começou a serem repassadas as aventuras de cada um, logicamente sob a ótica daquele que contava a história, compartilhada por todos ou pela maioria. Boas risadas e, mais uma vez, tentavam justificar o injustificável ato praticado em tempos passados, fosse o que aconteceu durante o período de faculdade ou mesmo após. O fato é que eles tiveram seus momentos e fases juntos, mas cada um estava, a seu modo, feliz e construindo sua estrada. Cada andarilho estava vivenciando suas escolhas.

Boas foram as festas, os churrascos para assistirem aos jogos de futebol, os congressos, as viagens de férias. Excelente a experiência de passar a fazer parte da vida do outro sem interesse que não o bem de cada um. Isso, independentemente do tempo.

Aqui cabe uma reflexão acerca da eterna incompatibilidade entre o Tempo e Amor. Não importa seja o amor fraterno que os une como verdadeiros irmãos ou até mais, pelo fato de terem escolhido ser amigos um do outro; não importa se o amor é o familiar, ou o amor que existe entre os amantes. O tempo ignora o tipo e se mostra totalmente indiferente a isto. Do outro lado, o Amor quer estreitar os laços com o Tempo, mas são infrutíferas suas tentativas, não restando alternativa senão aprender a conviver com o desprezo do tempo. Assim, quem assiste impotente ao embate de ambos somos nós!

Tal reflexão surgiu exatamente durante a conversa entre o grupo de amigos, pois cada um caminhava por sua estrada e, ao longo desse caminho, semearam suas esperanças, aprenderam com a observação do trajeto escolhido, curaram feridas, alimentaram amizades, buscaram sempre o novo e o melhor! Mas há também o momento da saudade. Nenhum deles é capaz de ignorar a intensidade da infância, juventude e dos dias atuais.

Por tal razão fica clara a indiferença do Tempo no que diz respeito ao Amor. O tempo faz com que cada um siga sua trilha. O tempo mostra que os acontecimentos devem ser guardados, mas a caminhada deve continuar. O tempo mostra que as pessoas entram e saem de nossas vidas e, mesmo assim, devemos continuar. O tempo não aceita conviver com o Amor. Os dois não se toleram e, por isso, talvez, ambos protagonizam tantas e tantas histórias.

Neste sentido, um dos amigos ponderou: “Quem de nós passou pela situação em que não queria nenhum relacionamento amoroso sério, mas mesmo assim a pessoa insistiu em aparecer? Ou já ouviu de alguém ‘Você chegou na minha vida 45 minutos atrasado, seremos apenas amigos’”. Caramba, esta última é cruel!

O Amor em represália ao desprezo do tempo deixou de usar relógio, deixou de observar a fase de vida em que está; o Amor não quer saber se é dia ou noite. Do outro lado, o Tempo ignora se você e a pessoa amada são da mesma cidade e ele precisa regressar. O Tempo aproveita para irritar o amor quando ele aparece durante as férias ou na fase do colégio. O Tempo ignora tudo e passa por cima do Amor. Muito embora fique machucado, o Amor não morre!

Depois disso, um dos amigos, o que estava casando, disse: “Creio que exista um momento em que o Tempo e o Amor se permitam conviver, durante o repouso de ambos. Mas nessa hora o amor aparece sem avisar e nos surpreende. O tempo parece parar. Então fica evidente que durante o sono do Tempo e do Amor um sonha com o outro. O Amor quer ser onipresente. O Tempo quer ser imprevisível. Logo, a união deles é uma coisa de outro mundo. O Tempo destruiu muitas coisas ao longo da existência humana segundo a ótica de vários poetas. O Amor construiu, matou, doeu, viveu, foi embora, retornou, lutou, dormiu, gerou, enfim, o Amor faz de tudo, também sob a ótica dos escritores. De fato o que fica claro é que todos os amigos conhecem o Tempo e conhecem o Amor. Todos os amigos são próximos de ambos. Mas nunca podem levar um à festa do outro”.

Diante dessa constatação surgiu uma ponderação proposta por um dos amigos que estava o tempo todo calado: “Essa coisa de amor e tempo não se respeitarem é uma das maiores bobeiras que já escutei. Não concordo com nada do que foi dito. Eu creio que o Tempo e o Amor são parceiros, pois eu mesmo, após tanto tempo, ainda consigo conviver com o Amor da minha vida. Mesmo estando ela na vida de outro. Mas o Tempo não me tirou isso. Agora vamos celebrar”.

Fiquem em Paz!

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