Dalva Ventura
Por enquanto, está tudo bem ou razoavelmente bem, com apenas um ou outro caso de dengue na cidade, ano passado. Ainda não estamos no período mais crítico, que começa em fevereiro e vai até maio, mas a Secretaria municipal de Saúde admite a possibilidade de uma grande epidemia de dengue após o período chuvoso.
Em 2011, por causa da catástrofe de janeiro, houve um crescimento assustador no número de casos de dengue em Nova Friburgo. Basta dizer que até o mês de agosto foram confirmados 878 casos da doença na cidade contra 27 registrados em 2010. Detalhe: ao contrário do ocorrido em anos interiores, em 80% dos casos as pessoas contraíram a doença aqui mesmo em Nova Friburgo.
As localidades que mais sofreram com a proliferação do mosquito foram justamente as mais atingidas pelas inundações e desabamentos: Jardinlândia, Jardim Ouro Preto, Prado, Jardim Califórnia, Riograndina, o próprio centro de Conselheiro Paulino e Vila Amélia. A água parada entre os escombros, as casas abandonadas, enfim, o rescaldo de tanta chuva acabou criando condições as mais propícias para o aparecimento de um grande número de criadouros do Aedes aegypti.
Nova Friburgo não foi nem é um caso isolado. A incidência de casos de dengue também cresceu exponencialmente nos demais municípios afetados pelas chuvas. E, com tragédia ou sem tragédia, a dengue pode voltar com força total à Região Serrana. Nova Friburgo não está na lista dos mais visados pelo vírus no Estado do Rio, como Itaboraí e São Fidélis, que correm alto risco de sofrer uma epidemia de dengue após o período chuvoso. Mesmo assim, as autoridades sanitárias estão preocupadas e, para evitar que isso aconteça, uma série de medidas está sendo anunciada.
Se não quisermos enfrentar de novo um surto de dengue, está mais do que na hora de redobrarmos os cuidados para a não proliferação do mosquito, alerta a gerente de Vigilância e Saúde, Sueli Scotelaro Porto. “Temos um desafio enorme pela frente”, afirma. Ela enfatiza, porém, que este não diz respeito apenas às autoridades de saúde, mas a toda a população. “É um trabalho multissetorial que envolve a secretaria de Serviços Públicos, de Meio Ambiente, do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), da EBMA (Empresa Brasileira de Meio Ambiente), da Águas de Nova Friburgo, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, do Sanatório Naval, enfim, de diversos órgãos e da sociedade organizada.”
Acima de tudo, destaca, é preciso que cada um de nós faça a sua parte, o que, convenhamos, não acontece. Ou, pelo menos, não costuma acontecer. É só observar com atenção como tem água parada por aí, em pneus, baldes, embalagens e recipientes diversos largados ao léu, pratos de vasos de plantas e bandejas de geladeira com água do degelo acumulada, calhas entupidas, lonas de cobertura mal esticadas, piscinas sem uso, bromélias e outras plantas que acumulam água, sem falar nas famosas caixas d’água sem tampa, um problema muito mais comum do que se pensa.
Aviso à população: todo cuidado é pouco
Não adianta, portanto, jogar toda a responsabilidade na Prefeitura. No momento, o número de agentes trabalhando na prevenção da dengue em Nova Friburgo não passa de 30. Sueli Scotelaro admite que “precisaríamos de mais, dado o tamanho do município”. Muitas residências só foram visitadas pelos agentes uma vez (ou mesmo nenhuma vez) ano passado, quando deveriam passar de dois em dois meses. Felizmente, fora a chuva, que sempre marca presença nos verões friburguenses, o clima aqui não é dos mais adequados ao mosquito, que prefere lugares mais quentes.
A coordenadora de Vigilância Epidemiológica, Melania Cariello Hoelz, faz questão de esclarecer que o combate ao aedes não se restringe às visitas domiciliares. “Tratamos focos em locais estratégicos, como cemitérios, por exemplo, instalamos armadilhas contra o mosquito na área rural, colocamos telas em caixas d’água, difundimos noções sobre saneamento familiar entre a população, enfim, temos que dar conta de uma série de ações para evitar que este ano a dengue retorne com a mesma força que nos atingiu até meados de 2011”, disse.
Tentando despertar na população a necessidade de inspecionar suas casas e locais de trabalho uma vez por semana, a Secretaria municipal de Saúde está desenvolvendo a campanha “Dez minutos contra a dengue”. A ideia é interessante. Resta saber se as pessoas vão aderir. De qualquer forma, a campanha é válida, pois está sendo adotada em todas unidades e postos de saúde pública da cidade, entre elas, o Hospital Raul Sertã, a Maternidade e a UPA. Mais: à medida que vistoriam detalhadamente estes locais, buscando possíveis criadouros do mosquito, agentes e profissionais das unidades divulgarão entre os usuários presentes informações sobre a doença.

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