Somente a resiliência dos bons impedirá que o mal prevaleça
Entre os morros, florestas e rios de nossa terra existem espécies com uma propriedade diferenciada: a resiliência. Também chamada de capacidade de resistir, a resiliência é uma medida de elasticidade, ou seja, da quantidade de energia que é devolvida ao ambiente em relação a uma força ou estresse aplicado. Uma espécie de boa resiliência é capaz de devolver ao ambiente a maior parte do estresse que recebe, sem se alterar. Por outro lado, o que não for devolvido se converte em outros tipos de energia, que resultam em deformações.
Há apenas alguns anos as latinhas de cerveja e refrigerante não eram feitas de alumínio, mas de ferro (folhas de flandres). Nos filmes de ação sempre víamos os atores mais fortes amassando as latinhas com facilidade. Quando tentávamos fazer o mesmo, com grande esforço para amassá-las, não víamos resultado. Quando parávamos de apertar ela simplesmente voltava ao formato original. Somente se a força fosse muito grande a lata se deformava permanentemente, amassada. A resiliência das latinhas era um desafio da adolescência.
O termo resiliência tem sido empregado para descrever pessoas e populações que apresentam este tipo de elasticidade. Como conseguem suportar as tensões do dia a dia, grandes fontes de estresse e, após algum tempo, quando as tensões diminuem, retornar ao que eram anteriormente, reconstroem seu cotidiano, vencem o luto, retomam sua vida, sem que sejam notadas deformações no seu modo de viver, na sua esperança. Ser resiliente, portanto, é essencial para sobreviver.
Na Amazônia há uma espécie vegetal chamada de seringueira (Hevea brasiliensis), cujo produto, a borracha natural, apresenta como grande característica exatamente a resiliência. É com essa característica que o pneu do carro cai no buraco, amassa e desamassa rapidamente. Dotada da capacidade de produzir lentamente este látex que sustentou por décadas os amazônidas com seu extrativismo, após grande pressão econômica, esta espécie volta a sustentar populações, transformar ribeirinhos em seringueiros.
Sobreviver da seringueira é ter a sua resiliência e a da borracha. Essa espécie, tipicamente brasileira, orienta nosso modo de vida, de um país ainda em construção, com tantos períodos de crescimento e estagnação. Muito mais que o pau-brasil, poderia ser o símbolo do povo e do país, a nossa elasticidade, o nunca desistir.
Com tantas distorções éticas diárias, vereadores tentando aumentar seus ganhos (só no Brasil eles recebem salário!), presidentes não querendo pagar a conta do que seus países poluíram por mais de cem anos, somente a resiliência dos bons impedirá que o mal prevaleça.
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