Por Valdir Veiga
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Uma vez perguntaram a Marilyn Monroe o que ela usava para dormir. Reza a lenda que a resposta foi: “Somente duas gotas de Chanel 5”.
Em meio às fantasias masculinas e ao furor feminino por possuir igual costume, surgiu a pergunta: o que haveria nesse aroma para ter o privilégio de inebriar os sonhos de um dos ícones do mundo moderno? A resposta vem da maior floresta úmida do planeta.
Entre os vários constituintes deste perfume destaca-se o óleo essencial de Aniba rosaeodora, obtido da espécie amazônica conhecida por pau-rosa. Durante décadas esta espécie foi tão explorada que esteve próxima da extinção e desapareceu de diversas regiões onde era endêmica, como o Pará e porções do Amazonas. Seu comércio não é mais realizado por pequenas comunidades, que têm que viajar por dias para encontrar as árvores, antes tão abundantes.
Os pequenos extratores de óleo essencial jazem enferrujados no meio da floresta. Somente grandes plantadores, não mais que meia dúzia deles, conseguem produzir o óleo e exportá-lo para grandes empresas de cosméticos e perfumes.
Com o risco de desaparecer para sempre, a espécie entrou para a lista da Cites (Convenção sobre o Comércio Internacional de espécies selvagens da flora e da fauna ameaçadas de Extinção), órgão regulador internacional que consegue proteger não só o pau-rosa, mas também o mogno brasileiro, que esteve na mesma berlinda.
Outras iniciativas têm auxiliado nessa proteção. O óleo era inicialmente obtido somente do tronco das árvores, principal motivo da devastação da espécie. Em busca de alternativas sustentáveis, em vez de cortar toda a árvore, podas realizadas a partir dos cinco anos de cultivo têm sido utilizadas para a extração do óleo de folhas e galhos. As podas podem ser realizadas todo ano e o óleo essencial produzido não carrega mais o estigma da exploração predatória da Amazônia.
Não somente as árvores estão protegidas, mas o óleo essencial de fonte renovável agora tem um valor mais alto no mercado internacional. As pequenas comunidades extrativistas lentamente estão voltando a produzir e comercializar os óleos de pau-rosa e a novamente retirar seu sustento da floresta em pé, a verdadeira sustentabilidade.
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