Notas do Repórter - Tragédia anunciada - 17 de fevereiro 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
por Jornal A Voz da Serra

Deslizamento de terras, após e durante fortes chuvas são uma constante na vida dos brasileiros principalmente os de menor renda, assim como a inundação das áreas ribeirinhas e incêndios criminosos ou não, que reduzem a população das periferias abrindo cobiçadas vagas que são imediatamente ocupadas pela legião que não tem onde morar, apenas à espera de uma nesga de chão para erguer a "casa própria" e , eventualmente, aumentar as estatísticas na próxima tragédia causada pela natureza ou pela mão do homem. Com a lotação completa dos morros cariocas, onde até os barracos já entraram na especulação imobiliária, dominados por traficantes ou milicianos, o grande contingente que abandona o Nordeste tangido pela seca ou pela falta de meios de sobrevivência começou a se dirigir as cidades /vizinhas dos grandes centros e regiões até então tidas como nobres,

Locais de veraneio, como Petrópolis, Teresópolis e Friburgo (para citar apenas o Rio de Janeiro) começaram a ser invadidas por migrantes dos sertões, pouco preocupados com a qualidade de vida, saneamento ou risco de vida. Os morros destas cidades nobres, que realizavam festivais internacionais de inverno e convenções artísticas, começaram a ser povoados e em uma noite se erguiam vinte ou trinta casas, arrumadas nas encostas, livrando seus ocupantes dos exorbitantes aluguéis praticados nas megalópolis. Paulatinamente iam degradando o meio ambiente pela ausência de saneamento e desafiando a lei da gravidade. A tragédia estava anunciada e ficava por conta de maior ou menor quantidade de chuvas.

São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são absolutamente carentes e despreparados para impedir que uma tempestade faça vitimas. Faltam equipamentos e técnicos. Um exemplo. A Defesa Civil (RJ) transmitiu com horas de antecedência um aviso de "alerta" do Inmet, mas a mensagem caiu nas mãos de leigos e só um pequeno burgo da serra fluminense, Areal, colocou ribeirinhos e moradores de morros de sobreaviso, conseguindo salvar dezenas de vidas. Agora, com um saldo de 600 mortos, cidades arrasadas e problemas sociais, de saúde, econômicos e criminais, os gestores municipais porfiam pelos cerca de 800 milhões de verbas federais que serão rateados. Contudo, ninguém falou em iniciar uma política habitacional digna deste nome no governo anterior ou neste que começa. Tudo é improvisado - e com fins eleitorais como o " Minha Casa, Minha Vida", que serviu aos propósitos e entrou em desaquecimento.

A presidente Dilma Rousseff, em nome da correta aplicabilidade de tais /recursos, determine' severa vigilância sobre o destino dos 780 milhões de reais pois "lobbys' em Brasília e no Rio já gravitam em tomo das verbas, cada um querendo abocanhar a maior fatia. Até a próxima tragédia.

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