As palavras e as coisas
Essa coluna era para se chamar Multidão, que é a tradução, para o bom português, de Multitude. Preferi o último porque, além de ser substantivo, pode ser também verbo, e confere assim um sentido de movimento à palavra. Porém, não imaginei outros tipos de associação que pudessem surgir - e que surgiram – e que não são de meu agrado: a mais comum é “múltiplas atitudes”, que nem sei direito a abrangência disso e que considero um tanto metido a besta. A ideia de multidão faz referência, entre outras coisas, à pluraridade de pensamentos. Estou aqui sendo um veículo, um catalizador de ideias, que passam sim pelo meu juízo, mas que provêm de muita gente.
Havia, mas não sei se ainda há, movimentação política para trocar o nome do Teatro Municipal de Nova Friburgo. Ao invés de Ariano Suassuna, um dramaturgo nordestino, que está vivo, aliás, e que veio aqui pessoalmente celebrar essa homenagem, a intenção é (ou seria) de colocar no teatro um nome representativo da sociedade friburguense.
Para além do provincianismo e das disputas da política pequena, isso é apenas um triste reflexo da mania brasileira de colocar nome de pessoas em tudo. O teatro poderia simplesmente se chamar Teatro Municipal de Nova Friburgo. Haveria algum problema de nomenclatura, de comunicação? Poderíamos também colocar o nome de um lugar, de uma flor, de uma ideia. Nova Friburgo ficaria muito mais artística se as ruas, por exemplo, tivesssem nomes que remetessem a conceitos variados, como Rua Novo Mundo, Rua Verde, Rua Por do Sol, sei lá etc. Espero que não chegue o dia em que a Praça do Suspiro passe a se chamar Praça Florêncio Almeida da Silva e o Caledônia, Pedra Bragança Neves Pereira.
Paciência nem sempre é uma virtude. O joguinho virtual do Windows, principalmente a sua versão Spider, possui alto índice de dependência entre pessoas que trabalham na frente do computador. Começa como mera distração para esperar um arquivo ser carregado, depois se torna o passatempo constante dos últimos minutos do horário de almoço, até que o sujeito se vê a pensar no jogo de cartas assim que liga o computador de manhã. Há relatos de pessoas que passam domingos inteiro jogando Paciência Spider. Dizem até que aumenta o raciocínio lógico-organizacional-estratégico, mas, por experiência própria, jogá-lo uma tarde inteira me fez somente ter a sensação de que perdi meu tempo.
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