Movimento no comércio de Friburgo caiu 50% durante a greve

Setor volta ser reabastecido, mas registrou perdas por causa da paralisação. Postos continuam com filas
quinta-feira, 31 de maio de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Nos mercados da cidade, prateleiras cheias, outras vazias (Fotos: Alerrandre Barros)
Nos mercados da cidade, prateleiras cheias, outras vazias (Fotos: Alerrandre Barros)

Com o combustível escasso, muita gente deixou de ir às compras durante o período de paralisação dos caminhoneiros e fez cair pela metade o movimento no comércio em Nova Friburgo, informou a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio).

“As consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), da CDL, mostraram redução de quase 50% no movimento das lojas da cidade. Esse quadro de profunda retração se deu em função, principalmente, da dificuldade de deslocamento enfrentada pelos consumidores no período”, afirmou o presidente das duas entidades, Braulio Rezende.

Ele, no entanto, não estimou o prejuízo causado ao comércio friburguense, mas a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) informou, na quarta-feira, 30 de maio, que, entre os últimos dias 21 e 28, os setores do comércio e serviços deixaram de faturar, aproximadamente, R$ 27 bilhões devido à interrupção do transporte de carga nas rodovias do país.

Em Nova Friburgo, o comércio retoma, aos poucos, o movimento típico. Ontem, apesar do feriado de Corpus Christi, muitos caminhões fizeram descargas de vários itens, que nos últimos dias estavam escassos nos mercados, como ovos, legumes e verduras. Os preços, porém, estão caros, em comparação com o período anterior à greve.

“Estou comprando somente o necessário, em menor quantidade, porque os preços dobraram. Acredito que na próxima semana os preços devem voltar ao normal”, disse a aposentada Marília Célia Alves no setor de hortifrutigranjeiros da Casa Friburgo, na Avenida Alberto Braune.

Sem combustível suficiente, muitos mercados ainda não voltaram a entregar compras de clientes em casa. A Ceasa, em Conquista, distrito de Campo do Coelho, funcionou nesta quinta-feira com 70% da capacidade porque produtores ainda não conseguiam escoar toda produção por falta de óleo diesel e gasolina. A distribuição só deve se regularizar na próxima semana.

Corrida pela gasolina  

Postos de combustíveis ontem amanheceram com filas. Na RJ-150 (Nova Friburgo-São José do Ribeirão), na altura da Chácara do Paraíso, motoristas se enfileiravam para abastecer os veículos com gasolina no posto MB. Em outros pontos de abastecimento da cidade não havia uma gota nas bombas. Cones cercavam os postos, enquanto frentistas aguardavam a chegada de caminhões-tanque que fariam entrega de combustíveis.

Hotéis e pousadas

Depois de uma semana praticamente vazios, hotéis e pousadas voltaram a registrar aumento na procura por quartos para este feriado Corpus Christi e o fim de semana. O Hotel Vila Verde, na RJ-130 (Nova Friburgo-Teresópolis), chegou a 80% de ocupação nesta quinta-feira, 31. No último fim de semana, em meio a greve dos caminhoneiros, somente oito dos 60 quartos do hotel estiveram ocupados.

Aos poucos a vida volta ao normal, mas o movimento nas estradas deve continuar menor. Somente 90 mil veículos devem passar pela RJ-116 nos próximos dias, estima a Rota 116, concessionária que administra o trecho. No ano passado, 110 mil circularam pela rodovia no mesmo período. Nas rodoviárias, o fluxo também deve cair. A empresa de ônibus 1001 não disponibilizou ônibus extras para as linhas que ligam Nova Friburgo à Região dos Lagos e o Rio de Janeiro para este feriadão e opera com sua frota normal.

TAGS: Greve