Mostra em homenagem a Guignard agora em cartaz em Amparo

segunda-feira, 11 de março de 2013
por Jornal A Voz da Serra
Mostra em homenagem a Guignard agora em cartaz em Amparo
Mostra em homenagem a Guignard agora em cartaz em Amparo

Flávia Namen
Promovida pelo Grupo de Arte, Movimento e Ação (Gama), a exposição “Encontro Maior entre a Arte de Guignard e do Zeppe” agora está em cartaz no Auberge Suisse, em Amparo. A mostra reúne 13 esculturas em homenagem ao pintor friburguense de renome internacional, Alberto da Veiga Guignard, ainda pouco reconhecido no município. Produzidas em papel machê pelo artista plástico Zeppe, as peças reproduzem com riqueza de detalhes alguns personagens retratados por Guignard e impressionam pela expressividade. 
Inaugurada em agosto de 2011 no Centro de Arte, a mostra já percorreu vários espaços da cidade, como colégios e o Complexo Cultural Braün & Braün, de onde saiu de cartaz em 21 de fevereiro. Ao longo desse tempo, milhares de visitantes já conferiram a exposição, que agora está ocupando o badalado restaurante de Amparo. “Esse é um projeto que visa dar mais visibilidade a Guignard, pintor de renome internacional, que é a maior expressão artística de Nova Friburgo nas artes plásticas”, explica o presidente do Gama, Chico Figueiredo. 

Entrega do troféu foi mais uma ação do Gama para resgatar a memória do pintor
Outra iniciativa voltada para divulgar o nome do pintor friburguense na cidade é a entrega do Troféu Guignard a personalidades do setor cultural. Este ano a homenagem ocorreu no último dia 25 e ainda repercute na comunidade artística. Entre os agraciados estavam os artistas plásticos Zeppe, Francisco do Couto e Rafael Araújo. Estes dois últimos mereceram um destaque especial do presidente do Gama. “Para nós foi uma emoção muito grande presentear dois artistas que estão em momentos distintos da vida. O jovem Rafael está começando e o troféu será mais um incentivo à sua carreira. Já o seu Chico tem quase 80 anos e continua produzindo arte. É um talento da maturidade que merecia este reconhecimento”, disse ele.  
Além da mostra no Auberge Suisse, o Gama está com uma série de projetos para este ano. “Vamos promover o lançamento do livro de Irapuan Guimarães ainda neste primeiro semestre, remontar um espetáculo infantil de grande sucesso e apresentar uma comédia inédita na cidade. Também estamos viabilizando a recuperação de mais um monumento histórico da cidade. São ações que têm o objetivo de levantar a autoestima dos friburguenses”, afirma Chico. Ele acrescenta que a exposição “Encontro maior entre a arte de Guignard e do Zeppe” será levada posteriormente à Pousada d’Óleo de Guignard, que fica na cidade mineira de Tiradentes. MENORES DE 18 ANOS DEVEM ESTAR ACOMPANHADOS DOS PAIS OU RESPONSÁVEL

A vida do artista

Nascido em 25 de fevereiro de 1896 na Rua Três de Janeiro, atual Ernesto Brasílio, Guignard é um dos maiores nomes da arte moderna brasileira e teve uma carreira de prêmios e exposições no Brasil e no exterior. Filho de Alberto José Guignard e Leonor Augusta Guignard, aos 5 anos transferiu-se com os pais para Petrópolis, partindo logo em seguida para a Europa. Iniciou sua formação acadêmica em 1915 e estudou na Suíça, França, Alemanha e Itália. Já formado, passou uma longa temporada em Paris e retornou ao Brasil em 1928 para uma nova fase temática em sua carreira. Neste período, que dura até 1942, produz obras que retratam o sol e a luminosidade brasileira, com destaque para o quadro “Bambus”. 
Apesar de ser friburguense, o pintor voltou para uma estadia de apenas três meses na cidade onde nasceu. Entre o final de 1939 e o início de 1940 passou uma temporada em Mury, numa residência conhecida como Solaris. E nada mais. Em 1944, aceitou o convite de Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, para dirigir o Instituto de Belas Artes, atual Escola Guignard, que integra a Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). Afável, alegre, educado, romântico e bem-humorado, era considerado um gentleman, daí o grande número de amigos que tinha. Um deles era Carlos Drummond de Andrade
Diabético e com insuficiência cardíaca, morreu pobre, dormindo, amparado por amigos na Casa de Saúde São Lucas, em Belo Horizonte, em 26 de junho de 1962. Foi sepultado em Ouro Preto, no Cemitério da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis. 

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