Metade dos jovens da Geração Z não realiza controle das finanças

Jovens com idades entre 18 e 24 anos têm alguma fonte de renda e ajudam nas despesas de casa
segunda-feira, 06 de maio de 2019
por Jornal A Voz da Serra
Metade dos jovens da Geração Z não realiza controle das finanças
Praticamente metade dos jovens com idades entre 18 e 24 anos, nascidos dentro da chamada Geração Z e considerados os primeiros nativos digitais, tendo crescido em um ambiente com acesso a grandes quantidades de informação, recursos tecnológicos e propensão ao auto aprendizado, não realiza o controle das finanças pessoais (47%). A principal justificativa é o fato de não saber fazer (19%), sentir preguiça (18%), não ter hábito ou disciplina (18%) ou não ter rendimentos (16%). Por outro lado, 53% afirmam controlar receitas e despesas, e apesar de bastante conectados, 26% ainda utilizam o tradicional bloquinho de papel para organizar o orçamento.

Apesar da conectividade, eles usam papel para organizar o orçamento
Oito em cada dez entrevistados garantem ter alguma fonte de renda, sendo que a maior parte trabalha com carteira assinada e outros estão alocados em trabalho informal, fazendo bicos ou atuando como freelancers. Em contrapartida, dois em cada 10 não têm rendimentos. O estudo mostra, ainda, que dos jovens que afirmam ter dinheiro guardado (52%), a maioria investe em opções pouco ou nada rentáveis: 53% mantém os valores na poupança, 25% guardam em casa e 20% na conta corrente.

Os dados são da CNDL e do SPC Brasil em parceria com o Sebrae, que avaliou hábitos de gestão das finanças pessoais desse grupo. A pesquisa integra o convênio Políticas Públicas 4.0 (PP 4.0), firmado entre o Sistema CNDL e o Sebrae, e pretende coletar insumos para a proposição de políticas públicas que contribuam com a melhoria do ambiente de negócios no país e, consequentemente, apoiem o desenvolvimento do varejo.

O estudo também revela que 65% dos jovens da Geração Z contribuem financeiramente para o sustento da casa. Considerando os gastos mensais pagos com o próprio dinheiro, nove em cada dez mencionam ao menos alguma despesa, sendo que as mais comuns são: alimentação (51%), roupas, calçados e acessórios (43%), produtos de higiene e beleza (34%), TV por assinatura ou internet (31%) e contas de serviços básicos como água e luz (27%). Por outro lado, 11% têm todas as despesas e gastos mensais pagos por terceiros.

Geração Z

A Geração Z reúne os nascidos entre 1995 e 2010, que hoje têm entre nove e 24 anos – sendo que a pesquisa considerou os jovens de 18 a 24 anos. São considerados os primeiros nativos de um ambiente tecnológico definido pela mobilidade digital e pela onipresença da internet e das conexões em rede. Como consequência da hiperconectividade, é a primeira geração a crescer e chegar à vida adulta tendo acesso online e instantâneo, desde cedo, a grandes quantidades de informações.

“A Geração Z está vivendo seu período de formação intelectual num contexto social e cultural de intensas transformações, em que a todo momento surgem produtos e serviços mediados pela tecnologia. Esses jovens prometem ser a próxima grande força indutora do consumo e, na verdade, já tomam parte em muitas das decisões de compra de suas famílias”, comenta o presidente da CNDL, José Cesar da Costa.

Conservadores com investimentos

Pouco mais da metade dos jovens entrevistados possui dinheiro guardado, para imprevistos, viagens e compra da casa própria (19%). Já 85% guardaram os próprios recursos, enquanto 20% obtiveram esses recursos financeiros dos pais.

Mas mesmo com acesso a grandes quantidades de informação, estes jovens investem em opções pouco ou nada rentáveis, porém, mais tradicionais: 53% na poupança, 25% em casa e 20% na conta corrente. Entre os motivos de quem não guarda nenhuma quantia, 51% afirmam que nunca sobra dinheiro, 22% são indisciplinados para juntar dinheiro e 19% sentem-se desestimulados e sem esperança por sobrar pouco dinheiro.

Em relação aos hábitos de consumo, 56% admitem que cedem aos impulsos para comprar algo, enquanto outros perdem a noção de quanto podem gastar com lazer. E tem os gostam de ter o que a maioria dos seus amigos têm.

Quatro em cada dez entrevistados já estiveram com o nome negativado. Ao comentar as razões, os jovens mencionam a perda do emprego, não terem planejado os gastos ou terem gasto mais do que podiam e o empréstimo do nome para terceiros.

Aposentadoria

A pesquisa revela que 75% não se preparam para a aposentadoria. Dentre os que realizam algum preparo, a estratégia mais comum é a aplicação em poupança (26%), o INSS pago pela empresa (21%), a Previdência Privada (21%), a abertura do próprio negócio (21%) e o INSS pago de forma autônoma (19%).

As razões apontadas pelos que se preparam para a aposentadoria envolvem julgar que sempre foram precavidos, espelhar-se em exemplos de pessoas que não se prepararam e tiveram problemas financeiros ou mesmo em pessoas que se prepararam e, por isso, tiveram uma aposentadoria tranquila. Por outro lado, aqueles que não se preparam argumentam não ter renda, serem muito jovens, não sobrar dinheiro e não saber como fazer.

Apesar das justificativas para o despreparo, reconhecem que essa negligência pode provocar efeitos negativos no futuro: ¼ acredita que quem não se prepara não poderá viver com tranquilidade na 3ª idade e outro tanto considera que o padrão de vida pode cair depois de aposentado. Há ainda os que julgam que não poderão parar de trabalhar e os que precisarão contar com ajuda financeira de familiares para se manter.

Metodologia

A pesquisa ouviu 801 jovens brasileiros, com idade entre 18 e 24 anos, residentes em todas as capitais. Homens e mulheres pertencentes a todas as classes econômicas e escolaridades. Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas.

 

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