José Duarte
A cena já se repete por toda a cidade há alguns anos. Mendigos espalhados pelas praças Dermeval Barbosa Moreira, Getúlio Vargas e Marcílio Dias (Paissandu), Avenida Alberto Braune e outras ruas do Centro e de bairros. O problema muito comum nos grandes centros do país, está se tornando um caos em Nova Friburgo, porque aumenta dia a dia. Há quem afirme que no fim das noites de domingo uma Kombi com placa de Nova Iguaçu desembarca vários mendigos pela cidade.
São pessoas de todas as idades, dos 9 aos 90 anos, pedindo esmolas nas ruas, abordando as pessoas em estabelecimentos comerciais do centro da cidade e em outros locais. Os lugares mais comuns em que fixam seus pontos são em frente ao Hipermercado ABC, à Casa Friburgo, ao Willisau Center, Banco Real, Livraria Agnus Dei, Catedral São João Batista, Oficina-Escola de Artes, coreto da Praça Getúlio Vargas, junto a garagens de prédios no Centro, ponte da Rua Sete de Setembro, Rua Comendador Giuseppe Mastrângelo (atrás do ABC), portas do Banco Itaú e da Caixa Econômica Federal, sob o Viaduto Geremias de Mattos Fontes etc. Na ponte da Rua Sete de Setembro eles chegam a fazer fila e alguns chegam a ameaçar pedestres de agressão ao pedir esmolas e não serem atendidos. A rua atrás do ABC funciona como um quartel-general dos mendigos, que costumam se concentrar em grande número naquele local. Na porta da catedral um rapaz de estatura e idade medianas costuma entrar na igreja, abordar fiéis e, quando não atendido, bradar palavrões.
É preciso que as autoridades municipais tomem uma atitude urgente, porque o aumento de mendigos na cidade é um fato público e notório. Hoje, Nova Friburgo não dispõe de um lugar para abrigá-los, mas já chegou a ter um local, a Casa Aberta, para onde os mendigos eram levados. Ali eles dispunham de higiene, recebiam alimentação diária, a coordenação da casa fazia uma triagem, até encontrar familiares que pudessem acolhê-los e tirá-los das ruas. A Casa Aberta funcionou há até pouco tempo, mas os governos que se sucederam não deram continuidade ao projeto.
As casas de caridade da cidade não atendem a demanda, porque já estão lotadas. A Casa dos Pobres São Vicente de Paulo só recebe idosos portadores de deficiências, mas têm que ter uma família responsável. O Lar Abrigo Amor a Jesus informa que, havendo vagas e dentro das características da casa, recebe somente aqueles que são levados para o Hospital Raul Sertã, mas tem que ser idoso, carente e com mais de 60 anos. Mendigos em estado terminal de doença acabam morrendo nas ruas.
A Secretaria Municipal de Assistência Social, segundo o secretário Isaque Demani, tem um projeto de criar uma clínica para abrigar os mendigos, mas ainda está em fase de convênios e somente a partir de meados deste ano poderá funcionar. As instituições religiosas, católicas, evangélicas e espíritas, fazem um trabalho assistencial, mas não têm condições de abrigar essas pessoas.
Sem dúvida, é preciso uma ação rápida, enérgica e eficaz.

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