Luiz Carlos da Graça: “Fui muito feliz em Nova Friburgo”

Ex-diretor do Sanatório Naval faz balanço pessoal e profissional de sua passagem pela cidade
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
por Márcio Madeira
(Foto: Lúcio Cesar Pereira)
(Foto: Lúcio Cesar Pereira)

Apaixonado por Nova Friburgo desde a adolescência, a ponto de exaltar as qualidade da cidade falando na primeira pessoa do plural, o capitão de mar e guerra Luiz Carlos da Graça (Md) fez um balanço amplamente positivo dos três anos em que foi diretor do Sanatório Naval, nesta entrevista que A VOZ DA SERRA publica com exclusividade.

A VOZ DA SERRA: Avaliando primeiro sob o lado pessoal, como foi essa experiência de morar três anos em Nova Friburgo?
Luiz Carlos da Graça:
Eu morei minha vida inteira no Rio de Janeiro, mas quando criança, eu vinha muito para cá. E o interessante é que esta era uma escolha voluntária. Meu pai perguntava a mim e minha irmã para onde nós queríamos ir, e essa era sempre a nossa primeira opção.  Então eu posso dizer que desde a minha infância e adolescência eu vinha muito a Friburgo. Mas então começaram os compromissos, a faculdade, e essas vindas diminuíram. Logo depois eu entrei para a Marinha, e sempre desejei que se algum dia ela tivesse que me mandar para algum lugar, que fosse Friburgo. E assim aconteceu. Em junho de 2012 eu fui indicado para ser o diretor do Sanatório Naval, a partir de fevereiro de 2013, e fiquei muito feliz com isso. Assumi a direção do Sanatório Naval no dia 22 de fevereiro de 2013, com a expectativa de sair daqui em fevereiro de 2015, uma vez que as direções da Marinha têm período geralmente pré-fixado em dois anos. Aí eu tive a grata surpresa de ser convidado pelo Almirante Montenegro (Md), que tem residência em Nova Friburgo e era diretor de Saúde da Marinha, a ficar mais um ano por aqui. Eu fiquei muito agradecido com este segundo presente que ele me deu, e foram três anos maravilhosos, inesquecíveis. O Sanatório é uma instituição muito querida, de grande reconhecimento junto à sociedade, que no próximo dia 30 de junho completa 106 anos de atividades e sempre ajudou a cidade naquilo que foi possível.

Chama a atenção a forma como o senhor fala com intimidade a respeito do Sanatório, e tem conhecimento sobre seu papel histórico. Foi uma preocupação sua, estudar a instituição que iria dirigir?
Sim. Quando vim para cá eu comecei a ler sobre o Sanatório Naval e sobre Nova Friburgo. Li diversos livros, entre os quais destaco a obra de Janaína Botelho, e leio A VOZ DA SERRA todos os dias também. Dessa forma eu aprendi muitas coisas, e fiquei sabendo que o Sanatório tinha sido a residência de caça do Barão de Nova Friburgo, e mais tarde abrigou prisioneiros alemães durante a Primeira Guerra Mundial. É uma história fascinante e eu gostei muito de aprender mais sobre a cidade e a instituição. Olhando para trás, foi tudo muito positivo. O povo friburguense tem muito carinho pela Marinha, e foi muito receptivo comigo durante este tempo todo. Uma população muito educada e prestativa, que me ajudou sempre que eu precisei. Levo daqui as melhores lembranças, e sou muito agradecido ao vereador Gustavo Barroso e a toda a Câmara Municipal, que me deu o título de cidadão friburguense.

E o senhor chegou a fazer essa propaganda da cidade?
Sim, eu sempre busquei trazer pessoas aqui para Friburgo. O que acontece é que o Sanatório tem uma área recreativa, esportiva e social, que funciona como se fosse uma colônia de férias da Marinha. Ali existem 36 suítes, que comportam 84 pessoas. E assim que eu cheguei aqui já comecei a motivar os militares que moram em outras regiões do estado a virem para cá. Porque Nova Friburgo tem um potencial turístico muito grande. As paisagens são muito bonitas, a região de Lumiar e São Pedro da Serra tem todas aquelas cachoeiras, a natureza... 

O senhor conheceu mesmo a cidade...
Conheci! (Risos) Nós temos vários segmentos de turismo, que agradam a vários perfis de visitantes. Se a pessoa está interessada no polo de moda íntima, ela tem opções; se está interessada no ecoturismo, também; e existe ainda o turismo gastronômico... A qualidade é tão grande que eu engordei 12 quilos neste período em que estive aqui (risos). É interessante lembrar que eu cheguei aqui dois anos depois da tragédia climática, e as pessoas ainda estavam muito preocupadas com a questão da segurança. Naquela altura eu tranquilizei muitos colegas para que viessem aqui ver que a cidade estava linda e era muito agradável. Quer dizer, eu fiz a minha parte nesse sentido, mas o que interessa mesmo é que o turista venha, e volte. Não adianta o turista vir aqui, e depois não querer mais voltar. Em vez disso, ele tem que se tornar um multiplicador, tem que chegar à cidade dele e fazer propaganda daqui. Por isso é preciso garantir toda a estrutura, e receber bem essas pessoas. Eu posso dizer, com muita satisfação, que nós temos conseguido manter nossa área recreativa com uma ocupação próxima a 100% em todos os fins de semana desde junho ou julho do ano passado.

E sob o ponto de vista da sua administração, qual o balanço que o senhor faz?
Eu procurei fazer com que a Marinha, através do Sanatório, tivesse um grande relacionamento com a sociedade friburguense. Essa é uma parceria que, como eu já disse, tem 106 anos de história. Eu acho muito importante que haja esse diálogo, e que as pessoas tenham a oportunidade de conhecer o Sanatório, que se localiza numa área belíssima. Eu não posso dizer que tenha aberto o Sanatório a visitação, até mesmo porque eu não tenho essa autonomia. Mas posso dizer que sempre que nos foi pedido, fosse por escolas, entidades ou instituições, eu sempre abri as portas da unidade, e muitas vezes levei pessoalmente as pessoas para que pudessem conhecer as instalações. Eu fiquei impressionado ao constatar que muitos friburguenses entre trinta a quarenta anos visitaram o sanatório pela primeira vez em algumas dessas oportunidades. Promover essa proximidade entre a sociedade e o Sanatório foi uma política que eu procurei adotar. Outro ponto que merece destaque é o Programa Forças no Esporte, cuja implantação teve início na administração de meu antecessor e nós demos continuidade. Basicamente a iniciativa é do governo federal, voltada a crianças em situação de maior fragilidade econômica, garantindo acesso a atividades esportivas e de lazer coordenadas pelos militares e por professores contratados para isso, e também a alimentação. Eu espero sinceramente que esse projeto nunca se encerre.

Mais recentemente houve também a questão de combate ao Aedes aegypti...
Na verdade, o combate aos focos do mosquito foi uma iniciativa do governo federal, através do Ministério da Defesa, com ações coordenadas pelas secretarias municipais de Saúde. A determinação foi para que todas as unidades militares participassem dessa campanha. Recebemos inclusive a visita do Almirante Ilques, diretor-geral de pessoal da Marinha, no dia 13 de fevereiro. Nós distribuímos panfletos, e na semana seguinte visitamos casas nos bairros que foram determinados pela Secretaria de Saúde. Além disso, também palestramos em escolas aqui e em Cordeiro. Tivemos também uma parceria importante com a Defesa Civil, então foi uma atividade bacana que fizemos em parceria com as administrações municipais. Agora, sobre este tema, basicamente nós temos ouvido as mesmas coisa há cerca de trinta anos. A maior parte das pessoas já sabe o que fazer. No meu entendimento, o mais importante é que a população tenha ciência e consciência sobre a importância de aplicar este conhecimento e efetivamente eliminar os focos. A verdade é que grande parte das pessoas ainda acredita que nunca irá acontecer com elas, ou então se esquece de que esse combate precisa ser feito durante os doze meses do ano, num esforço constante.

Para onde o senhor vai, e quando o senhor volta?
Eu saio daqui para me tornar o vice-diretor do Centro Médico Assistencial da Marinha (Cemam), que é uma unidade de Saúde. E o curioso é que ele tem seis unidades que lhe são subordinadas no Rio de Janeiro, e uma delas é justamente o Sanatório Naval de Nova Friburgo. Dessa forma eu continuarei vinculado a Nova Friburgo e fiquei muito feliz por isso, pois terei a oportunidade de rever os muitos amigos que fiz por aqui. Agora, olhando mais para a frente, eu ainda tenho três anos de serviço antes de ir para a reserva, e minha intenção é adquirir algum imóvel por aqui, para poder curtir na aposentadoria. Fui muito feliz em Nova Friburgo, e pretendo estar por aqui sempre que possível.

 

TAGS: Sanatório Naval | entrevista