Leonardo Lima
Localizado no distrito de Riograndina, o segundo de Nova Friburgo, o Loteamento Maringá apresenta alguns problemas diferentes dos encontrados nos outros bairros pela reportagem de A VOZ DA SERRA. Se por um lado o fornecimento de luz e água, a iluminação pública e o transporte urbano não são alvos de grandes queixas por parte dos moradores, por outro, os orelhões danificados e a ausência de sinal de celular são apontados como as principais dificuldades de quem mora no bairro.
Cercado de verde, o Loteamento Maringá é visto por boa parte dos residentes como um local tranquilo para se morar. “Há um tempo atrás, havia mais brigas, principalmente nos bares. Porém, de um tempo para cá, isso melhorou. Não sofremos mais com tumultos. O que falta hoje é um lugar para as crianças brincarem, mas a prefeitura está construindo uma quadra e isso deve ser resolvido” afirma uma moradora que prefere não se identificar.
De fato, ao caminhar pelas ruas do bairro, chama atenção a limpeza. Outro ponto relevante são as obras de asfaltamento que o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro (DER/RJ) está realizando na RJ-148, que liga o distrito de Conselheiro Paulino ao município de Carmo. Embora o trânsito esteja em meia pista em determinados lugares, o que atrasa a chegada ao bairro, a iniciativa tende a ser muito proveitosa para a localidade. Além de garantir maior comodidade para as comunidades localizadas nessa região, o asfaltamento também irá gerar maior rapidez de acesso a outros lugares.
Em relação ao transporte, hoje há um micro-ônibus a cada uma hora e 20 minutos e outro ônibus a cada 40 minutos. Um ponto positivo para os moradores do Loteamento Maringá é o fato dos coletivos circularem com o sistema de linha direta, o que evita a superlotação. Quanto ao acesso às unidades de saúde e instituições públicas de ensino, moradores do bairro são obrigados a se dirigirem até Riograndina. No Loteamento Maringá não há posto de saúde, escolas, nem mesmo creches.
Segundo o morador Etevaldo Vargas, na Rua Maria Rosa de Jesus Pará, há um terreno que pertence à Prefeitura e, no governo anterior, foi instalada uma placa nele que anunciava a construção de uma creche.
“A placa dizia que em breve a prefeitura construiria mais uma creche, porém isso nunca aconteceu e, depois de um tempo, a placa foi retirada e não fomos comunicados de nada” queixa-se.
Outra reclamação de Etevaldo é o excesso de ratos. “Já procuramos a prefeitura para solucionar esse problema, porém até agora nada foi feito. Nos deparamos constantemente com ratazanas que saem dos bueiros e entram em casa”, revela.
Progresso e perigo
Se o Loteamento Maringá esbanja tranquilidade, o mesmo não pode ser dito em relação ao seu vizinho, o Loteamento Progresso. Em janeiro de 2007, as fortes chuvas que assolaram Nova Friburgo alteraram a estrutura de diversas ruas e construções do local. Com o desabamento, os moradores se viram obrigados a deixar suas casas. Entretanto, passados quase quatro anos do incidente, nem todos se mudaram para casas populares, fornecidas pela Prefeitura. Há ainda no Loteamento Progresso quem acredite que ficar no bairro é a melhor opção.
“Se eu disser que não tenho uma certa preocupação com novos deslizamentos, eu estaria mentindo. Mas desde 2007 nunca aconteceu mais nada”, afirma Mário Helênio dos Santos, morador da Rua Vitória.
Ele revela que o principal fato que o desmotivou a ir morar numa casa popular foi a burocracia. “Tinha que participar de um monte de reuniões, toda hora me pediam um documento diferente e, além disso, os interessados deviam aguardar um sorteio. Morei seis meses na casa da patroa da minha esposa. Depois reformei minha casa aqui no loteamento e resolvi voltar a morar aqui” explica.
Segundo um outro morador do Loteamento Progresso, que pediu para não ser identificado, por medo de represálias, além dos riscos de novos desabamentos as pessoas ainda convivem com a questão da falta de segurança no local.
“À noite, as casas abandonadas viram pontos de venda de drogas. Nós, moradores, temos medo até de sair de casa. Fingimos que não vemos nada para evitar problemas. Vez ou outra a polícia até faz uma ronda, mas eles sempre conseguem fugir. Tomara que os criminosos fugitivos do Complexo do Alemão, no Rio, não descubram o Loteamento Progresso”, diz.

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