Conforme já abordado em recentes reportagens publicadas por A VOZ DA SERRA, vários pontos da cidade afetados pela catástrofe climática do dia 12 de janeiro vêm sendo alvos de uma romaria de curiosos. Passado mais de um mês da tragédia, pessoas de todas as idades continuam percorrendo áreas devastadas pelo maior desastre ambiental do Brasil.
Um dos locais que tem recebido grande número de curiosos é o quarteirão que abrange o final da Rua Augusto Spinelli e as ruas Juvenal Namen e Cristina Ziede, no Centro. O trecho, um dos mais atingidos, foi onde três bombeiros morreram e o bebê Nicolas foi resgatado 13 horas após ter sido soterrado. Lá também houve o desmoronamento de parte de um prédio e de várias casas, causando a morte de muitas pessoas. Por conta disso, a região vem atraindo um sem número de curiosos, num vai e vem marcado pela perplexidade diante de tanta destruição numa área que não era considerada de risco.
Além do intenso movimento de quem vai apenas conferir o panorama pós-tragédia, há aqueles que ainda se aproveitam da desgraça alheia para aferir alguma vantagem. Segundo relatos de moradores daquela área, ocorreram saques em algumas residências interditadas, bem como nos escombros das construções que desmoronaram. Nem mesmo os veículos atingidos escaparam de ser depenados, conforme desabafo de um dos proprietários em matéria publicada na última semana em A VOZ DA SERRA.
Outros pontos da cidade, como a outrora turística Praça do Suspiro e o tradicional bairro de Duas Pedras, também se transformaram em locais de intensa visitação. “Várias pessoas ainda têm a cara de pau de ver as casas desabadas e perguntar a quantidade de mortos. Nunca vi tanta insensibilidade diante de uma tragédia que abalou toda a cidade”, disse um morador.
A presença de curiosos pode ser vista ainda nos bairros e distritos mais afastados, como Campo do Coelho, Conselheiro Paulino, Córrego Dantas, Rui Sanglard, Lazareto, São Geraldo e Alto do Floresta. Segundo moradores destas localidades, tem sido comum ver carros e pessoas passeando nas áreas atingidas, principalmente nos fins de semana.

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