Mais cinemas, shoppings, teatros, shows e casas noturnas são as reivindicações mais frequentes dos jovens de Nova Friburgo, que reclamam que a cidade oferece poucas alternativas de lazer e cultura. As queixas pela escassez de programas voltados para esse público sempre foram comuns no município e aumentam no período de férias escolares, quando os adolescentes afirmam que se sentem entediados sem ter o que fazer.
O tempo livre, o número limitado de atividades e o desejo de se divertir são a combinação perfeita para estimular, em alguns, a ingestão de bebidas alcoólicas. No caso dos menores de 18 anos, que não têm acesso a determinados lugares, as opções de diversão são ainda mais restritas.
A adolescente Patrícia Mayer, de 16 anos, conta que a única programação possível para a sua idade é ir ao cinema com as amigas.
“Em Friburgo não tem quase nada para se fazer, principalmente para quem é menor de idade. Na minha opinião, faltam um teatro, com peças para jovens, matinês de festas e shows com entrada permitida para menores de 18 anos”, analisa ela.
Para a estudante Taynara Wermelinger, de 12 anos, a melhor saída é passar as férias fora da cidade.
“Eu acho que seria bom ter um shopping maior e mais interessante. Como não tem, a gente viaja para a Região dos Lagos ou outros lugares legais”, explica a jovem.
Alexandre de Almeida Costa, de 18 anos, considera que a falta de investimentos em esporte e cultura, além do pequeno número de salas de cinema e de casas noturnas, favorece o uso do álcool como opção de divertimento.
“Quando não há nada para fazer, o pessoal logo sugere sair para beber. Eu sei como funciona porque vários amigos meus são assim. Nos finais de semana, a gente acaba indo para algum barzinho”, garante ele.
O universitário William Knust Reis, de 20 anos, também acha que a cidade não oferece vida cultural aos jovens, mas não concorda que isso aumente a procura por bebidas, cigarros e drogas.
“Teatro é uma coisa fundamental e que falta a Nova Friburgo. Fora isso, os poucos eventos que nós temos acabam se tornando inacessíveis, pois, em geral, são caros. Porém, penso que bebida é uma questão de consciência; se uma pessoa quiser beber, ela beberá, com muitas ou poucas alternativas. Para mim, os jovens bebem para se autoafirmarem”, conclui.
“Adolescentes, por falta
de opção, bebem e
fumam excessivamente”
Andrea Goldani*
Passar na porta de bares nos fins de semana, na certa, é encontrar adolescentes em grupo bebendo e fumando, jogando conversa fora. Por que tão cedo a bebida e o cigarro passam a fazer parte da vida dos jovens? Esta é uma pergunta que poderia ter muitas respostas—mas a falta de oferta de atividades para essa faixa etária é um forte indício de uma das causas.
Em uma cidade onde há maior quantidade de programas culturais, tais como teatros, concertos, shows e campeonatos esportivos, isto é, onde a participação dos jovens é ativa e constante, o risco de tê-los envolvidos com vícios é menor. O adolescente passa por muitas mudanças e, neste momento de fragilidade, procura seus pares no desejo de ser aceito e acolhido. Se os seus pares forem aqueles que têm função em grupos produtivos, o mesmo acontecerá com quem os procura.
É preciso que exista maior planejamento nas áreas de esporte, de cultura e de lazer. Vários países já comprovaram que este é o caminho pelo qual iremos driblar a sedução do álcool e do fumo. Até mesmo no Brasil e no Estado do Rio, projetos sociais como os que existem nas comunidades da Rocinha e da Mangueira vêm demonstrando o sucesso dos jovens que se envolvem com propostas. A boa ideia é substituir bebida e cigarro por um programa saudável que nos possibilite crescer, aprendendo que há muitas coisas melhores a serem feitas.
*Psicóloga e professora da Universidade
Estácio de Sá—Campus Nova Friburgo
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