A hora da memória

sexta-feira, 06 de maio de 2016
por Jornal A Voz da Serra

A EXATOS 738 dias para a comemoração dos 200 anos de fundação de Nova Friburgo, um rico patrimônio municipal se prepara para oferecer à população as novas instalações da Fundação Dom João VI, instalada no prédio da antiga Câmara Municipal, na Praça Getúlio Vargas, originalmente a residência do Barão de Nova Friburgo.

IMPONENTE, o prédio já abriga o Centro de Documentação — o conhecido Pró Memória — e se capacita para oferecer outras atividades culturais à cidade. Trata-se, portanto, de um local onde se poderá conhecer a história friburguense em seus inúmeros detalhes. O local passa por momentos de reestruturação, prevenindo-o contra os riscos de deterioração física do espaço da memória friburguense tão bem guardada ao longo dos anos, e objeto de permanente consulta por historiadores e leigos.

O PATRIMÔNIO cultural de Nova Friburgo é um setor que não pode ficar sem o apoio das autoridades culturais do município, do estado e do governo federal. É dever do estado e de todos os cidadãos que podem ter acesso ao seu passado histórico, resgatado ao longo dos anos revelando a quem hoje visita o Pró Memória toda a pujança da cidade surgida timidamente na serra, do decreto real de fundação, em 1818, aos dias de hoje como importante polo regional do estado do Rio de Janeiro.

A ANSIEDADE pela conclusão da obra é compartilhada também por todos aqueles que se preocupam com a cultura friburguense e têm naquele órgão público o seu principal acervo. Além disso, devido à sua abrangência histórica tornou-se referencial para diversos municípios resgatarem as suas memórias. Tais virtudes, por conseguinte, não podem prescindir de uma infraestrutura compatível com o material que conserva, vale dizer, recursos humanos e materiais.

O ESFORÇO do Pró Memória em obter verbas para o município pode ser recompensado através de diversos convênios com governos e instituições integrando-o com as políticas federais de “transversalidade cultural”, que buscam a integração relacionando-se com outras atividades que agreguem um amplo espectro cultural, comum a todos. A perspectiva de digitalização plena do acervo é uma das metas da Fundação e vem sendo prestigiada por nossas autoridades.

A RECOMPENSA pelo empenho, entretanto, não é suficiente para “zerar” o déficit histórico do município com a sua própria cultura. Por uma série de razões a cultura foi, para muitos governantes, o “patinho feio” da administração. Sem verbas e com pires nas mãos atrás de patrocínios, a cultura friburguense bateu às portas das autoridades e nada ou quase nada recebeu. Somente agora sai da incômoda situação, devolvendo a Nova Friburgo um destaque há muito perdido.   

A GLOBALIZAÇÃO valorizou as cidades que respeitam as suas raízes, possuem suas próprias artes, criatividade e realizações do cidadão comum. A cultura friburguense tem condições de interagir de forma duradoura, sem preocupações com o tempo dos mandatos eleitorais. Sua rica história não cabe em apenas um governo. É dever, portanto, de todos os gestores públicos adotarem uma política de continuidade cultural, valorizando, sempre, este legítimo direito de todos os friburguenses.

 

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