Guerra perdida?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
por Jornal A Voz da Serra

A PRESIDENTE Dilma Rousseff disse que todos os líderes da América Latina estão preocupados com o vírus zika, que pode causar microcefalia em crianças. “Agora, nós vamos iniciar um verdadeiro combate ao vírus zika. Será um combate casa a casa, em que o governo vai colocar extremo empenho”, afirmou.

DILMA voltou a dizer que, como ainda não há uma vacina contra o vírus, a ajuda da população no combate ao mosquito Aedes aegypti é essencial. O mosquito é vetor também da dengue e da febre chikungunya. Enquanto a presidente discursa, a dengue avança. Em apenas uma semana, no Rio, os casos subiram quase 100%. Este ano já são 3.954 casos suspeitos no estado.

A MELHOR vacina contra o vírus zika é o combate de cada um de nós, da sociedade, eliminando todos os focos nos quais o mosquito vive e se reproduz. Todos os países do continente americano provavelmente terão a circulação interna do vírus zika, com exceção do Chile e Canadá. O alerta foi feito pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

O PAÍS fracassa no combate ao Aedes Aegypti. Acabamos de descobrir que a zika é a mais provável causa do surto de microcefalia que já atingiu centenas de recém-nascidos. Segundo o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, a relação entre o vírus zika e a microcefalia “é inédita no mundo” e não consta na literatura científica. “Os cientistas que se interessarem, devem nos ajudar a provar essa causa e efeito”.

EM MEIO A frases de efeito e declarações estapafúrdias do governo, fica a questão: quanto o Ministério da Saúde irá gastar daqui para a frente para continuar combatendo o Aedes aegypti? Quanto a economia brasileira perde a cada vez que um trabalhador tem que se ausentar do serviço por conta das consequências da dengue e da chikungunya? Qual a extensão da Síndrome de Guillen-Barré? Pior: quantos bebês com microcefalia estarão condenados pelo resto da vida a uma existência sacrificada? O que o estado fará por eles? E pela família deles?

A INDAGAÇÃO comprova a gravidade do problema. O Brasil convive com o Aedes há décadas. A cada ano, gasta fortunas com campanhas de conscientização na tentativa de eliminar o mosquito sem sucesso. O mosquito só prolifera e passa por mutações que o tornam ainda mais resistente. Chega o momento de ações mais efetivas. É hora de o setor público agir com a plenitude da autoridade que as leis permitem para eliminar essa praga de nosso território. Estamos em estado de alerta geral.

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