Guardião do ajuste

sábado, 04 de abril de 2015
por Jornal A Voz da Serra

ESTA SEMANA o parlamento teve mais uma chance de explicitar sua contribuição ao ajuste fiscal do governo, antes mesmo da votação das medidas pelo Congresso, durante a explanação do ministro Joaquim Levy. O que os políticos devem fazer, a partir de agora, é dedicar-se ao debate consequente do ajuste, em vez de ficar tentando desqualificar as falas do titular da Fazenda.  

O LEGISLATIVO não poderá adiar sua participação no debate em torno do programa de ajuste fiscal do governo em nome de discordâncias políticas muitas vezes dissimuladas. É consenso no setor produtivo e entre analistas econômicos que não há outra saída para o país.

SE O CONGRESSO não se transformar em aliado do plano de austeridade fiscal, a sociedade saberá, mais adiante, cobrar pela omissão ou pelo boicote a um esforço que deve ser de todos. Não se pretende que os parlamentares venham a aderir sem críticas ao conjunto de medidas que procuram racionalizar receitas e despesas. 

É NATURAL que os congressistas, para cumprir plenamente sua função de legislar, questionem as iniciativas do Executivo, proponham alternativas e, se for o caso, inclusive rejeitem questões pontuais. Mas não podem se opor a uma necessidade inquestionável, representada pelos cortes de gastos em algumas áreas, para que a insegurança fiscal não continue imobilizando o setor produtivo. 

PARA QUE esse apoio se concretize, o ministro da Fazenda precisa continuar demonstrando, com total transparência, cada ponto do plano de recuperação das contas públicas e, por consequência, da economia. Ressalte-se que o próprio Joaquim Levy já anunciou que o atual ajuste pode ser a primeira etapa de mudanças mais profundas na gestão das finanças da União, no sistema tributário e nas relações do governo federal com os demais entes federativos.

OS POLÍTICOS não podem simplesmente boicotar essas intenções, sem ao menos participar seriamente da sua discussão. O que está em jogo não é o embate político com medição de forças partidárias. O que conta no momento é o futuro do país e o avanço das medidas de racionalização para levar o Brasil de volta ao caminho do progresso e do desenvolvimento. 

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