Glauber Braga tem encontro com eleitores na Acianf

Candidato falou do seu programa de governo e respondeu questões levantadas pela plateia
quinta-feira, 08 de setembro de 2016
por Ana Borges
O candidato Glauber Braga acompanhado do vice, Cláudio Damião, responde perguntas repassadas pelo moderador Willian Moliari
O candidato Glauber Braga acompanhado do vice, Cláudio Damião, responde perguntas repassadas pelo moderador Willian Moliari

Dando seguimento ao evento Encontro com Candidatos para a Prefeitura de Nova Friburgo, promovido pela Acianf (Associação Industrial, Comercial e Agrícola), Glauber Braga, acompanhado de seu vice, Cláudio Damião, esteve na sede da associação na manhã de segunda-feira, 5. No auditório, representantes de diferentes setores da sociedade foram recebidos pelo presidente Flávio Stern, que abriu o encontro e passou a palavra ao moderador Willian Moliari. 

O encontro, que contou com a cobertura da mídia impressa e televisionada, serviu para o candidato apresentar seu programa de governo, que tem como um de seus compromissos a gestão participativa, respaldando a sua administração em sua forma mais abrangente possível, em todos os setores: educação, saúde, mobilidade urbana, turismo e desenvolvimento econômico. A criação de um projeto, em particular, se destacou em seu programa: o Fri-Dados, que vem a ser uma espécie de “IBGE municipal”. 

“Em primeiro lugar partimos do pressuposto de que precisamos de um pacto pela cidade. É hora de Nova Friburgo dar a volta por cima e para tanto queremos um pacto para restabelecer a confiança”, disse, citando a enorme descrença no processo político que vem sendo ampliado ao longo dos anos, em todo o país. “Friburgo também passa por esse processo. Para que se consiga resgatar a confiança numa gestão em que a participação da população não fique apenas no discurso, precisamos de uma ação prática, de pactuação entre os setores envolvidos para realizar, de fato”, enfatizou, reiterando a “necessidade de um modelo de gestão diferente para o município”. 

Numa audiência concorrida, o candidato debateu as questões que mais afligem a população, como as citadas acima. Entre outros, compareceram: Fernanda Gripp (Sebrae), Ricardo Lemgruber (professor), Paulo Roberto de Souza (ativista ambiental), Laura Beviláqua (fotógrafa), Silvio Poeta, Gabriel Ventura (A Voz da Serra e Acianf), candidatos a vereador da chapa, estudantes universitários, empresários e representantes de entidades (como o Conseg) e órgãos não governamentais. 

Dados populacionais

Trabalhar de maneira conjunta, ter a oportunidade de se destacar como um prefeito articulador, é como o candidato pretende marcar a sua administração. “O trabalho de articulação é fundamental para fazer com que Friburgo alcance outro patamar no que diz respeito ao desenvolvimento econômico. Temos tudo para sair na frente em diversos setores da nossa economia, com polos importantes como floricultura, moda íntima, metalmecânica, cultura, gastronomia, turismo, entre tantos. Por isso enfatizo a importância da articulação, para unir todos esses setores numa frente de desenvolvimento onde tudo está entrelaçado”, afirmou Glauber.  

O candidato destacou como prioridade a permanente prestação de contas, através do projeto Fri-Dados, para dar transparência à aplicação do orçamento do município. “Não podemos, não devemos e não queremos ter a responsabilidade de, sozinhos, gerir o orçamento da prefeitura. Não é mais aceitável que apenas ao fim do mandato, quer dizer, quatro anos após uma gestão, se faça uma avaliação do uso do dinheiro público. Esse acompanhamento tem que ser contínuo, essa prestação de contas tem que ser regular. A gestão que estamos aqui apresentando e queremos implantar é do ‘pactuar para realizar’. E para isso vamos nos respaldar na articulação, para compatibilizar planejamento próprio com uma administração que estará permanentemente ouvindo a sociedade, todos os seus setores”, ressaltou. 

Segundo ele, prefeito, vice e secretários devem ter, pelo menos uma vez por mês, uma audiência pública. “Da mesma forma é preciso ouvir a sociedade, todos, com seus anseios, frustrações, reivindicações. Ouvidoria pública tem que ser incentivada e tornada realidade. Tem que ser incorporada pelo prefeito, vice, secretários e subsecretários. Ter a prefeitura como um agente público que vai dialogar o tempo inteiro com a comunidade e saber onde há problemas, é algo que o gestor municipal tem que priorizar. Temos uma proposta de efetivação da ouvidoria, de maneira prática, organizada para dar respostas em tempo aceitável. Hoje, temos a Lei de Acesso à Informação, que tem a obrigação de garantir respostas ágeis para os cidadãos”, reiterou. 

Para Glauber, falar em política pública sobre metas e objetivos comuns a serem alcançados, sem dados para que essas políticas sejam efetivadas, é um discurso que não vai ser, ao longo do tempo, sustentável, como política verdadeiramente de adequação de uma cidade diante da nova realidade. E defendeu: “Se estou falando de metas a serem cumpridas, eu preciso de um diagnóstico e esse diagnóstico só vem com dados coletados, para então poder discutir com o conjunto da sociedade. Precisamos desse levantamento, atualizado, para formatação das políticas a serem implementadas. O que importa aqui é se queremos uma cidade com política pública verdadeira, com diálogo e interlocução com a sociedade. Precisamos de dados claros para uma demonstração efetiva de onde a gente pode, deve e quer chegar”, insistiu o deputado.      

Quanto às agências reguladoras, Glauber disse que vai dar atenção especial às concessionárias de serviço público e seus contratos. “Essa relação deve ser estritamente profissional, baseada no cumprimento do que foi acordado e assinado, sem interferências de cunho pessoal, interesses outros não relacionados à concessão e prestação do serviço. Para ser mais explícito, em qualquer setor da administração pública não cabem favores pessoais. Não temos que fazer pedidos à concessionária de transporte público do município e não deveria ser uma prática da Câmara de Vereadores solicitar veículo para levar pessoas para um jogo de futebol, ou para qualquer evento. A relação entre prefeitura e concessionárias tem que se ater ao que foi contratado, tão somente. É uma relação pública e como tal deve ser tratada”, argumentou. 

Educação, saúde, mobilidade...

Na educação a meta do candidato é superar o analfabetismo no período de quatro anos. Pelos últimos dados do IBGE, segundo Glauber, Friburgo tem 7.000 pessoas que não tiveram direito à alfabetização. 

“Não estou falando de analfabetismo funcional, mas de sete mil pessoas que não sabem ler e escrever. Nossa meta é ousada mas temos a convicção de que pode ser concretizada com educação integral. Traçamos um planejamento de 15 anos nesse sentido. Temos 130 unidades escolares municipais. Vamos iniciar esse programa nos primeiros quatro anos pelas comunidades com o IDH mais baixo, que atinge diretamente os mais pobres. Para tanto, é preciso ter na prefeitura um órgão que garanta a discussão sobre os dados municipais que vão nos orientar sobre as medidas que devemos tomar. Daí, volto ao ponto preponderante de nosso programa de governo, que é o Fri-Dados. A ideia é implementar um programa nos dois primeiros anos, com 10% do total das unidades escolares, e ir avançando”, avaliou. 

Quanto à saúde, o candidato lembrou que “se utiliza 46% do orçamento municipal com esta área. Desses 46%, 30% é para pagamento de folha, e 16% para insumos e serviços. Portanto, 60 milhões de reais, por ano, são utilizados para serviços na saúde. No entanto, a percepção das pessoas, na qualidade desses serviços, só piora. Se for feita uma pesquisa com o usuário, ele não tem expectativas de melhora. É um desafio que temos que enfrentar e não vamos fugir dessa luta”.      

Sobre mobilidade urbana e trânsito, Glauber afirmou que Friburgo não pode mais aceitar improvisos. “O tempo que um indivíduo demora para ir de casa até o seu local de trabalho, para uma grande parte da população, entre ir e voltar é de três horas, a média de quem vive numa grande cidade ou capital. Um tempo absurdo que deve ser solucionado através de um plano de mobilidade urbana que indique claramente como resolver e em quanto tempo. O que tem sido feito até agora, não tem resolvido. Temos que encontrar soluções a curto e médio prazos, sem improvisos. Hoje, um trabalhador que precise ir de Amparo a Nova Suíça só tem duas opções: ir a pé e andar quase ou mais de uma hora, ou pagar quatro passagens de ônibus. São muitos os problemas pra resolver, executar medidas, otimizar os transportes, planejar”, discorreu sobre o assunto para em seguida continuar respondendo às questões levantadas pelo público presente. 

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