Friburguense conclui seu quarto Caminho de Santiago de Compostela

"O mais solitário, duro e desafiador que fiz. Mais de três mil quilômetros andados", diz Giovanni Faria
sexta-feira, 27 de julho de 2018
por Jornal A Voz da Serra
Giovanni chega a Finisterre, destino final de sua aventura (Reprodução Facebook)
Giovanni chega a Finisterre, destino final de sua aventura (Reprodução Facebook)

"Fim de mais um Caminho de Santiago de Compostela. O mais solitário, duro e desafiador dos quatro que fiz. Mais de três mil quilômetros andados". Assim o friburguense Giovanni Faria, de 58 anos, comemorou a conclusão, nesta quinta-feira, 26, sua quarta travessia, desta vez pelo percurso mais difícil, atravessando as montanhas da região das Astúrias, na Cordilheira Cantábrica. Desta vez, como planejado, a caminhada não terminou na cidade de Santiago: Giovanni ainda percorreu mais 100 quilômetros a pé, até Finisterre, o extremo da Espanha, onde o continente europeu encontra o Oceano Atlântico.

“Na Era Medieval, peregrinos do mundo todo seguiam até Finisterre, onde apanhavam no mar a concha símbolo do Caminho e prova de que tinham chegado ao destino final. E ali, como hoje, queimavam suas roupas como marco do início de uma nova vida. Até o descobrimento da América, no século XIV, acreditava-se que naquele cabo o mundo acabava. Daí o nome Finisterre – o fim da terra”, explicou.

Giovanni embarcou em 29 de junho. Antes de partir, A VOZ DA SERRA publicou reportagem, com vídeo, de suas aventuras. RELEMBRE AQUI A REPORTAGEM, COM VÍDEO, ANTES DE INICIAR A CAMINHADA.

Nas três vezes anteriores, o jornalista fez o Caminho Francês, com pequenas variações, em cenários de rara beleza, cruzando centenas de quilômetros entre parreirais de uva, girassóis e trigais, passando pelo País Basco e regiões como Navarra, La Rioja, Castelo e Leão e Galícia. Nas costas, uma mochila com apenas seis quilos –  o estritamente necessário, como duas mudas de roupa, saco de dormir, capa de chuva e material de higiene.

“Não importa o motivo para se percorrer o Caminho de Santiago,  religioso, espiritual, cultural. A única certeza é que ele mexe com a gente, nos desafia, nos torna melhor, nos ensina a conjugar o verbo compartilhar, tão esquecido nos dias atuais. Costumamos dizer que o Caminho de Santiago é apenas o passo inicial de uma nova concepção de vida, que continua quando voltamos para o dia a dia de nossas vidas, na cidade, no trabalho, na família, na vida social”, disse ele.

 

 

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