A força, disciplina e lealdade das mulheres de farda

No Dia Internacional delas, A VOZ DA SERRA ouviu três representantes do sexo feminino que falam sobre ofício e os desafios de ser mulher
terça-feira, 07 de março de 2017
por Dayane Emrich
Tamires Vellozo Gama (Foto: Henrique Pinheiro)
Tamires Vellozo Gama (Foto: Henrique Pinheiro)

Ao longo da história da humanidade, muitos foram os povos cujas mulheres participavam de batalhas, como os vikings, por exemplo. No nosso mundo ocidental moderno, entretanto, instituições militares foram compostas exclusivamente por homens durante muito tempo. Foi somente nos últimos anos que as mulheres passaram a atuar diretamente em forças de combate. Hoje, no Brasil, são cerca de 26.000 mulheres no Exército, Marinha e Aeronáutica — 7% do efetivo dessas corporações.

Em Nova Friburgo, a Guarda Municipal é chefiada pela primeira vez por uma mulher. Há ainda na cidade representantes femininas nas corporações da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. No Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta quarta-feira, 8, A VOZ DA SERRA ouviu três personalidades que falam sobre as particularidades do ofício e a relação com os colegas e a sociedade.


“Apesar de sempre ter tido vontade de ser policial, somente aos 30 anos, logo após me tornar mãe, decidi prestar concurso para a PM. No começo fiquei um pouco apreensiva por ter que ficar longe do meu filho, já que o recrutamento, no período de oito meses, seria em Teresópolis. Apesar da falta de coragem, o sonho de entrar para a corporação falou mais alto e eu, enfim, dei o pontapé inicial...
Sobre ser mulher na Polícia Militar, posso dizer que aqui não há distinção entre gêneros. Nós somos um conjunto, um grupo, temos as mesmas funções e fazemos as mesmas coisas. Eu trabalho na parte administrativa e na P3 (Sessão de Planejamento e Operações), e junto comigo, na corporação, há ainda mais de dez mulheres.
O Dia Internacional da Mulher é uma data muito marcante para nós, pois vemos o quanto nossas representantes lutaram para obter o reconhecimento dessa data. Atualmente, infelizmente, virou uma grande festa comercial, mas a ideia envolve a luta pelos mesmos direitos que os homens. Nós éramos marginalizadas, consideradas inferiores a eles, o que, na verdade, não somos. O dia 8 de março nos mostra o quanto somos capazes de realizar qualquer coisa. Hoje vemos mulheres na instituição da Polícia Militar, Exército, Marinha e até em outras profissões como motorista, pedreiro, antes ocupadas apenas por homens, e isso é sensacional. A mensagem que deixo é: não há motivos para nos sentirmos inferiores, somos capazes de tudo”.

Policial Militar - Kelly Cristina Silva de Novaes, 40 anos

 


“Estou na corporação há 18 anos. Fui indicada pelos meus colegas para o comando da guarda e empossada pelo atual prefeito Renato Bravo. É muito gratificante estar num cargo nunca antes atribuído no município a uma mulher e também a um guarda municipal. É uma honra e grande responsabilidade para mim estar à frente desta instituição, já que todos depositaram confiança em mim. Não posso decepcioná-los. Hoje comando 109 guardas e, destes, 15 são mulheres. Apesar de ainda estar na fase inicial do meu trabalho, venho estudando para pôr em prática os projetos de criação de um Grupamento Turístico e das Rondas Escolares.
Em relação ao preconceito, há muito respeito por parte dos meus colegas, tanto que fui indicada por eles. Nunca passei por qualquer situação desconfortável ou que me sentisse diminuída. A gente coloca o uniforme e automaticamente vira guarda municipal, não há distinção. Quando há treinamentos, nós fazemos questão de fazer tudo o que os homens fazem, exatamente para que eles não achem que estamos querendo vantagens. Essa postura parte muito de nós mulheres; se eles fazem, a gente também faz, afinal, queremos igualdade.
O Dia Internacional da Mulher reconhece o nosso papel na sociedade. A data marca a necessidade de reflexão sobre tudo o que as mulheres já passaram, conquistaram ao longo dos anos e ainda precisam lutar." 
Comandante da Guarda Municipal - Ofélia de Aguiar Martins, 37 anos

 

“Desde criança tinha o sonho de ser bombeiro, sempre admirei a profissão. Entrei para a corporação em 2013 e agora ocupo o posto de 2º tenente. Do total de 70 militares, trabalham conosco cinco médicas, duas técnicas em enfermagem, uma oficial de serviço interno e eu, que revezo o serviço da área administrativa, de segunda a sexta-feira, com os plantões 24h, isto é, a parte de salvamento. Hoje [terça-feira, 7], por exemplo, estamos fazendo o serviço de corte de uma árvore que caiu no Parque Juarez Frotté, em Cascatinha, e estou como comandante de operações, ou seja, dou as coordenadas de quem realizará quais funções.
Infelizmente, no meu caso, além de ser mulher, sou jovem e há um pouco de resistência por parte de alguns colegas. A maioria respeita, mas alguns demonstram, sim, um pouco de preconceito. Nós mulheres não devemos ter medo de alcançar nossos sonhos. Apesar de sermos chamadas de sexo frágil, somos muito fortes e determinadas. Claro, os homens têm mais força física mas, em compensação e exatamente por isso, raciocinamos mais e ganhamos nos quesitos habilidade, paciência e dedicação.
O dia 8 de março representa a nossa conquista por espaço, o reconhecimento ao valor que nós temos e encoraja a todas as mulheres a buscarem por seus sonhos”.
Bombeiro - Tamires Vellozo Gama, 23 anos

TAGS: