Fazenda da Laje: Um recanto paradisíaco

sexta-feira, 25 de março de 2011
por Jornal A Voz da Serra
Fazenda da Laje: Um recanto paradisíaco
Fazenda da Laje: Um recanto paradisíaco

Henrique Amorim

Situada a cerca de 15 quilômetros do Centro, a Fazenda da Laje é uma localidade entre os distritos de Conselheiro Paulino e Riograndina, que encanta pela beleza e seus inúmeros recantos naturais, com montanhas imponentes, belas cachoeiras, muito verde e o jeito típico das cidadezinhas do interior. Gente pacata e tranquilidade total. Todos estes atrativos, porém, deixaram de encantar turistas desde a tragédia de janeiro, quando dezenas de encostas deslizaram, formando avassaladores deslizamentos, que varreram tudo o que havia pela frente.

Exemplos dessa destruição podem ser constatados na antiga linha férrea Leopoldina. A estrada de terra, principal via da localidade, foi completamente engolida por gigantes barreiras em diversos trechos entre a Escola Comunitária Vale de Luz e a, agora extinta, ponte de ferro, um dos principais pontos turísticos da Fazenda da Laje. Com a forte tempestade, o nível do Rio Grande subiu mais de cinco metros e mudou completamente o cenário em suas margens. Onde havia vegetação nativa, hoje só se veem pedras e muitas árvores derrubadas. A força das águas nos trechos de corredeiras assusta.

“Estamos isolados e abandonados aqui. Quem mora depois da ponte de ferro só consegue chegar em casa passando pela RJ-148, em Riograndina, e Janela das Andorinhas, aumentando a viagem em mais de 20 quilômetros”, reclama um agricultor. Outro ponto turístico da Fazenda da Laje, o Sítio Manoel do Queijo, que era muito procurado por visitantes devido às cachoeiras, campo de futebol e área para acampamento, também foi seriamente prejudicado pela impossibilidade de acesso. “Não sabemos quando irão lembrar da Fazenda da Laje e retirar as barreiras da estrada. Como aqui é longe, certamente vamos ficar por último na lista dos trabalhos de recuperação. Com isso, esse lugar poderá ficar totalmente abandonado”, disse um dos funcionários do sítio. “Tem gente que nos últimos fins de semana que fez sol e calor se arriscou a vir aqui, mas quando se deparou com as enormes barreiras que tomaram conta da estrada teve que voltar. É difícil chegar até mesmo a pé”, disse o morador Leandro Barbosa.

A recuperação da ponte de ferro centenária é outra dúvida dos moradores. Muitos acreditam que ela, dificilmente, será vista novamente no local, embora parte da estrutura arrancada pelas barreiras das enormes pilastras de sustentação e com quase 20 metros de altura, tenha sido encontrada perto dali, levada pela correnteza. Muitos acreditam que outra ponte, sem o valor histórico e turístico da anterior, provavelmente de concreto comum, seja construída. Mas, não se sabe quando.

A tranquilidade reinante da Fazenda da Laje tende agora, infelizmente, a dar lugar ao silêncio do abandono. De acordo com moradores, muitos vizinhos deixaram a localidade.

No trecho inicial da estrada também sobram problemas oriundos das chuvas

Entre a esquina com a Rua Manoel Elias Perroud, no Loteamento Floresta, em Conselheiro Paulino, e o final do asfalto, a estrada da Fazenda da Laje apresenta também inúmeros problemas, devido à precariedade do estado de conservação do asfalto. Alguns trechos próximos ao Cemitério Trilha do Céu tiveram as margens desbarrancadas e sobram buracos na pista, prejudicando o tráfego de veículos e do ônibus da linha Centro-Fazenda da Laje, que passa por ali com intervalos de uma hora. O coletivo faz ponto final no término do asfalto, a um quilômetro do acesso à sede da Fazenda da Laje.

A propriedade - de dois milhões de metros quadrados - já teria sido desapropriada pela Prefeitura para a construção de três mil casas populares para os desabrigados das chuvas. Moradores acreditam que a localidade não consiga suportar o grande inchaço populacional com a construção do conjunto habitacional, que desencadeará novas demandas de infraestrutura no “novo bairro”. “Tomara que esses investimentos que serão feitos com as novas casas sejam estendidos também a toda Fazenda da Laje”, diz Sônia Campos, que mora na localidade há dois anos e pensa em mudar.

TAGS: