Farra bancária

quinta-feira, 30 de abril de 2015
por Jornal A Voz da Serra

NESTA SEMANA, as instituições financeiras começaram a divulgar o balanço do primeiro trimestre do ano. E as notícias são ótimas — para os acionistas. O banco espanhol Santander anunciou na terça um lucro líquido de R$ 1,633 bilhão em suas agências no Brasil, crescendo 14,4% mais do que o resultado no mesmo período do ano anterior. Na esteira da lucratividade, o Bradesco divulgou lucro líquido de R$ 4,24 bilhões. Em 2014, o lucro do Itaú foi de R$ 20,6 bilhões, e é o maior já registrado na história por um banco brasileiro privado de capital aberto.

MESMO COM inflação baixa ou alta, ajuste fiscal, juros em queda ou subindo, como determinou agora o Banco Central, população com renda menor, desemprego, economia patinando em termos de crescimento, pelo menos uma coisa não muda no Brasil: o lucro estratosférico dos bancos. 

NÃO CUSTA NADA lembrar que antes do governo petista de Lula este era o setor da economia brasileira que mais temia a chegada de um partido de esquerda ao poder. Especulavam sobre a criação de impostos sobre fortunas, que seriam destinados a programas populares num governo mais voltado para o social. Como se vê, nada mudou. Ou melhor: para os bancos, mudou para melhor.

OS BANCOS CONTINUAM dando as cartas na economia brasileira. São os donos do jogo. O governo tem que pagar juros altos para poder continuar contando com estes recursos. Em outros países do mundo, o dinheiro emprestado pelos bancos ao governo é apenas uma fonte complementar de recursos. Aqui não. Sem os recursos dos bancos, o governo não resiste e nenhuma outra atividade oferece um ganho tão expressivo.

PARA COMPENSAR qualquer perda, os bancos aumentaram as tarifas que cobram do cliente para emitir um talão de cheques, cuidar da conta ou fazer uma simples transferência bancária, entre outras cobranças. Como os valores cobrados são elevados, cabe ao cliente escolher a tarifa mais baixa. Mas, como mudar de banco no Brasil dá trabalho, muita gente nem olha quanto está pagando. O resultado é que as tarifas continuam altas.

O AJUSTE feito pelos bancos para não diminuir a lucratividade reflete, evidentemente, no bolso do consumidor e na transferência dos serviços para máquinas eletrônicas, desestimulando qualquer integração com seus clientes, além de reduzir drasticamente os postos de trabalho. Os exemplos estão espalhados por todas as agências, inclusive as de Nova Friburgo. 

O GOVERNO continua remando contra suas próprias promessas, indiferente aos apelos dos consumidores, para alegria dos bancos e azar da população. Os primeiros só têm o que comemorar. Já os correntistas permanecem na fila, pagam juros altos e, pior, não têm a quem reclamar. Este é o Brasil, um país de — quase — todos.

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