Facebunker - Padrão e conduta

Por Leonardo Amando - leonardoamando@hotmail.com
sexta-feira, 06 de julho de 2012
por Jornal A Voz da Serra

“Nunca se sabe, em verdade, com quem ou o que estamos lidando. E isso restringe, tolhe, inviabiliza construções

humanas muito mais proveitosas”

É bastante comum um grande número de pessoas assumir uma atitude rígida e um comportamento sempre previsível. Muitos se preocupam em saber qual a maneira correta de se comportar, como se só houvesse uma. Indagam-se que tipo de postura devem ter na vida, como se tivessem que encontrar a única correta. Pior ainda: assumem atitudes rígidas como forma de procedimento.

Se porventura se perguntarem se devem ser humildes ou orgulhosos, risonhos ou severos, podem pensar nessa sugestão: “Por que não devemos ter um repertório de diferentes formas de comportamento para utilizá-las em diferentes circunstâncias?”. Humildes quando necessário, sem perder a capacidade de sermos orgulhosos quando for adequado. Não seria uma tolice abrir mão de alternativas de comportamento somente para manter uma coerência que se mostra pouco própria para as diferentes ocasiões?

Nossa cultura cria uma armadilha na qual as pessoas ficam presas à ideia de que rigidez de comportamento equivale à seriedade e a qualidades de caráter firme e sólido, como se a grandeza de uma pessoa dependesse de sua falta de flexibilidade e de sua incapacidade para mudar, evoluir e progredir. Quando me perguntam sobre que partido tomar, respondo com uma provocação: “Por que tomar partido e não tomar inteiro?”

Evidentemente que isso se trata de uma exacerbação do conceito. Mas é para tentar ser compreendido. Resiliência é a palavra da moda em Recursos Humanos. Deve-se tê-la sempre à mão ou, principalmente, em mente, para quaisquer circunstâncias capazes de nos tirar do prumo ou testar nossa conduta ideal... No lar, no bar, no ambiente escolar. Em casa, um Lineu d’A Grande Família. Tudo muito esperado. E enfadonho. E falso.

Defende-se aqui o direito/necessidade de ser menos dissimulado, menos “político”. Sim, menos “político”, no viés daquele que age projetando perspectivas futuras. Daquele que mensura perdas e ganhos em face do que faz ou se abstém de fazer. De todas as artes, apenas uma chega a me causar repulsa: a arte da dissimulação. Aquela que permeia relações. Aquela que conhecemos desde sempre, arraigada no próprio conceito de sobrevivência. Nunca se sabe, em verdade, com quem ou o que estamos lidando. E isso restringe, tolhe, inviabiliza construções humanas muito mais proveitosas.

Chega de “comprar coisas que você não gosta, com um dinheiro que você não tem, para mostrar às pessoas um ser que você não é.” Pelo direito de ser autêntico. Pelo direito de arcar com as consequências desse ato.

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