Por Leonardo Amando
leonardoamando@hotmail.com
Sim, não sou daqui. Tampouco me programei para estar aqui no decorrer de 48 anos. Nova Friburgo nunca fez parte dos meus planos de adolescente ou homem feito. Estive em um hotel-fazenda, em Mury, em meados dos anos 80, durante um feriado. Também andei por Lumiar uma única vez, meio aéreo pela brisa local... Não conta.
Calma, leitor, não me tome como um forasteiro desnorteado, já explico... Para quem mora ou foi criado na cidade do Rio de Janeiro existe quase que uma obrigatoriedade implícita de percorrer os destinos turísticos da serra fluminense. Petrópolis e Teresópolis exercem uma concorrência um tanto desleal em comparação a Nova Friburgo devido à proximidade geográfica e consequente rapidez no acesso. Também são mais evidentes os atrativos relacionados às vivências da família real portuguesa, gerando intensos fluxos turísticos naquelas localidades. Por outro lado temos aqui uma cidade quase que inalcançável em face da sinuosidade da bela e perigosa RJ-130, a Tere-Fri. No imaginário fica a ideia de inacessibilidade e periculosidade... Todavia, dizem por aí que a mudança é a única certeza. Fato!
Em 14 de janeiro de 2011 o destino me trouxe definitivamente para Nova Friburgo, movido por uma urgência interior que me colocava na direção da solidariedade. Não cabe dizer por quais motivos saí de casa para aportar aqui. Todos sabem o que houve. De lá para cá, não larguei mais do pé de Nova Friburgo. Nem de todo o resto. Deixei-me levar pelo que não é óbvio aqui, movido pela tentativa de entender uma aparente contradição entre a cidade industrial e a cidade cultural.
Hardware e software. Operário e florista. Tóxico e orgânico. Entre o aço e a semente... Esse contraste me intriga. A harmonização dele também. Um amigo, chef de cozinha dos mais competentes, também trabalha na empresa da família produzindo elásticos e acabamentos para lingerie. Uma amiga, big boss das 9h às 18h, é pura musicalidade após o expediente. Coisas de Friba, dizem...
Aqui até mesmo a pobreza extrema parece ser mais digna do que nas Baixadas Litorâneas. Aqui é pau, é pedra, é flor, é rio, jamais o fim do caminho... Nova Friburgo tem recheio, e é por isso que ainda permaneço. Pretendo ficar o tempo certo, na medida em que minha atuação tenha sentido lógico entre você, leitor, e a grande rede.
Que façamos uma boa viagem!
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