Facebunker - Dia D Pais

Por Leonardo Amando - leonardoamando@hotmail.com
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
por Jornal A Voz da Serra

“Tempos difíceis. A redefinição dos papéis pegou muitos de surpresa. Aquele pai responsável por dar limites e soltar as amarras dos filhos se encontra em um impasse, compelido a suavizar seu discurso”

Neste domingo é dia. Pai, dublê de mãe. Pai nosso, pai herói, pai postiço, repressor. Cara, coroa, coadjuvante, principiante. Pai amigo, pai patrão, pai celestial, adotivo. Pai de todos, Adonai, samurai, monge, sábio. Esportista, cientista, artista, diarista. Leitor, ator, parceiro na dor. Músico, conselheiro, construtor. Aluno, diretor. Errante, inconstante, vacilante. Aprendiz, na dor e regozijo, de ser o que a vida lhe impôs. Ou ainda credor e mutuário da própria opção.

Há de ser de circo, dizem. Em meio às redefinições constantes do papel a ser desempenhado, reinventando a roda, indo a pé, muitas vezes, entre descaminhos e opções mal avaliadas.

Dia de refletir sobre padrões e condutas. Somos tudo aquilo que já não somos mais. Produto da exclusão de antigos papéis e da inserção de novos roteiros. Como seguir e por onde? Que caminhos são esses que ao nos apartar de antigos rótulos nos fazem mais vulneráveis e desnecessários?

Dia de refletir sobre grilhões e disputas. Libertar-se do que nos amarra e impele à competição desmedida, dentro e fora do lar. Dia de diminuir o ritmo, entrar em compasso com seu menino interior, e relembrar como tudo era mais simples quando pais não éramos. Dia de refletir sobre amizade e autoridade. Sobre qual é a medida certa, e sobre a legitimidade de quem mediu. A tênue película que separa a brincadeira do desrespeito. A hora precisa em que o amigo deve sair para entrar em cena o disciplinador. Se é que a palavra é essa em tempos de pregação do diálogo e do contraditório como instrumentos de consecução dos projetos de vida em comum entre pais e filhos.

Ajuste fino há de ser preciso a fim de assegurar um mínimo de verdade e crença no exercício da autoridade. Hierarquia? Quão impossível está exercê-la, ainda mais sem a certeza da mesma como fator crítico de sucesso da empreitada!

Tempos difíceis. Não somos mais necessários? Não tanto, como antes. Antes do que mesmo? Passou rápido, muitos não se deram conta. A redefinição dos papéis pegou muitos de surpresa.

Aquele pai responsável por dar limites e soltar as amarras dos filhos em face de uma postura - quase sempre de acolhimento e proteção - materna, se encontra em um impasse, compelido a suavizar seu discurso, seu modus operandi, sob pena de ficar à margem da sua própria história.

A você, parceiro na incerteza, ofereço minha homenagem e as palavras “foco” e “recompensa“. A

você, filho, sugiro: fique atento. Em breve poderá ser você um pai. O ciclo não se encerra, a reinvenção tende a ser permanente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
TAGS:
Publicidade