Excessos da propaganda (eleitoral)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010
por Jornal A Voz da Serra

Eu já decidi exatamente em quem NÃO votar nessas eleições.

O nobre e paciente leitor pode questionar o que lhe interessa de minha predileção eleitoral, mas peço atenção para o tema, que é de tamanha importância, exatamente neste momento em que se finda a pré-campanha e que teremos, pela frente, ainda dois meses de convívio com aqueles que estão postulando nos representar.

Não votarei em candidato que use fogos de artifício, fazendo inconveniente ‘barulhaço’, nos meus ouvidos, nos de meus filhos e de minha família - sobretudo nas tardes de sábados de meu raro descanso ou mesmo de meus escassos momentos de lazer, descontração e compras ou passeios pela tranquila e convidativa Avenida Alberto Braune – ou ainda no dos pobres e indefesos animais, que sofrem com a audição ampliada, sem falar ainda nas pessoas portadoras de necessidades especiais;

Não votarei em candidato que emporcalhe a cidade com prospectos e panfletos de promessas vazias e infundadas, que não farão diferença na minha cabeça de eleitor consciente;

Não votarei tão somente em candidatos, cujas placas – ainda que a ‘nova’ lei assim o permita – fiquem sozinhas, sem pessoas que as segurem, mas (inacreditavelmente) permaneçam lá, todos os dias, o dia todo, amarradas às grades de praças, aos postes e (pasmem!!!!) em árvores, inclusive infringindo a legislação ambiental.

Não votarei, muito menos, em candidatos que obstruam as calçadas com artefatos de suporte de sua propaganda, valendo-se de tijolos de blocos em concreto, degradando o cenário e a paisagem de minha linda Nova Friburgo. Esse caso é o cúmulo do absurdo.

Em boa hora, o jornal A VOZ DA SERRA (edição de 5 de agosto), em chamada de capa, nota na coluna de Giuseppe Massimo e no editorial ‘Entre o bem e o mal’, denuncia e condena a poluição que, inadmissível e lamentavelmente, transforma nossa principal avenida numa espécie de “lixeira visual”.

Onde andará o bom senso de nossos candidatos? E se falta a estes, onde estarão a de seus respectivos assessores?

Que exemplos querem ser, se para disputarem o nosso voto, se arvoram em cometer, tais deslizes de falta de cidadania, de falta de educação, de falta até de higiene e de limpeza e falta de bons costumes?

Como cidadãos e contribuintes, esperamos da fiscalização da propaganda eleitoral uma atitude, no mínimo coerente com as atribuições que lhe são inerentes. Se a legislação determina que não se pode comprometer praças, logradouros e equipamentos públicos com peças da propaganda eleitoral, até quando conviveremos com os gradis ao longo de nossas avenidas Galdino do Valle e Comte Bittencourt como se fossem pau de amarrar burros, servindo de suporte para painéis publicitários de gosto duvidoso?

Por fim, estou disposto a inverter a situação.

Como para saber em quem não votar, está fácil, penso sinceramente em me candidatar a eleitor; eles, os candidatos, é que vão ter que me escolher, se virando para obterem o meu voto, mas sem prosopopéias e artifícios dúbios e inconsistentes, de painéis que não ‘entram e nem cabem’ na urna

Vai levar, evidentemente, aquele(s) que conseguir(em) me provar, não só que tem os melhores projetos, as melhores idéias, mas sobretudo, terão que começar por me convencer de suas verdadeiras e boas intenções. Até agora, pela contraproducente propaganda que utilizam, estão longe, mas muito aquém mesmo de minhas intenções de voto.

EM TEMPO: o mundo e a tecnologia evoluem, já estamos já no século 21. É mais do que hora também da campanha eleitoral deixar de utilizar recursos tão retrógados.

(*) O autor é jornalista

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