Eloir Perdigão
O Centro de Estudos Supletivos (CES) de Nova Friburgo, tradicional órgão de ensino por módulos da rede estadual, esteve em festa na noite de terça-feira, 7, com o lançamento do filme Adoro todas as flores, produzido pela própria equipe do CES, através do projeto CES Cine Eldorado. Tem como protagonista a ex-aluna Rita Ramalho, apontada como mulher brasileira, persistente e de luta, uma guerreira que encontrou seu lugar e sua missão no mundo após estudar no CES. Além de toda a equipe do CES, ex-alunos colegas de Rita e alunos atuais, o lançamento contou também com a coordenadora de Educação, Valéria Gomes.
O projeto do CES teve início em 2007, com o filme E os olhos se abriram, com o depoimento de três alunos, Jaqueline, de baixa visão, Marcelo, surdo, e Silvania, da zona rural. O filme, lançado esta semana, enfoca o depoimento da ex-aluna Rita Ramalho, que venceu as dificuldades e contou com grande apoio dos professores do CES.
Para a diretora Águeda Knupp, o lançamento era um momento marcante, maravilhoso, pois o filme, em sua opinião, não mostrava somente um pouco da vida de Rita, e sim uma declaração de amor ao CES. O filme tem direção e roteiro do professor Manoel Expedito, contando com os professores Almir Gomes de Oliveira e Cesar Lapa. A música do filme é de Jozi Luka, também integrante da equipe do CES.
Expedito explica que o papel pedagógico do CES na cidade transcende a visão tradicional de escola. Ali os professores procuram sempre inovar e ir além.
“Nós vivemos o século da imagem e temos que nos apropriar da imagem e utilizá-la em favor dos alunos, da nossa metodologia, da busca para que nossos alunos descubram seu lugar ao mundo”, acentua.
Para ele, o filme tem o objetivo de mostrar não somente a importância do CES Nova Friburgo para a cidade, como também um instrumento útil para que as pessoas se encontrem.
“A Rita, como está no folder, é mulher brasileira, guerreira, que o CES a ajudou a encontrar o seu lugar e sua missão no mundo”, diz.
Antes do filme Rita mostrava-se nervosa, porém se confessou feliz, porque pessoas, como as que integram o CES, acreditaram nela, no ser humano, um ser capaz. “E acima de tudo porque a mulher pode, que nós, mulheres, podemos”. E ela louva sua passagem pelo CES, “que vai continuar sempre na minha vida”.
Foram várias as mudanças na vida de Rita devido à sua passagem pelo CES. Ela aponta como uma das principais o fato dela saber se expressar, de aprender, ter um pouco mais de conhecimento, conhecer pessoas com pensamentos diferentes e aprender lidar com as diferenças.
Muito aplaudida após o filme, Rita falou de sua experiência de vida. Narrou sua primeira vez em sala de aula e sua vida na escola. Morou dez anos em Manaus e retornou a Nova Friburgo em 1996, quando voltou aos estudos, no CES. Confessou que chorou quando concluiu os módulos e recebeu seu certificado do segundo grau (hoje ensino médio). Falar a uma plateia, como aquela que a assistia no auditório do CES, foi uma das muitas mudanças em sua vida, bem como a participação em movimentos sociais, quando se conscientizou que poderia ter vez e voz.
“Você é o milagre do CES”, disse a coordenadora Valéria Gomes, completando que as pessoas podem mostrar seus talentos no CES, educandário cujo sucesso ela vem acompanhando. Valéria parabenizou Rita pelo seu incentivo a outras mulheres para que façam o mesmo que ela. “Eu sou uma admiradora sua e do CES”, encerrou a coordenadora.
Outros depoimentos se seguiram, como da filha de Rita, Maiara, que falou um pouco sobre sua mãe e disse que passou nove anos sem vê-la. “Foram nove anos terríveis”, afirmou. “Mas ela permaneceu minha amiga durante todo esse tempo, guerreira, companheira”.
Ao fim da festa, foi servido coquetel de confraternização.

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