Vinicius Gastin
O calendário apertado por conta da Copa do Mundo provocará mudanças no sistema de disputa do campeonato carioca de 2014. Na última semana, representantes dos quatro grandes clubes da capital, da emissora que detém os direitos de transmissão do torneio e o presidente da Federação Nacional de Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf), Alfredo Sampaio, estiveram reunidos na sede da Federação de Futebol do Rio de Janeiro e praticamente definiram que o estadual do próximo ano terá pontos corridos, em turno único, e os quatro primeiros avançarão para as semifinais. A competição começa no dia 19 de janeiro e vai até o dia 13 de abril — com um total de 19 datas.
No próximo dia 7 o arbitral na sede da Federação reunirá os 16 times da primeira divisão carioca e a nova fórmula de disputa deverá ser confirmada. Apesar de as mudanças ferirem o Estatuto do Torcedor — a atual fórmula deveria vigorar por mais um ano de acordo com a lei —, os times de menor investimento acreditam que o bom senso deve prevalecer e sinalizam com a aprovação.
Siqueira faz alerta
No Friburguense, as possíveis alterações no regulamento do estadual são tratadas com naturalidade, mas geram preocupação para o futuro próximo. O gerente de futebol José Eduardo Siqueira deve votar a favor da mudança para 2014, mas o clube teme por uma reviravolta ainda maior na temporada seguinte. O motivo é a grande possibilidade de os grandes da capital terminarem o torneio nas primeiras colocações — o que não aconteceu nos últimos anos, e desta forma, ampliar o poder nas votações dos arbitrais. Em curto prazo, Siqueira pontua os pontos positivos e negativos do turno único.
"Não teremos aquele espaço entre o primeiro e segundo turnos, mas as possibilidades de ter um time de menor investimento diminuem bastante”, comenta o dirigente.
O sistema de transmissão pela TV aberta não deve sofrer modificações, e a emissora que transmitirá os jogos continuará com o poder de definir a grade de programação. Sendo assim, não há como garantir a volta de um grande clube a Nova Friburgo em 2014.
Como funciona a votação no arbitral
O voto de cada clube tem um peso diferente de acordo com a classificação final do último campeonato: em ordem decrescente, do peso 16 para o primeiro colocado até o peso 1 para o vice-campeão da Série B, que pega a vaga do último da Primeira Divisão. Atualmente, os 12 times de menor expressão juntos possuem 78 votos, contra 58 de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Audax, Nova Iguaçu, Bangu, Friburguense e Bonsucesso garantem que irão aprovar o novo modelo de disputa, e os votos somados aos dos quatro grandes do Rio representam peso 86, suficiente para a aprovação. Oitavo colocado em 2013, o Frizão possui peso 8 na votação.
Foco total
Friburguense terá a semana livre de preparação para jogos decisivos
Terceiro colocado do grupo C e a quatro pontos do vice-líder America, o Friburguense não poderá mais tropeçar para seguir em frente na Copa Rio. O Tricolor da Serra terá a semana livre para treinar e o técnico Luiz Mendonça terá a oportunidade de preparar a equipe para a sequência decisiva de jogos. O primeiro deles será no próximo sábado, contra o São Gonçalo, no Clube Mauá. Em seguida o Frizão recebe o America no Eduardo Guinle.
Além das questões físicas e táticas, o lado psicológico receberá atenção especial. Ao analisar a derrota para o Madureira, Mendonça criticou a atuação do Friburguense no primeiro tempo em Conselheiro Galvão, e explicou a mudança de postura na etapa final. "Tentei mexer com o brio dos jogadores e disse a eles que o Friburguense não poderia fazer um primeiro tempo tão apático. A segunda etapa teria que ser diferente, e se não fosse possível na técnica, teria que ser na vontade. Fiz as duas mudanças, adiantei a marcação, avancei os laterais e deixei o Damião e o Pierre colados nos meias. Dessa maneira e com o Paulo Roberto segurando a bola no ataque, conseguimos sair da defesa e agredir mais o adversário.”
O treinador admite que os três desfalques — Jorge Luiz, Toshyia e Romulo — foram sentidos pela equipe, mas não culpa os substitutos pelo resultado negativo em Madureira. Do trio, apenas Romulo tem o retorno garantido contra o São Gonçalo. "Os garotos não comprometem e nem temos que jogar a responsabilidade sobre os meninos. Todo mundo perde e ganha. Tenho a minha parcela de culpa também. O grupo todo errou na hora que não poderia e teve que correr atrás do prejuízo. A derrota nunca é boa, mas nós temos um jogo a menos e temos que buscar a vitória a qualquer custo. Dessa forma, a gente encosta novamente nos primeiros colocados e teremos o America no Eduardo Guinle para decidir a nossa vida. Ainda enfrentaremos o São Gonçalo em casa.”
Treinador elogia estreantes
O Friburguense não venceu o jogo, mas ganhou novas opções na visão do técnico Luiz Mendonça. As boas participações de Vitor e Paulo Roberto e a boa fase do lateral esquerdo Felipe, autor do gol, renderam elogios do treinador. "Eu, pelo menos, penso dessa forma. Não é o que o torcedor quer ouvir. Assim como a gente, eles querem saber do resultado, da vitória. Eu tinha a opção de colocar mais um jogador de meio-campo, mas não gosto de retranca e tentei manter o time à frente. O Vitor foi muito bem, assim como o Paulo e Felipe, que assumiu a lateral devido à contusão do Victor Hugo e está se apresentando bem, aproveitando a oportunidade.”
A movimentação de Vitor no ataque foi uma das principais armas do Tricolor da Serra contra o Madureira. O atacante baiano de 19 anos passou pelas divisões de base do Vitória-BA e chegou ao Friburguense através do mesmo empresário de Toshyia, a quem substituiu. "É uma boa aposta, e acredito que dará bons frutos para o Friburguense, um jogador de técnica, velocidade e consegue associar bem as duas coisas. Em alguns momentos, ele acelera o jogo e possui bom passe. O Vitor foi uma válvula de escape pro nosso time, como é o Toshyia, mas nós erramos em tentar jogar a bola alta na direção deles. Os zagueiros do Madureira são grandes, e pedi para jogar rasteiro”, avalia Mendonça.
Aos 24 anos, Paulo Roberto ganhou nova chance no clube nesta Copa Rio. O centroavante teve passagens por Corinthians e Internacional durante a base, mas não conseguiu se firmar. No Friburguense, participou da campanha de acesso à primeira divisão em 2011. A atuação no jogo contra o Madureira agradou, mas Mendonça lembra que o jogador ainda precisa perder três quilos para chegar ao peso ideal.
"O Paulo ainda está com 92 kg, e o ideal é 89. O biotipo dele é de jogador forte, e precisa entrar no ritmo. Tenho certeza que vai conseguir e nos ajudar muito na competição. Ele tem a capacidade de segurar a bola no ataque, prende a marcação, e dessa forma dá tempo pro time sair da defesa, não ficar no sufoco. Em Conselheiro Galvão não conseguimos isso no primeiro tempo.”

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