Esperança celebra 103 anos com festa, lembranças e hino

NFFC homenageia personagens que fizeram parte da história do futebol friburguense e lança hino
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
por Vinicius Gastin
Autoridades, representantes e dirigentes formaram a mesa para as homenagens
Autoridades, representantes e dirigentes formaram a mesa para as homenagens

Uma história mais do que centenária, que permanece viva nas cores do Nova Friburgo Futebol Clube e no coração de todos que de alguma forma participaram dos tempos áureos do esporte municipal. Para recordar parte desses momentos, a sede do time verde, vermelho e branco vestiu-se especialmente com as cores do Esperança Futebol Clube no último domingo, 9, exatamente para celebrar os 103 anos de fundação do time esperancista.

“Nossa festa tem como o objetivo de lembrar e agradecer a todos que contribuíram para o crescimento do nosso clube. Também precisamos pensar no nosso futuro para concretizar nossos sonhos no Nova Friburgo Futebol Clube”, destacou o presidente do Conselho Diretor, Luiz Fernando Bachini (foto).

Durante a cerimônia, foram homenageados alguns dos personagens que fazem parte da trajetória do Esperança. Os agraciados receberam uma certificação de agradecimento pelos serviços prestados. Ivan Gambini, Nelson Spitz, Olney Botelho, Pedro Veloso, Lúcio Flavo, Renato Costa, José Nilson da Silva, Jaci Leoncio (representado por Joarez Leoncio), Ivan Pinheiro, Jorge Carvalho, Sadi Ribeiro (representado por Arthur Ribeiro), Carlinhos Fonseca, Humberto Fontão, Valcir Ferreira e Luiz Fernando Bachini foram condecorados.

A mesa do evento foi composta por Luiz Fernando Bachini (Presidente do Conselho Diretor), Carlos Arnaldo Berbert (Presidente do Conselho Deliberativo), Vera Cintra (representante do Deputado Estadual Wanderson Nogueira), Waldemir Velloso (Secretário de Esporte), Eduardo Valentim e Jorge Carvalho (Representantes do Conselho Deliberativo), Wagner Faria (Friburguense) e Odgir Rapizo (Tesoureiro do Nova Friburgo F.C).

Lançamento do hino

Outro ponto alto do evento foi o lançamento do hino oficial do Nova Friburgo Futebol Clube – que já havia sido executado na noite anterior, durante concerto da Banda Campesina Friburguense na Praça Marcílio Dias. A letra e melodia foram compostas por Valcir Ferreira (foto) e Paulo Mendonça, e apresentada por Valcir, ao vivo, aos diretores e demais convidados da festa. Música e coquetel também fizeram parte das comemorações.

A história

A história começa ainda no início do século 20, quando estudantes de várias partes do país migraram para Nova Friburgo e trouxeram a até então desconhecida bola de futebol. Os moradores do bairro Vilage passaram a frequentar o Colégio Anchieta e as partidas amistosas de futebol foram disputadas no campo da escola.

A brincadeira tomou proporções maiores. As famílias Sertã, Spinelli e Van Erven estreitaram as relações e passaram a organizar os jogos. No dia 26 de abril de 1914, uma reunião no Hotel Salusse fundou oficialmente o Friburgo Futebol Clube. Durante os primeiros anos, os duelos eram realizados na Avenida Galdino do Valle Filho e na Rua Oliveira Botelho. Em 4 de setembro de 1922, o Friburgo passou a utilizar o Estádio Raul Sertã, um espaço de nove mil metros quadrados, no coração da cidade.

O esquadrão vermelho e branco tornou-se o time a ser batido. Em 1915, o Friburgo goleou o União pelo placar de 11 a 0 e os dirigentes, insatisfeitos, responderam à derrota com a criação do Esperança Futebol Clube. Junto ao time esperancista nasceu uma grande rivalidade que, mais tarde, curiosamente, desencadearia a fusão. Os operários criaram o seu próprio clube de futebol, o União Foot-Ball Club, em fins de 1914. O clube mudaria de nome por causa de um fato inusitado. Em novembro de 1915, em um jogo amistoso contra o Friburgo F.C., o árbitro Peri Bartojo teria beneficiado o adversário. Ao término da confusão, proferiu uma ofensa ao União, cuja camisa era preta e branca. Disse o juiz: “A camisa do União é preta e branca. Preto que quer ser branco não é uma coisa nem outra”.

O preconceito contra o negro era latente na sociedade da época e refletia no futebol, tido como esporte da elite. Por conta da confusão, em 5 de dezembro de 1915, criou-se o Esperança Foot-Ball Club , com as cores verde e branco.  O símbolo do clube, o Dragão Verde, foi escolhido por Sebastião Oliveira na edição de 26 de maio de 1955, no Programa Ondas Veredejantes na Rádio Sociedade de Friburgo AM.

A explicação para as cores deve-se ao referencial verde da palavra esperança. A primeira diretoria foi constituída pela assembleia de fundação, tendo como presidente foi Manoel Gonçalves Neto, o Zinho e o vice-presidente era Dídimo Manoel de Oliveira. Os primeiros anos de vida do Esperança F.C. foram difíceis, uma vez que clube não contava com a simpatia nem a aprovação da burguesia, reunida pelo Friburgo.

Durante uma assembleia realizada em 16 de setembro de1973, foi aprovada a fusão com o E.C. Conselheiro Paulino. Exatamente seis anos depois (16 de setembro de 1979), uma nova fusão foi concretizada: Esperança F.C. e Friburgo F.C., dando origem ao Nova Friburgo F.C.

Paixão de Laercio Ventura

Dentre tantas outras paixões, o eterno diretor de A VOZ DA SERRA, Laercio Rangel Ventura, era um apaixonado pelo futebol. Torcedor do Fluminense no Rio de Janeiro, reservava um espaço especial para o verde e branco do Esperança em seu coração e ocupou diversos cargos no clube esperancista, inclusive o de presidente. O pai, Américo Ventura Filho, foi fundador do Esperança Futebol Clube e Laercio herdou essa paixão, trilhando o mesmo caminho. Em 1945 ingressou na categoria juvenil do Barroso Futebol Clube. Laercio teve a oportunidade de atuar ao lado de craques como Robson, Jandir, Arnoldo e outros.

Apesar da distância, jamais se afastou de Nova Friburgo, sua cidade natal, tampouco do clube do coração, o Esperança. No Verdejante da Vila Mariana foi companheiro de atletas como Paulo Banana, mas a trajetória como jogador foi interrompida devido a uma lesão no joelho. Laercio concluiu os estudos e retornou definitivamente para Nova Friburgo, onde passou a fazer parte da diretoria presidida por Juvenal Marques.

Em 1967, assumiu a presidência do alviverde do Estádio Oscar Machado. As obras o levaram a ser reconhecido como um dos maiores presidentes do futebol municipal de todos os tempos. Laercio Ventura conciliava o comando do Esperança com o cargo de gerente das Indústrias Sinimbu, onde foi técnico campeão friburguense de futebol de salão, ao lado de nomes como Chiminga, Bibi, Manoel Moreira, Bieca, Leiver r Leão.

Em meados de 1976, o Esperança Futebol Clube foi incorporado ao Conselheiro Esporte Clube. Laercio foi um dos mentores e incentivadores da união que fez nascer o Nova Friburgo Futebol Clube, em 16 de setembro de 1979.

 

O hino do Nova Friburgo:

Autores: Valcir Ferreira e Paulo Mendonça

 

A chama viva que nos dá à esperança

Verde e vermelho que aquece o coração

Sempre buscando as vitórias

És o nosso campeão

 

Nova Friburgo Futebol Clube

Uma corrente com elos de aço

Muitas histórias de heróis que te honraram

E com muita garra te fizeram brilhar

 

Na sua história tu és imortal

O Friburgo ao Esperança se uniu

Sempre foi o orgulho da nossa cidade

Mostra seu valor para o Brasil

 

Nossa torcida canta bem feliz

Vencer, vencer, vencer

Sempre brilhar, brilhar, brilhar

Aonde quer que você vá

 

4 fotos – legendas:

1- Presidente Bachini foi um dos homenageados durante a cerimônia

2- 

3- Domingo foi de recordações para os presentes: comemoração aos 103 anos do Esperança

4- Um dos autores do hino, Valcir Ferreira interpretou a canção para os presentes

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