Espaço de Leitura - Você ouve rádio?

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Francisco Gregório Filho

Outro dia, ainda madrugada, ouvia o rádio. É isso, liguei o rádio às quatro horas da manhã. Sintonizei em uma das estações da rádio da cidade.

O locutor, com uma voz um tanto impostada, anunciava a hora de quando em quando, tocava músicas solicitadas pelos ouvintes que chegavam a ele, via mensagens pelo celular ou email no computador, ou ainda cartas chegadas pelo correio. O nobre locutor atendia aos pedidos musicais intercalados com mensagens comerciais e vinhetas de divulgação institucional. Com a voz firme e algumas inflexões desconectadas com os sentidos dos textos lidos, fiquei a ouvir esse apresentador de programas de rádio e a pensar em seu roteiro musical formado por canções populares, inspiradas por seus criadores a partir de casos amorosos e aqui e ali, um rasgo de poesia nas letras cantadas por cantoras e cantores apaixonados.

Pois bem, amigos leitores, vejam o que me aconteceu: chorei. Isso mesmo. Fiquei aos prantos quando no ar tocou a música “Não joguem lixo no chão”. Música e letra compostas por um amigo pelo qual tenho grande admiração e o considero um grande criador, um poeta, o compositor Vital Farias. A gravação veiculada pelo programa de rádio foi realizada também por outro amigo (já saudoso, falecido no mês de junho passado em Salvador/BA), Décio Marques, que reuniu sua voz às vozes de um grupo de crianças de uma escola pública que, na minha opinião rendeu um registro sonoro de grande qualidade e altamente comovente.

Repasso aqui minha sugestão para que os amigos leitores desta coluna procurem ouvir o CD do Décio Marques e divulgar essa peça artística e poética para crianças e jovens de nossas escolas. Trago de pronto para vocês conhecerem a letra da canção:

NÃO JOGUE LIXO NO CHÃO

Vital Farias

Não jogue lixo no chão

Chão é pra plantar semente

pra dar o bendito fruto

pra alimentação da gente

O peixe que sai do rio

O amor que sai do peito

A água limpa da fonte

Um sentimento perfeito

Não jogue lixo no chão

Chão é pra plantar semente

pra dar o bendito fruto

pra alimentação da gente

A terra que tudo cria

Não pede nada demais

Ser tratada com carinho

Para vigorar a paz

Não jogue lixo no chão

Nem rios, lagos e mares

A terra é nossa morada

Onde habitam nossos pares

Não jogue lixo no chão

Chão é pra plantar semente

pra dar o bendito fruto

pra alimentação da gente

A natureza é quem cria

O amor imediatamente

Milagre que faz a vida

Bendito fruto do ventre

Se queres sabedoria

Aprenda isto de cor

A terra é a mãe da vida

Útero, ventre maior.

Nasci e cresci ouvindo rádio. Em minha casa o rádio era trabalhador e nos acompanhava nos afazeres do dia. Conhecíamos os nomes dos locutores e identificávamos pela inflexão da voz e o tom de verdade que fazia-nos crer nas maneiras diversas de transmitir uma notícia, ou um comentário parecido com uma crônica.

Apreciava muito o conhecimento que alguns emitiam sobre as músicas escolhidas e seus intérpretes e compositores. Vivia atravessado por aquelas canções que mexiam com os meus sentimentos e me ajudavam a me lançar para as coisas da vida.

Não precisávamos ficar parados para ouvir o rádio. Escutávamos com corpo desempenhando tarefas diversas dentro de casa ou nas varandas, alpendres, jardins e nos quintais. Regulávamos o volume do rádio conforme o desejo ou a distância com que nos encontrávamos dele.

As notícias do mundo, de longe, nos despertavam a imaginação e os comentários quase sempre entre os de casa. O tempo inteiro nos sentíamos impregnados com a poesia e as metáforas das letras das músicas e pensávamos conexões com as nossas vidas. As melodias, muitas delas, moram até hoje em meu corpo, meu coração e em minha mente.

Parte da minha formação como leitor vem desse tempo e dessas escutas que me colaram fundo. Sou um ouvinte de rádio até hoje. Claro, o tempo para a escuta diminuiu muito, mas sempre que dá vontade e tenho disponibilidade estou eu lá com os ouvidos ligados no som do rádio. Também fui um trabalhador de rádio. Exerci as funções de produtor, locutor, discotecário, programador e até de diretor.

Sou um admirador desse fazer da comunicação que reúne e agrega pessoas das mais diferentes origens e status e promove o estado de aprendizado em todos.

Você, amigo leitor, gosta de ouvir rádio? Ainda ouve belas canções tocadas nos programas de rádio de nossa cidade ou isso é coisa do passado? Meus abraços, pedindo licença para sintonizar mais uma estação em meu aparelho sonoro.

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