Espaço de Leitura - Leituras

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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Francisco Gregório Filho

Falo aqui de um lugar muito pessoal, sim? Acredito muito nas pessoas que atuam como mediadoras em diversas práticas leitoras e desenvolvem um sentido de responsabilidade social. Aí, na grande maioria das vezes, vem o desejo de compartilhar, atuar em conjunto, junto ao outro e/ ou aos outros para melhorar seu desempenho solidário e político.

A ideia é: “Te ajudo e tu me ajudas—nós nos ajudamos. Digo como leio o mundo a ti e tu me dizes como o lê. Escuto a ti e tu me escutas”. Escolhemos textos, imagens e histórias para as nossas leituras. Conversamos sobre elas, sobre as maneiras como as entendemos e aí podemos romper juntos, talvez, o senso comum que está impregnado em nós. Com respeito às escolhas um do outro e também ao tempo de desenvolvimento emocional e intelectual de cada um. Bom, nesse processo, vou me tornando um leitor melhor do mundo, como ainda um escritor de palavras, de imagens e de narrativas. E simultaneamente um mediador de leituras em diferentes textos e suportes nas muitas linguagens, especialmente, as artísticas.

Considero-me um leitor e um escritor em processo—em formação—que é continuada, um aprendente, em permanente estado de aprendizagem. Sou um narrador—aquele que narra a dor—as dores humanas—aquelas que são de todos os humanos. Então também desenvolvo essa função de mediador—mediar a dor. A minha e/do/com o outro.

Assim penso que um mediador, um criador, fruidor e protagonista de leituras, exerce melhor esse papel de grandeza social: mediador de leitura. Com os livros, os CDs, os DVDs, os blogs, as revistas, os jornais, as brincadeiras, as memórias e a voz do outro. Repassa uma boa notícia ou uma criação de um ao outro, com imensa satisfação.

Torno-me então um promotor de leitura. Um promotor da arte da convivência—o ouvir e o contar histórias. Com alegria, prazer e entusiasmo, contagiado e contagiando o outro em interesses para conhecer as experiências humanas que foram registradas e publicadas pelas mulheres e pelos os homens.

Amigos leitores, vocês são conhecedores que, aqui neste espaço, tenho deixado sempre uma sugestão de leitura de um livro ou de uma revista ou ainda de materiais apresentados em outros suportes e linguagens.

Hoje peço licença para trazer uma sugestão de leitura de um jornal. Sim, o jornal da Biblioteca Pública do Paraná, que se chama Cândido. Para adquirir um exemplar é só escrever para o endereço da Biblioteca na Rua Cândido Lopes, 133, em Curitiba.

Em seu número 12, o Cândido de julho de 2012 tem como destaque “O lugar da poesia”. O mais antigo e menos comercial dos gêneros literários permanece como um ato de resistência no século XXI. Então pincei um poema de Zulmira Ribeiro Tavares, professora e escritora que vive e trabalha em São Paulo. O poema tem como título “Leituras”:

Minhas leituras memoráveis são aquelas

quando à noite cabeceio na leitura.

Diante do livro aberto eu persigo

o friso das palavras que prosseguem

Pelo vão das pálpebras.

Há sentido,

que passa despercebido

mas que me resguarda.

Pela manhã quando desperto

desprezo o livro ao lado e observo

no alto o teto liso.

O texto narra esplêndidas histórias

Na superfície branca de páginas não

impressas.

Nelas acredito.

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