Espaço de Leitura - Leitura para todos - 22 a 24 de outubro 2011

Por Francisco Gregório Filho
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
por Jornal A Voz da Serra

Faço de quando em quando o trajeto Centro de Nova Friburgo aos distritos de Lumiar e São Pedro da Serra. Acompanha-me quase sempre um livro de crônicas ou poesias.

Procuro sentar no banco próximo à janela do ônibus e vez em quando levanto a vista do texto e pouso os olhos na paisagem que me faz bem à alma, conforta e me impregna de beleza.

Gosto dessa experiência de viajar lendo um bom poema e ou uma boa crônica de nossos escritores, alternando, com as olhadas para as montanhas e seus contornos.

Gostaria de compartilhar uma boa notícia aqui com os amigos leitores. Notícia de uma iniciativa desenvolvida na cidade de Belo Horizonte e que já se expandiu para mais cinco cidades mineiras. Leitura para Todos é o nome do programa.

Foi criado pela professora Maria Antonieta Pereira, da Faculdade de Letras/UFMG. O projeto consiste na fixação de textos literários, colocados dentro de lâminas plásticas, na parte de trás dos assentos dos ônibus, permitindo aos passageiros o livre manuseio durante a viagem, mas sem que possam levá-los embora.

Os textos são apresentados em caracteres grandes e podem ser lidos em um tempo de 10 a 15 minutos. São mais de 190 ônibus circulando na cidade. Há uma preocupação em atender a diferentes gostos literários e faixas etárias, com apresentação de diversos gêneros textuais, contos, poemas, crônicas e letras de canções. Os resultados até agora são promissores: uma pesquisa apurou que 71% dos entrevistados passaram a ter interesse em textos literários após a leitura das pranchas nos ônibus.

Outro dia, naquele trajeto Centro/Lumiar, experimentei uma prática semelhante. Provoquei espanto inicial e posterior emoção estética aos passageiros do ônibus ao disponibilizar poemas do escritor Sergio Bernardo, do livro Asfalto, da Editora Off Flip. Diz assim um deles, chamado “Dezoito Horas”:

A tarde compra

um lote

de sol inverossímil,

uns dormem, uns acordam,

no extremo da praça a bica

doura uma mistura

de limo e água,

o funcionário de uniforme laranja

produz:

varre com fúria

as margens do asfalto,

rio de automóveis.

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