Francisco Gregório Filho
A fronteira está aberta para a cultura e o conhecimento. A 2ª Bienal da Floresta do Livro e da Leitura - Acre: Veredas Literárias, Brasil, Bolívia e Peru, foi realizada de 14 a 23 de setembro passado, na Praça do Novo Mercado Velho, em Rio Branco. Foram 60 estandes de expositores, institucionais e comerciais, encontros literários, mostras de projetos de leitura, apresentações artístico-culturais, oficinas, exibição de filmes bilíngues, contação de histórias e comercialização de livros a preços acessíveis.
Apesar da proximidade com o Peru e a Bolívia, historicamente, passamos muitos anos de costas para o Pacífico, mas a partir de 1999, o esforço pela integração regional ganhou novo ritmo e avançou concretamente, tendo o Acre como protagonista na provocação do governo brasileiro e dos países vizinhos.
A conclusão da Rodovia Interoceânica abril fantásticas possibilidades para o desenvolvimento econômico, social, cultural, turístico e, por que não, artístico na Tríplice Fronteira. A Bienal trouxe consigo o conceito da integração literária Brasil–Bolívia–Peru.
Amigos leitores, estive por lá, participando das muitas atividades propostas em tendas de conversas e ideias, palcos e cinemas, bibliotecas e casas de leituras. Excelente oportunidade de travar conhecimento com produção literária das três fronteiras.
Gostei da capacidade de organização dos promotores e do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Acre. Parabéns a todos os envolvidos nessa oportuna iniciativa de intercâmbio e difusão da leitura e dos livros. Dentre as questões postas pude circular nos seguintes debates:
- Interação literária e cultural na Tríplice Fronteira.
- A Educação formal e a formação de leitores.
- A poesia nas canções.
- Literatura e linguagem visual.
- Literatura Amazônica.
- Papel e futuro do livro diante das novas mídias.
- Contribuição da literatura infantil e da oralidade na formação de leitores.
- Literatura, cinema e teatro.
- Narrativas indígenas: múltiplas linguagens.
Constatei um grande interesse do público em geral pelos temas aprofundados nas mesas-redondas, especialmente a participação de educadores e estudantes. Diálogos necessários ao desenvolvimento da criação literária e de sua fruição, e ainda as escolhas de repertórios e acervos na trajetória de formação de novos leitores.
Dos muitos livros que trouxe em minha mochila para compartilhar com os amigos leitores, destaco hoje aqui:
- El cuento que tenía miedo – escrito pela boliviana Carla Maria Bordegué de Arauco e ilustrado por Sonia Esplugas. Editora Everest – www.everest.es.
- Lá vem Histórias e Mata: Contos do Folclore Brasileiro – escrito por Heloísa Prietro, publicado pela Companhia das Letrinhas em 2002 e 2012, respectivamente, em São Paulo.
- Matria – escrito pela jovem peruana Melissa Patiño, publicado pela Azul editores em 2012, em Lima, Peru. www.azuleditores.com.
Matria
Poseo el mirar de océanos adoloridos
labios hirviendo peces azules
manos y pies en cajas de hierro
Tengo la vos sangrante
y el corazón en silencio
Sufre en mi espalda un país latigado
envuelto en ícaros
aguarunas, aymaras, quechuas
Camino entre espejos que reflejan
mi propia incertidumbre
mariposas blancas copulando flores rojas.
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