Era uma vez uma mulher que tinha uma filha muito preguiçosa. Tudo o que ela fazia o dia inteiro era passear com as amigas ou ficar na janela tomando conta da vida dos outros.
Certo dia, a mãe perdeu a paciência. Comprou um caixote cheio de goiabas, e disse para a filha que ela só poderia sair de casa se fizesse doce com todas aquelas frutas. A menina que não sabia, nem queria aprender a fazer doce nenhum, foi para a janela e começou a chorar bem alto.
Quis a sorte que justamente naquela hora passasse por ali a Rainha que, ouvindo os gritos da moça, foi até a casa perguntar por que ela chorava tanto, pois seus gritos eram ouvidos até da estrada.
Com vergonha de dizer que a filha era preguiçosa, a velha mentiu:
— Ah Majestade, é que minha filha quer fazer doces de goiaba o dia inteiro e como eu sou muito pobre e não posso comprar todas as goiabas de que ela precisa; ela chora deste jeito.
A Rainha, muito alegre, falou:
— Pois doce de goiaba é o predileto do Príncipe, meu filho. Deixe-me levar sua filha para o palácio. Lá, tenho um pomar cheio de goiabeiras que dão frutas o ano todo.
A mãe, sem coragem de dizer que mentira, deixou que a Rainha levasse a jovem para o palácio. Lá chegando, ela mostrou à menina o quintal cheio de goiabeiras carregadinhas e disse que ela fizesse doce com todas elas. E disse mais, que se o Príncipe gostasse dos doces, poderia até vir a se casar com ela.
A jovem ficou horrorizada, então, assim que a Rainha saiu, foi para a janela e fez aquilo que ela sabia fazer tão bem: começou a chorar bem alto.
Foi quando ela viu três mulheres muito estranhas caminhando em sua direção. A primeira tinha braços tão compridos que arrastavam pelo chão; a segunda tinha as mãos vermelhas como o fogo; e a terceira tinha um beiço tão saltado para frente que fazia sombra na ponta dos pés. As três se aproximaram e perguntaram por que ela estava chorando tanto e ela, então, lhes contou toda sua história.
— Faremos os doces para você — disseram elas — se você nos prometer que vai nos convidar para o seu casamento e nos chamar de “tia” três vezes.
A menina prometeu e as elas começaram a trabalhar. A primeira colhia as goiabas, esticando os braços para pegar até as mais altas; a segunda partia as frutas, com as próprias mãos; e a terceira pingava o doce no lábio para saber se já estava no ponto. No fim, os doces ficaram tão gostosos que quando a Rainha e o Príncipe os provaram, foram logo marcando a data do casamento.
A moça então pediu:
— Tenho três tias que são muito queridas. Gostaria de convidá-las para o casamento.
O Príncipe e a Rainha concordaram.
Assim, no meio da festa do casamento, chegou a primeira doceira. A noiva a recebeu amavelmente:
— Olá, minha tia; sente-se, minha tia; jante conosco, minha tia!
Logo depois chegou a segunda:
— Olá, minha tia; que bom que a senhora veio, minha tia; divirta-se, minha tia!
Por fim, chegou a terceira:
— Boa noite, minha tia; entre, minha tia; fique à vontade, minha tia!
Todos acharam aquelas senhoras muito esquisitas, e o noivo, um pouco constrangido, acabou perguntando à primeira doceira:
— Por que seus os braços são tão compridos?
— De tanto colher goiaba meu sobrinho.
— E a senhora, por que suas mãos são tão vermelhas?
— De tanto cortar goiaba, meu sobrinho.
— E a senhora, por que seu o beiço é tão pra frente?
— De tanto experimentar doce de goiaba, meu sobrinho.
O Príncipe, apavorado, foi logo ordenando:
— De hoje em diante, proíbo minha linda esposa de fazer doce de goiaba! Não quero que ela fique toda deformada... — só que essa última frase ele pensou, mas não disse, claro.
E assim, a moça viveu feliz, tranquila e descansada até o fim de seus dias.
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