“Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos.”
João Cabral de Melo Neto
Francisco Gregório Filho
Ainda sob o impacto e a emoção de ter vivido ótimas experiências nos últimos dias, conto aqui para os amigos leitores parte delas, das quais participei em nossa Região Serrana, nesse abril de 2013. Que bom seria se fosse possível irradiar e expandir trabalhos assim para outros lugares.
O Serviço Social do Comercio – Sesc - promoveu uma série de leituras dramáticas e oficinas de práticas leitoras e narrativas em Teresópolis. Organizadas pela bibliotecária Ana Cristina dos Santos e sua equipe, no programa daquela Unidade estão também atividades de música, teatro, literatura e oficinas.
Primeiro desenvolvi ali a oficina “Praticas leitoras e a arte de contar histórias”. Na oficina encontrei um grupo de jovens envolvido intensamente com a literatura, entre contos, crônicas, romances e poesia e formado, em sua maioria, por moças que cursam os últimos anos de Escola Normal.
Prezados leitores desta coluna, confesso meu entusiasmo ao encontrar adolescentes tão apaixonados pela leitura. Esse grupo também tem participado de um curso de literatura infantil orientado pela professora Ana Maria de Andrade, jornalista e arte-educadora, uma profissional excelente na produção de textos e ilustrações dedicados ao público infantil e juvenil. Aqui envio meus parabéns ao trabalho que realiza.
Na mesma programação, com os artistas Ronaldo Mota e Cristiano Mota Mendes, participei da leitura dramática “Nossa pátria é nossa língua”, um trabalho de leitura de três contos da língua portuguesa. Desenvolvidas no Teatro do Sesc e abertas a todos os segmentos de público, as leituras contaram com uma platéia expressiva de estudantes de EJA – educação de jovens e adultos – jovens trabalhadores que retornaram à escola para completarem o ensino médio e a maioria era de comerciários. Teatro lotado e a atenção daquele público nos deram uma imensa satisfação.
Cristiano e Ronaldo, músicos e atores com muita vivência, sempre colocam nossas leituras em uma dimensão artística muito própria. Leituras criativas e poéticas. Compartilhar com eles esse trabalho é uma alegria. E minha empolgação se completou quando fomos apresentar aqueles contos na Escola Agrícola Francisco Lippi, situada no charmoso lugar chamado Venda Nova, na estrada que liga Teresópolis a Friburgo. Com o apoio da direção e do corpo docente, a leitura na escola se deu por conta de uma parceria da bibliotecária Ana Cristina, do Sesc, com a professora de Língua Portuguesa, Regina Carmela.
Ali na escola, a leitura foi apresentada numa quadra aberta, com um bom equipamento som, para um público de 580 pessoas, entre professores, estudantes e equipe técnica e administrativa da escola. Durante uma hora e meia, lemos, cantamos e contamos histórias num clima de harmonia, concentração e interesse. Após as leituras um intenso debate foi travado com os jovens sobre os textos lidos e seus autores. Destaco o comprometimento e o belo trabalho da professora Regina junto ao grupo de rapazes e moças leitores e o engajamento de toda a equipe da Escola nesse processo de formação de leitores inteligentes, criativos e participativos. Congratulo-me com todos dessa bonita instituição de ensino que nos dá bons exemplos do esforço por uma educação diferenciada em nosso país.
Bom, amigos leitores, são ou não são notícias de bem querer, essas que estão em marcha na Região Serrana do Rio de Janeiro? Boas essas iniciativas de profissionais da cultura, da educação e da cidadania que nos dão esperança e conforto. Viva a leitura, ou melhor, leitura viva!
Para encerrar nossa conversa, indico aqui dois livros infanto-juvenis da professora Ana Maria de Andrade:
- Olhos da Terra - Rio de Janeiro, Editora Imperial, 2012.
- Água viva - Juiz de Fora, Editora Franco, 2011
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